Sustentabilidade no dia a dia: iluminação

São tantas as informações e questionamentos (e greenwashing!) que dá a impressão de que sustentabilidade: 1) é complicado; 2) é caro; 3) depende das empresas e governos.  Embora essas três opções sejam parcialmente verdadeiras, elas obscurecem o fato de que sustentabilidade também é simples, barata e está ao nosso alcance - é só prestar atenção a pequenos hábitos do dia a dia.  Por isso vou começar uma série de textos com dicas simples e práticas que ajudam a minimizar o impacto ambiental de nossa existência sobre o planeta - e que, de quebra, muitas vezes resultam em economia para o seu bolso!

Então, #ficadica de hoje: iluminação

O mundo ganha uma nova Alemanha a cada ano

A ONU prevê que serão 7 bilhões de habitantes até 2012 e 9 bilhões até 2050, se continuarmos no atual ritmo, a saber: 2,6 pessoas a cada segundo, 258 por minuto, 228.155 por dia. Ou uma nova Alemanha a cada ano: 83 milhões de novos habitantes na Terra por ano. Bacana, né?  Só tem um detalhe: o planeta em si não aumenta.  Ele continua do mesmo tamanho.  As terras aráveis não aumentam - e aumentar a área cultivável derrubando floresta é um tiro no pé, porque compromete o clima. Tampouco aumenta a quantidade de água potável existente no planeta. Nem os minerais: podemos descobrir novas jazidas, mas só contamos com as que já existem.  Pois é... mas antes que você pense que isso só vai acontecer lá na frente, tem um outro detalhe: se todos tivessem o estilo de vida das classes médias dos países ricos, os recursos da Terra já não dariam conta. E como nos países emergentes estamos vivendo um louvável afluxo dos mais pobres à classe média e como esperamos que a inclusão social continue e se estenda às nações menos desenvolvidas, é iminente a necessidade de mudarmos a maneira como produzimos e consumimos mercadorias.  Porque todos tem direito a uma vida digna e não podemos manter o planeta às custas da exclusão social. Por outro lado, o consumismo desenfreado que é pregado hoje como estilo de vida desejável não traz felicidade ou realização pessoal.  Por consequência, é uma falácia usar o PIB-Produto Interno Bruto como indicador de crescimento, como mostra o gráfico abaixo.  Precisamos mudar nossa visão de mundo.  E, a partir dela, todo o resto.

(fonte: http://meioambientecriativo.blogspot.com/)

Lufthansa lança vôo comercial movido a biocombustível que contém gordura animal

O setor de transportes, notadamente o aéreo, tem estado na mira das negociações climáticas há anos. Eles escaparam de regulamentação específica na época em que foi firmado o Protocolo de Kyoto porque prometeram empreender uma iniciativa voluntária de redução nas emissões dos gases causadores do efeito estufa. Porque esse segmento é um dos maiores poluidores individuais do mundo. Bom, chegou a CoP15 e nada – a não ser trocas de acusações entre a IATA, a entidade que representa o setor, e a ONU. Mesmo sem uma legislação, o setor corre porque sabe que, mais cedo ou mais tarde, ela virá – e quanto mais cedo eles se adaptarem, menores os custos depois. E nessa corrida, a Lufthansa aparentemente saiu na frente ao anunciar sua primeira rota comercial a usar biocombustíveis. Beleza! Não fosse por um detalhe: o tal do “biocombustível” é uma mistura de combustíveis fósseis com óleos vegetais... e gordura animal! Como alguém pode considerar sustentável um combustível feito às custas de seres vivos? Inclusive porque não é apenas uma questão de sensibilidade aos direitos dos animais: sua criação para corte é uma das principais fontes de gases causadores do efeito estufa. Ou seja, estão trocando seis por meia dúzia.

Pelo fim da apologia à violência como forma de promoção

Uma produtora chamada Guela Cine Produções colocou um site polêmico no ar com o intuito de se promover, o Domus Mortem, ou casa da morte, em latim. Ele apresentava um vídeo de um gato em uma gaiola e convidada os visitantes a decidir o destino do animal: viver ou ser morto. Após denúncia de Agência de Notícias de Direitos Animais, a polícia de São Paulo, a pedido do Ministério Público, abriu inquérito policial nº 287/11 na 1ª Delegacia do Meio Ambiente de SP para apurar a apologia à violência contra animais. Só que de nada adiantou: a imagem do gato foi substituída por a de uma mulher! E a apologia à violência continua.


Girl Power

Eu sei bem do que a Eve Ensler está falando: eu sou uma criatura emocional. No entanto, fui "domesticada", gradualmente colocando minha parte racional acima dos meus instintos, sentimentos e sensações. E hoje esses dois lados convivem paralelos, raramente se falando - e me desafiando diariamente a construir pontes, fazer traduções e promover reconciliações, muitas reconciliações É por isso que recomendo esta palestra do TED: ela fala de questões sociais, sim, mas também fala ao coração. Relembrando-nos do da força impressionante de ser uma menina. Girl Power!

Você conhece o Projeto Cão Guia, do SESI SP?

São 16 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual no Brasil. Dessas, 2,4 milhões tem grande dificuldade em enxergar, segundo o censo IBGE 2000. No entanto, o país conta com apenas 200 cães-guia. Para tentar melhorar esse quadro, o SESI São Paulo doará cães-guia para os empregados com deficiência visual que trabalham na indústria paulista. Quer dizer, quando eles estiverem crescidos e treinados: porque neste momento a entidade está doando os filhotes para cuidadores voluntários criarem e ajudarem no treinamento.  E você pode ser um deles.  Basta clicar aqui.



Mais uma pesquisa mostra quão chocantes são os números da violência contra a mulher no Brasil

Segundo o Anuário das Mulheres Brasileiras 2011, da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo federal e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese), 43,1% das mulheres já foram vítimas de violência em sua própria residência. Por isso, vale a pena assistir esta entrevista da juíza Maria Domitila Prado Manssur Domingos ao Jornal da Gazeta (SP), na qual ela informa como uma mulher deve proceder nesses casos, além de comentar os números da violência no Brasil e o que o Estado está fazendo a respeito:




Um móvel que cresce com as crianças

Quem tem filhos sabe bem como é comprar algo hoje que você já sabe que terá que trocar amanhã, antes mesmo que o produto tenha sido devidamente usado - uma regra que se aplica do sapato e roupas até os móveis! Embora opções de consumo sustentável estejam gradualmente se espalhando - entre as quais, o escambo, o consumo colaborativo e a boa e velha doação do que já não nos serve mais - o paradigma prevalente é o da compra de produtos novos. E ele tende a ampliar-se, com a ascenção da classe C. Ou seja, para evitar desperdício, o negócio é ser criativo - literalmente falando! E foi com criatividade que o designer francês Guillaume Bouvet criou esta escrivaninha que vai crescendo junto com a criança, sendo ergonomicamente apropriada até para adultos.

AZ desk concept from guillaume bouvet on Vimeo.

A Crise do Capitalismo

Entenda a atual crise do capitalismo em 10 minutos: excelente animação! Porém.... som em inglês... Do U speak English?

Mapa interativo mostra quais regiões do mundo são mais afetadas pelas mudanças climáticas

Se ainda há controvérsias se as enchentes, secas, nevascas e tempestades tem relação com as mudanças climáticas, determinados eventos são inquestionáveis. Como o degelo de Chacaltaya, geleira que abastece boa parte da água potável consumida pelos bolivianos. Ou o desaparecimento das calotas polares. Para se ter uma ideia mais clara dos impactos do aquecimento global sobre o nosso planeta, a ONG Union of Concerned Scientists criou um mapa interativo, no qual é possível conferir quais pontos da Terra já estão em risco. A seleção é apenas dos locais sobre os quais existam estudos revisados.


Diversidade e papéis sociais

Você já viu a nova campanha do Bradesco? Criada pela Neogama/BBH ela é estruturada no formato Perguntas e Respostas, que tem a virtude de ser bastante didático e, portanto, acessível a todos. Provavelmente com o objetivo de mostrar-se próximo de todos (reforçando o novo slogan Bradesco Lado a Lado com Você), o filme traz um homem branco, um negro (ou afrodescendente, se você preferir - mas eu falo negro sem qualquer preconceito ou conotação negativa, ok?) e uma mulher. Bacana porque também contribui para reforçar a percepção da diversidade da nossa sociedade, né? Seria, não fosse um detalhe: os papéis sociais. À mulher e ao negro cabe fazer as perguntas. Já as respostas são dadas pelo homem branco que, desta forma, apresenta-se intrinseca e subliminarmente superior aos demais. Você pode até me xingar e dizer que sou xiita, mas é verdade: de nada adianta colocar mulheres e negros se for para reforçar papéis sociais discriminatórios. #prontofalei!

Terra

Mais um daqueles vídeos com cenas de tirar o fôlego de tão lindas! Com apenas 3 minutos de duração tem, na metade final, alguns takes incríveis com animais. Não deixe de ver!

Um retrato da violência contra a mulher em todo o mundo

Os dados a seguir foram coletados pela ONU e mostram como a violência contra a mulher é uma verdadeira epidemia. Ela assume muitas formas – física, sexual, psicológica e econômica - que se interrelacionam e prejudicam as mulheres desde antes do nascimento até a velhice. Ela está na origem de problemas de saúde, dificuldade de participação na vida púbica, empobrecimento das famílias, queda na qualidade do relacionamento familiar e o cuidado com filhos. Não custa lembrar que a violência contra a mulher reforça outros tipos de violência predominantes na sociedade.

Infelizmente a violência contra as mulheres não está confinada a uma cultura, uma região ou um país específicos, nem a grupos de mulheres em particular dentro de uma sociedade. As raízes da violência contra as mulheres decorrem da discriminação persistente contra as mulheres e que fazem com que cerca de 70% das mulheres sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida. Hoje mulheres entre 15 e 44 anos correm mais risco de sofrer estupro e violência doméstica do que de câncer, acidentes de carro, guerra e malária, de acordo com dados do Banco Mundial.

Contra a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour

Como consumidora e como cidadã pagante de impostos, repudio a intenção de unir as operações brasileiras do Carrefour com o Grupo Pão de Açúcar. O argumento do BNDES e do Ministro do Desenvolvimento - de que a criação de um gigante brasileiro do varejo ligado a grandes grupos internacionais favoreceria a exportação de nossos produtos - é falacioso. Se o objetivo é favorecer nossas exportações, os R$ 4 bilhões que o BNDES pensa em ceder gentilmente a um empresário rico, presidente de um grupo rico e lucrativo, poderiam ser investidos na ampliação de nossos portos e na modernização de nossas malhas ferroviária e rodoviária, reduzindo o estrangulamento logístico que onera e tira a competitividade de nossas exportações. Se o objetivo é favorecer exportações de nossos produtos, sua carga tributária poderia ser revista, assim como os burocráticos procedimentos que mantêm verdadeiros cartéis em nossos portos e aeroportos. "Seu" Abílio fala na criação de empregos com carteira assinada, mas todo mundo sabe que os maiores empregadores do Brasil são os pequenos empresários. Uma multiplicidade de pequenos supermercados emprega mais que uma rede de lojas controlada por uma grande corporação. Uma multiplicidade de varejistas cria competitividade real, favorecendo o consumidor: uma concentração de 33% no comércio nacional de alimentos é uma ameaça à segurança alimentar do país e não uma salvaguarda,como o governo alega. Sem competidores, os preços subirão na gôndola. E cairão no balcão de negociações com fornecedores, fragilizando a indústria e o produtor rural. Isso já acontece hoje: os produtos agrícolas são deixados nas lojas do seu Abílio em "consignação" - só são pagos os itens efetivamente vendidos e qualquer perda é assumida pelo produtor. A indústria, por sua vez, paga pela gôndola, pela publicidade da gôndola, pela publicidade no encarte do jornal... E quem se recusar a aceitar as condições draconianas que os grandes varejistas impõem, fica fora do mercado - literalmente! Esse movimento de concentração, portanto, já seria condenável se feito com dinheiro privado. Com verba pública, torna-se indecente! Vergonhoso! Então elege-se um governo "dos trabalhadores" para que o dinheiro estatal vá para "os patrões"? Nas crises, o prejuízo é socializado: qualquer solavanco no lucro e empregos são sumariamente cortados! Na benesse, o lucro é privatizado. E no investimento, o dinheiro é dado? Desde quando o varejo é um setor estratégico para o Brasil? Falar que o segmento energético é estratégico faz lá seu sentido. Mas varejo??? Por que não investir mais fortemente em tecnologia agrícola e produção de sementes? Hoje a parcela privada dessa indústria está praticamente toda nas mãos de multinacionais - não é muito mais estratégico para a segurança de nosso país que a tecnologia das nossas sementes seja pública? Ou a pesquisa médica? Ou a de informática e tecnologia da informação? O que o varejo tem que esses outros setores não tem, além das relações privilegiadas do Abílio Diniz com o PT? Como consumidora, eleitora e pagadora de impostos, eu repudio o empréstimo do BNDES e repudio a tentativa de fusão entre Grupo Pão de Açúcar e Carrefour. Para a economia crescer, ela não precisa de monopólios, oligopólios ou empresas gigantes. Ela precisa de condições para o empreendedorismo, de linhas de financiamento a preços justos para todos, de infraestrutura decente, de educação, treinamento e desenvolvimento de tecnologia: é nessas frentes que temos que investir esses R$ 4 bilhões.

Crueldade com os animais criados para produção de carne

No dia em que todo mundo só fala de Pão de Açúcar e Carrefour, vale a pena ver este vídeo produzido com câmeras ocultas mostrando como é a criação dos porcos que compramos cortadinhos e embaladinhos na seção de carnes dos supermercados. Em pedaços, esquecemos que um dia foram seres vivos. O problema é que os criadores também parecem se esquecer desse "detalhe": as cenas feitas pela ONG Mercy for Animals mostram filhotes de porco sendo castrados e tendo suas caudas cortadas sem anestesia. Entrevistado após a divulgação do vídeo, o diretor da empresa admitiu que esses procedimentos são, sim, realizados sem anestesia - e que isso é praxe na indústria. Já tive a oportunidade de ver vídeos sobre a criação de porcos na Europa e descobri esse mesmo nível de crueldade. Porém, cuidado: as cenas do vídeo são muito chocantes - pense nisso antes de clicar no "play" para não me xingar depois...

Volkswagen na mira do Greenpeace

A Volkswagen fez um comercial inspirado no Guerra nas Estrelas - e o Greenpeace aproveitou o mote para denunciar que a empresa está se opondo ao corte de emissões de CO2 que está  na mesa das negociações climáticas.  E agora, Darth Vader?



Não conhece a propaganda original? Veja ela:

Números da violência contra a mulher no Brasil

Saiu o retrato mais atualizado da situação da violência contra a mulher no Brasil. E ele continua mostrando vários hematomas. Produzida pela Ipsos para o Instituto Avon, a pesquisa traz dados estarrecedores para uma nação governada por uma mulher, que já conseguiu colocar a maioria de suas crianças na escola, cuja quase totalidade dos lares tem televisão e onde quase metade das mulheres está no mercado de trabalho. Por trás dessa aparente modernidade de uma sociedade que hoje é prevalentemente urbana, permanecem hábitos medievais, como a agressão física: mais da metade – para ser mais exata, seis em cada 10 brasileiros – conhece alguma mulher que foi vítima de violência doméstica. As razões apresentadas pelos homens beiram aquilo que os juristas qualificam como “motivo fútil”: ciúme, no topo da lista, com 38% das justificativas apresentadas pelos homens; em seguida vem bebida e alcoolismo (33%), traição (21%), “fui provocado” (19%), problemas econômicos (18%) – e até um desconcertante “não tive motivo” com 12% de menções. No cômputo geral, 46% atribuem a violência contra a mulher a fatores culturais. Ou, se preferir: machismo.

Retrofit às margens do Sena

La Samaritaine, loja de departamentos fundada em 1870 e adquirida pelo grupo LVMH em 2001, fechou suas portas em 2005 e elas têm estado lacradas desde então. Seria apenas mais uma triste história do setor varejista não fossem alguns detalhes: o prédio estilo art decó que ainda conserva as escadarias, afrescos e o teto de vidro originais, fica na margem direita do Sena, praticamente ao lado do Louvre, diante da famosa Pont Neuf, em um dos pontos mais valorizados e badalados de Paris. Pois esta verdadeira jóia passará por um completo retrofit para adaptá-la às necessidades do nosso tempo: um prédio sustentável e multiuso. Nada que os belos e velhos prédios de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte e tantas outras cidades brasileiras também não precisem!


Água e esgoto são fundamentais, mas não são prioridade

Sabe aquele lance de que político não gosta de investir em saneamento porque eleitor não vê cano debaixo da terra? Pois é: parece que essa lógica não é exclusiva do Brasil! Segundo estudos do Banco Mundial e da ONG WaterAid, a meta do milênio de reduzir à metade o número de pessoas sem acesso aos serviços básicos de saneamento até 2015 não será atingida porque os países doadores estão preferindo projetos de maior apelo junto a seus públicos, como escolas e hospitais. Nos últimos 20 anos, a ajuda financeira global a projetos de água e saneamento caiu de 8%, em meados dos anos 90, para pouco mais de 5% entre 2007 e 2009. No ritmo atual, apenas 700 milhões de pessoas serão beneficiadas até 2015 – a meta da ONU era que os serviços de água e saneamento estivessem disponíveis para pelo menos 1,7 bilhão de pessoas até essa data.


Somos todos gays

A Parada do Orgulho LGBT chega à sua 15ª edição e como boa debutante mostra ao mundo a que veio: batalhar pela igualdade de direitos dos diferentes e exigir respeito à individualidade.  Transformou-se em um manifesto vivo pela liberdade de SER quem se é. Neste sentido, trata-se de um movimento muito mais profundo e poderoso do que a defesa da liberdade de pensamento e de expressão. Porque aqui a defesa é pela realização de nossa personalidade e nossa essência – que, humana, é cheia de defeitos ou de traços que alguém considera defeituosos. Porque, por um motivo ou outro, somos todos gays.



Michael Jackson - Earth Song

Nos dois anos da morte de Michael Jackson, nada como rever o clipe de Earth Song. Não foi o maior sucesso dele, mas é sem dúvida a canção mais sintonizada com os desafios ambientais do Século XXI feita até o momento:

Duas décadas de mentiras de empresas e governos

Quando comecei este blog, me propus a sempre escrever os textos aqui postados, ainda que eles fossem apenas comentários em cima de notícias e opiniões de terceiros. Mas às vezes sou obrigada a abrir uma exceção. Já fiz isso com o magnífico texto de Germano Woehl Jr. sobre o marketing verde das empresas nas escolas. E hoje, reproduzo o primoroso texto da Graciela Gomez, da Associação Argentina de Jornalistas Ambientais, que traça um contundente histórico da relação entre governos e empresas produtoras de herbicidas. Ele relata, entre outras coisas, que "A indústria sabe desde a década de 80 que o glifosato causa má formações em animais de experimentação em doses elevadas. Também sabia desde 1993 que esses efeitos podem ocorrer com doses mais baixas e médias. Por sua vez, o governo alemão sabia que o glifosato causa má formações pelo menos desde 1998, ano em que apresentou seu relatório à Comissão da UE. A Comissão de Especialistas em Revisão Científica da UE sabe desde 1999 que o glifosato causa má formações. A própria Comissão Européia sabe disso desde 2002." No entanto, a revisão do glifosato, prevista para 2012, foi postergada para 2015. Um texto que merece leitura e atenção. Um tema que exige repercussão e mobilização.

Agricultura e Mudanças Climáticas

Os ministros da Agricultura do G20 se reuniram para buscar um acordo que ajude a reduzir a tendência de alta no preço dos alimentos.

Cada grau a mais na temperatura do planeta diminui a colheita de trigo em 10 por cento.

No encontro do G20, os ministros concordaram em aumentar a produção agrícola.

Enquanto isso na Europa, as colheitas no noroeste estão sofrendo tempo o mais seco em décadas.

Upcycle: LPs que viram cadernos e relógios

Que tal ter o disco de sua banda favorita na capa de um caderno?  Essa é a proposta do site http://www.recycledlps.com.  Lá você encontra relógios cadernos e ainda um formulário pelo qual pode pedir um item customizado.  Ou seja, se você é fã do LedZeppelin, pode encomendar um item feito com discos ou capas dos discos da banda.  #ficadica


Depois do recorde de desmatamento, um recorde em queimadas?

Sabe a piada do português que, quando vê uma casca de banana no chão, logo pensa: “ai, jisuis, lá vou eu cair no chão de novo!”? Parece o Brasil e as queimadas! Todo ano, basta começar a estação seca, e a história se repete, cada vez pior. O tempo seco é apenas a cortina de fumaça atrás da qual se escondem atitudes irresponsáveis ou até mesmo má intencionadas. Elas vão do descarte de bitucas de cigarro acesas em áreas com palha seca até os funestos hábitos de soltar balões e de queimar a cana de açúcar para a colheita. Para 2011, é esperado um recorde de queimadas como consequência do recorde de desmatamento registrado no começo do ano. São incêndios criminosos que visam limpar terrenos ilegalmente desmatados. Todas estas práticas são conhecidas. Todas são amplamente noticiadas como nocivas. Todos sabem que não devem fazer isso. Então por que escorregar na casca de banana?

IBAMA sacrificará mais de 200 aves em Manaus

Estes animais serão sacrificados. Quando é o IBAMA que mata, não é crime?
Esta semana, a Polícia Federal apreendeu 270 aves silvestres da fauna venezuelana, trazidas ilegalmente em seis caixas minúsculas de papelão que não ofereciam espaço para circulação de oxigênio e que estavam escondidas em duas malas de viagem. A polícia chegou ao traficante, um brasileiro de 39 anos graças a uma denúncia anônima, encontrando os animais em alto estado de stress: um deles morreu e o restante precisou ser levado para uma câmara escura e refrigerada, para diminuir o calor e evitar mais mortes. O animal que trouxe as aves nessas condições pagou fiança e responderá em liberdade ao crime de transporte ilegal de espécies da fauna silvestre, seguido de maus tratos, previsto na Lei 9.605/98. Já as aves, levadas ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Manaus, SERÃO SACRIFICADAS, segundo informou o delegado do meio ambiente, Carlos André Gastão, e confirmou o superintendente do Ibama, Mário Lúcio Reis, a veículos de mídia impressa.  Veja aqui matéria do Jornal Hoje, da TV Globo.

Você usaria este sapato?

O artista britânico Finn Stone colou peças de Lego e repaginou um par de sapatos velhos.  Aliás, quem poderia imaginar que por trás de um visual tão inovador pode haver um sapato velho?  

30 dias, 30 coisas

Esse é o desafio de Magdalena Akantisz e Lisa Schultz, alunas da Universidade de Artes Aplicadas de Viena: dentro da onda de blogs-com-um-desafio, elas resolveram fazer 30 coisas em 30 dias com material usado. E para cumprir o desafio, pediram ajuda... aos universitários, aos designers e a a quem mais quisesse contar sua experiência bem sucedida com upcycle. O resultado é original e, no mínimo, instigante: enxergar com novos olhos as coisas velhas abre um mundo de possibilidades inimagináveis dentro do atual padrão de consumo. Vale a pena conferir - e, mais ainda, vale a pena se aventurar neste novo mundo!

O Senhor dos Prêmios

Existe alguém esperando por você
Para lhe mostrar seu selo
E convencê-lo a crer!
Mais um prêmio sem razão
E já são tantos os rankings feitos em vão
Mas explicam novamente
Que o marketing convence o presidente
E põe em movimento a corporação
Um prêmio sempre avança a companhia
Mesmo sem alterar em nada a tecnologia
Prá que mudar a energia
Se selos e prêmios dão mais lucros
E reputação?
Existe alguém que está contando com você
Prá aderir ao prêmio e ao selo
Pois é neles que todo mundo vai crer!
E quando vier a enchente,
A seca, o calor, a gente doente
Ele vai se inscrever em novos prêmios
E começar tudo novamente!
Que belíssimas cenas
De destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação
Veja que relatório lindo
Fizemos prá você
Lembre-se sempre
Que Deus está
Do lado de quem vai vencer!
O Senhor dos Prêmios
Não gosta de mudanças
O Senhor dos Prêmios
Não gosta de mudanças
O Senhor dos Prêmios
Não gosta de mudançaaaaaaaaaaaaaaaaaaas!

Upcycle: luminárias inusitadas

Design é tudo!  Quem diria que materiais tão corriqueiros como embalagens Tetra Pak, pedaços de pneu ou bules velhos poderiam dar origem a lustres e luminárias tão elegantes e contemporâneos. #cool!

Os donos do Daily Mail levam as mudanças climáticas a sério. O jornal, não.

Este artigo de Bob Ward, diretor de políticas e comunicação do Instituto Grantham de Pesquisas sobre Mudança do Clima e Meio Ambiente na London School of Economics and Political Sciences, publicado em www.guardian.co.uk, explicita a esquizofrenia empresarial sobre mudanças climáticas que aflora quando o tema fica restrito a um departamento, ao invés de integrar a cultura corporativa da organização. Através do exemplo do Daily Mail, também fica evidente que o Relatório de Sustentabilidade é um instrumento de mudança extremamente válido, mas não suficiente para envolver e engajar o público interno.

PL na Assembléia Legislativa de São Paulo proíbe criação de animais para extração de pele

O deputado Feliciano Filho protocolou na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) um projeto de lei que visa proibir a criação de qualquer animal - doméstico, domesticado, nativo, exótico, silvestre ou ornamental - com a finalidade de extração de pele. "Os animais criados para esta finalidade sofrem maus tratos, pois são submetidos ao confinamento, que provoca transtornos comportamentais, tais como auto-mutilação ou canibalismo. A retirada da pele é ainda mais cruel. Embora alguns criadores informem que submetem os animais a anestésicos ou adormecem com éter, muitas vezes a realidade é outra. Frequentemente eles são pendurados pelo rabo, tendo o pescoço torcido a um ângulo de 90º. Muitos animais agonizam com o pescoço deslocado e permanecem vivos enquanto a pele é retirada", informa o parlamentar.

A Via Láctea vista a partir das planícies de Dakota do Sul, EUA

A Via Láctea vista das planícies de Dakota do Sul, nos EUA. Belíssimo vídeo de Randy Halverson, claramente inspirado no trabalho de Terje Sorgjerd.

Plains Milky Way from Randy Halverson on Vimeo.

Eclipse Lunar em 10 segundos

Perdeu o eclipse lunar? Não teve paciência para acompanhá-lo? Confira como foi neste vídeo de... dez segundos!!

#women2drive : ação começa em 17 de junho

As mulheres da Arábia Saudita estão organizando, pelas redes sociais, uma ação de desobediência civil começando em 17 de junho.  A partir dessa data, elas dirigirão carros na rua, desafiando a lei  não escrita que as proíbe de se locomover livremente - e que já levou alguma mulheres para a prisão nas últimas semanas. Então fique de olho e, se puder, mostre seu apoio tuitando #women2drive e curtindo a comunidade homônima no Facebook!


Links de interesse:




Qual o preço real da gasolina?

Excelente vídeo do Center for Investigative Reporting que mostra clara e didaticamente como o preço que pagamos pela gasolina não cobre todos os custos derivados de seu uso. Um típico caso em que o lucro é privatizado e o prejuízo, socializado. Ou seja, pago por mim e por você! Infelizmente, o vídeo só está disponível em inglês, por isso coloquei uma transcrição do texto em português abaixo da telinha.



Mulheres líbias estupradas agora podem ser mortas "pela honra"

Eu sei que já saiu em tudo que foi lugar e eu estou sendo repetitiva aqui, mas não tem como ficar calada ou de deixar de repercutir esta atrocidade: depois de estupradas pelos soldados líbios e também pelos combatentes rebeldes, as vítimas  - mulheres e também meninas – agora correm o risco de serem assassinadas para “preservar a honra” de suas famílias!  Nessas horas, a primeira pergunta que me vem à mente é: Século XXI, quando você finalmente vai chegar?

Upcycle: de garrafas plásticas a jóias

Você acredita que o colar desta foto é feito de garrafas plásticas recicladas? A iniciativa é da artista plástica britânica Florie Salnot, que desenvolveu uma técnica de upcycle que além de permitir a criação de peças belíssimas também é perfeitamente adequada à inclusão das comunidades pobres que vivem na região do deserto do Saara.

Onde uma mulher não deveria nascer

Pesquisa feita pela Thomson Reuters Foundation para o site TrustLaw Women, destinado a prestar assessoria jurídica gratuita para grupos de mulheres ao redor do mundo, mostra quais os países nos quais uma mulher deveria evitar nascer. O Top Five da violência contra a mulher é composto por Afeganistão, República Democrática do Congo (RDC), Paquistão, Índia e Somália. No caso do Afeganistão, esse pódio infame resulta da soma de fatores como péssimo atendimento médico às mulheres, violência e condições brutais de pobreza. A vice-liderança do Congo deve-se à prática corrente de estupro como arma de guerra. Crimes de honra e ataques às mulheres com ácido explicam a presença do Paquistão nesta lista, enquanto a vizinha Índia notabiliza-se pelo tráfico de mulheres e escravidão sexual. Já na Somália... bem se você engravidar lá, terá 50% de sobreviver à gravidez e ao parto.

Escola americana troca cortadores de grama por ovelhas

Tudo começou como uma piada que, levada a sério, pode se provar uma solução simples e sustentável para manter aparada a grama do campus de uma escola: ao invés de cortadores, ovelhas! A ideia foi de Eric Sands, dono dos animais de assistente do diretor da Carlisle Area School District, em Cumberland County, Pensilvânia. Atualmente, os animais pastoreiam ao redor dos painéis solares que já alimentam a instituição. Ainda não se sabe se emitem menos gases causadores do efeito estufa que seus contrapartes elétricos, porém é certo que levarão a uma economia de pelo menos US$ 15 mil / ano nos gastos de manutenção da escola. #ficadica

 

Não é o trânsito que mata. São as pessoas.

Cresci ouvindo a expressão “trânsito mata”. E como! Na última década, o número de jovens mortos no trânsito brasileiro subiu 32,4%, segundo o mapa da violência do Ministério da Justiça. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice de mortes no trânsito em nosso país é três vezes maior do que o considerado aceitável: são 18,3 por 100 mil habitantes a cada ano, segundo a instituição. Na Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda e Suíça, que estão entre os países com os menores níveis de mortalidade no tráfego, o índice é inferior a 6. Ainda de acordo com a OMS, os acidentes de trânsito matam mais que a Malária e a AIDS.

Farmville? Esqueça! O lance agora é manejar uma APP no Facebook

Atenção habitante do FarmVille: se você gosta de agropecuária, precisa aprender a manejar uma APP. Afinal, as Áreas de Preservação Permanente estão no cerne das controvérsias sobre o Código Florestal!  Onde fazer isso?  No próprio Facebook!

O aplicativo foi desenvolvido pela Cenários Futuros que, com ele, visa explicar os conceitos de conservação de forma lúdica. A dinâmica básica consiste em plantar árvores de diversas espécies, o que por si só atrai animais para sua área e também aumenta o nível de retenção de carbono. É possível fazer a colheita de frutos, mudas e até madeira, explorando os recursos naturais de forma sustentável, levando em conta às condições ecológicas locais, fundamentais na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica. O crédito de carbono também é utilizado como medida para que você passe de level e consiga adquirir espécies de árvores mais lucrativas. O jogo conta ainda com informações sobre plantas, prêmios e categorias de evolução do responsável e também com desastres ambientais que o jogador terá de lidar.

Então, que tal praticar um pouco? Basta acessar http://apps.facebook.com/cenarios_futuros

FAO lança cartilha para uma agricultura sustentável

Save and grow – economize e cultive. Este é o nome da cartilha que a Organização Mundial das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) lançou hoje - coincidentemente, quando teve início em Bonn, na Alemanha, a derradeira semana das negociações preparatórias à CoP17. O recado foi claro: não dá para fazer uma transição para uma economia de baixo carbono sem uma mudança nas práticas agropecuárias em todo o mundo. Apesar do salto de rendimento obtido com a chamada Revolução Verde dos anos 50 e 60 do século passado, que introduziu o uso maciço de insumos químicos como estratégia para elevar a produtividade, a agricultura está longe de ser uma atividade econômica eficiente. Por isso, o atual paradigma de produção intensiva, que não leva em conta os impactos sobre o meio ambiente, não serve para enfrentarmos os desafios do novo milênio: para crescer, a agricultura tem que aprender a poupar. Palavras da ONU.

Linha histórica dos indicadores de sustentabilidade


Bernardo Eckhardt, analista ambiental do Ibama, organizou uma linha cronológica com a evolução dos indicadores de sustentabilidade considerando seu contexto histórico, político e econômico depois de ler o livro "Mundo em Transe: do aquecimento global ao ecodesenvolvimento" de José Eli da Veiga. O diagrama foi validado pelo próprio José Eli.

Código Florestal Brasileiro é notícia nas negociações climáticas

Nada é mais típico de uma negociação climática sob a égide da UNFCCC que o ECO, o boletim diário produzido por uma coalização que representa mais 500 ONGs ambientalistas de todo o mundo.  Distribuído logo pela manhã, ele é leitura obrigatória para todos os negociadores - que, por meio desse informativo, tomam conhecimento da sociedade civil organizada.  Ou seja, se não sabiam, os três mil negociadores de quase 200 países de todo o mundo foram informados hoje que o silêncio do Brasil ao longo das negociações deste ano decorre do processo de aprovação do Código Florestal. Graças à belezura de documento costurado pelos ruralistas, dificilmente nosso país conseguirá cumprir as metas de redução que o ex-presidente Lula levou à CoP15 se ele for aprovado pelo Senado. Ou seja, perdemos a liderança moral que nossos negociadores e o Lula conseguiram construir nos últimos anos, apesar de todas as más notícias que eram publicadas aqui no Brasil.  Agora, todo mundo já sabe: nossos negociadores estão de mãos amarradas.

ECO - June 11 - Final

A esquizofrenia japonesa sobre a energia nuclear

No mesmo dia em que os japoneses foram às ruas em mais de uma centena de cidades em todo o país para exigir o fim do uso da energia nuclear, os delegados nipônicos que participam da rodada preparatória de negociações climáticas, preparando o caminho para a CoP17 no final do ano, fazem exatamente o contrário!  Quem denuncia são mais de 600 grupos ambientalistas e de jovens que atuam como observadores das negociações e que concederam ao país do sol nascente o Fóssil do Dia, tradicional prêmio que é dado aos país que se destacam por travar ou comprometer as negociações para um acordo climático efetivo e eficiente. Ou, no mantra das ONGs: justo, ambicioso e legalmente vinculante.

Na Arábia Saudita, mulheres são presas por dirigir

Sim, precisamos aprender a respeitar diferenças e conviver com outras culturas. Mas quando você lê que o simples ato de dirigir um carro é negado às mulheres, sorry, não tem relativismo cultural que resolva: trata-se de puro e simples machismo que deve ser publica e amplamente condenado.  O lado bom da história é que isso  já está acontecendo - e lá dentro da própria Arábia Saudita.  Mas como ocorreu nas eleições do Irã, o apoio internacional é indispensável para que o governo flexibilize sua posição. E, mais uma vez, as mídias sociais dão uma mão: há vários lugares na internet onde você pode demonstrar seu apoio.

Vídeo oficial da ONU para o Ano Internacional das Florestas

Vídeo da ONU pelo Ano Internacional das Florestas (2011). Em tempos de debate sobre o Código Florestal Brasileiro, vale conferir estas lindíssimas imagens do francês Yann Arthus-Bertrand e as valiosas informações sobre o que elas realmente significam para nossa vida e para o planeta.

Quase 100% dos brasileiros condenam atividades agropecuárias em APPs

Impressionantes 91% dos brasileiros ouvidos em pesquisa do Datafolha condenam a manutenção de atividades agropecuárias em áreas de preservação permanente (APPs), ecoando a opinião da presidenta Dilma Roussef, que classificou de vergonhosa essa emenda ao Código Florestal aprovado pelo Congresso Brasileiro. E assim como o Ministério da Fazenda, também 79% dos brasileiros são contra o perdão de multas impostas a produtores rurais que desmataram ilegalmente e apóiam o veto prometido de Dilma caso o código aprovado no Senado preveja anistia a desmatadores. Ou seja, podemos concluir não só que o brasileiro rejeita o atual texto do Código Florestal, mas também que não foi por acaso que os atuais membros do Poder Executivo tenham vencido as eleições no ano passado: a sintonia com a opinião popular é inegável!

Lady Gaga ou Gao Yuanyuan?

Lady Gaga ou Gao Yuanyuan? Qual destes modelitchos você prefere?

Ideli Salvatti e os combustíveis fósseis

Quem cantou a bola foi o Alex Mansur, da revista Época e do blog do Planeta. Em março de 2009, ele noticiou que a nova Ministra de Relações Institucionais do governo Dilma, Ideli Salvatti, do PT de Santa Catarina, já foi presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Carvão Mineral. Como o próprio nome indica, o objetivo desse grupo é incentivar o uso desse combustível fóssil, um dos vilões das mudanças climáticas.

Violência sexual no jornalismo

Não importa o país, o nível escolar ou a profissão: em maior ou menor grau, o medo e a vergonha sempre ocultam os números reais da violência sexual contra as mulheres. No caso do jornalismo, o receio é ser preterida em coberturas de guerra ou revoltas populares – notícias que sempre rendem boas matérias e que podem alavancar uma carreira. Que o diga Christiane Amampour, cuja trajetória profissional decolou após a cobertura da guerra Irã-Iraque! Há, ainda, o receio de ser vista como a culpada pela violência – não sei quanto a você, mas eu ouvi de algumas pessoas que a Lara Logan, a linda loira da CBS que foi atacada durante as manifestações no Cairo no começo de 2011, estava no lugar errado com a roupa errada...

Temperatura em Bonn = zero grau

Até 17 de junho acontece uma rodada de negociações climáticas de cunho preparatório à CoP17, programada para o final do ano. No fim do quarto dia, os trabalhos começam: agendas se acertam nos vários grupos e as conversas começam para valer. Mas o clima é gelado: zero grau de temperatura. Ou seja, ponto de congelamento. Porque os países não mudaram suas posições desde a CoP16 (em alguns itens, desde a CoP14, eu diria!). Quem está sob a égide do Protocolo de Quioto, ou seja, os países desenvolvidos, quer que ele (ou um novo acordo) inclua as nações em desenvolvimento (isso nos inclui, ok?). Já nós e os demais países em desenvolvimento, não queremos compromissos legais e também não queremos que os países desenvolvidos caiam fora do Protocolo de Quioto. Com a crise financeira mundial, ninguém sabe, ninguém viu o dinheiro. E como se diz lá na terrinha, em casa onde não há pão, todos brigam e ninguém tem razão: há um clima de enfrentamento e desgaste nas negociações. Sabe o que isso significa? Simplesmente que os negociadores estão de mãos amarradas. Porque eles entendem como poucos da importância e do tamanho do problema climático. E se não conseguem avançar além da mesquinharia dos interesses nacionais, é porque lhes falta respaldo político em casa. Isso vale para nós também: se não nos manifestarmos junto ao governo - seja mandando email para jornais, revistas, rádios, TVs ou para o governo, seja nas mídias sociais - a única voz que será ouvida é a dos poderosos lobbies econômicos querendo manter seus interesses particulares. Mas clima não é um tema setorial: é algo que afeta a todos nós. E a prevalência dos lobbies setoriais é imoral! Vamos lutar contra isso usando nossa melhor arma: nossa voz e nossa capacidade de articulação! Vamos nessa?

Ken rompe com Barbie por causa do desmatamento

Excelente campanha do Greenpeace!

Pássaros

Está é a parte final do texto Curtir é Covardia(*), de Jonathan Fraser, autor de Liberdade (Cia das Letras), publicado na íntegra pelo blog do Link, do Estadão.

Pássaros. Quando estava na faculdade, e por muitos anos depois disto, eu curtia o mundo natural. Eu não o amava, mas sem dúvida o curtia. A natureza pode mesmo ser algo muito belo. E, como eu estava em busca de coisas no mundo que me parecessem erradas, gravitei naturalmente na direção do ambientalismo, pois sem dúvida havia muitas coisas erradas com o meio ambiente. E quanto mais eu olhava para aquilo que estava errado – uma população mundial em explosão, o consumo desenfreado dos recursos naturais, o aumento nas temperaturas globais, a contaminação dos oceanos, o corte das últimas florestas antigas –, mais furioso me tornava.

PL pode colocar Brasil na vanguarda do REDD

REDD é a sigla em inglês para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação. Trata-se de um mecanismo desenvolvido pela ONU que parte de um raciocínio simples: se o desmatamento e degradação de uma floresta geram CO2 na atmosfera e se, de pé, ela contribui para absorver esse gás, um dos caminhos para combater as mudanças climática é a preservação. Por esse motivo, o REDD entrou na pauta das negociações climáticas e, neste momento, está passando pela definição de detalhes como o respeito aos direitos dos povos indígenas que habitam as florestas, os critérios, procedimentos e prazos de medição e avaliação de resultados, além de formas de financiamento. Apesar de ainda não haver uma legislação REDD consolidada no âmbito do acordo climático, já existem inúmeras iniciativas e fundos que financiam iniciativas que se encaixam nessa descrição. Responsável pela maior floresta tropical do planeta, o Brasil é parte interessada e estratégica nessa questão. Não custa lembrar que o desmatamento é responsável por mais de 70% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa. Por isso, não é de se estranhar que já exista um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional a esse respeito.

Vergonha: estupro ainda é usado como arma de guerra

Você sabia que Gengis Khan deixou descendentes do Oceano Pacífico ao Mar Cáspio? Isso foi possível porque historicamente o estupro sempre foi uma arma de guerra usada como meio para: 1) extinguir uma raça; 2) comprovar o domínio de uma raça sobre outra. Pois essa prática bárbara subsiste até hoje: depois das chocantes denúncias feitas na época da Guerra da Bósnia por entidades como a Anistia Internacional, agora é a vez da Líbia de Muamar Kadafi protagonizar a barbárie. Desta vez, o apoio oficial do governo, denunciado pela ONU, inclui o fornecimento de Viagra aos soldados para assegurar que eles cumprirão a nefasta missão.

As cédulas manchadas e a responsabilidade social dos bancos

Deu nos jornais de TV desta noite: ao sacar aposentadoria de um caixa eletrônico, senhora de 83 recebe cédulas manchadas. Ao todo, 350 reais foram retidos para "averiguações". Pergunta: por que essas notas, que não tem valor, foram para em um caixa eletrônico? E por que a cliente, ao reclamar ao gerente do banco, não foi ressarcida pela comprovada falha do próprio banco?


Clima é um problema comum para a humanidade e não apenas uma questão de lobby

Líder global em investimentos em energia eólica, a China será obrigada a encerrar a política de subsídios que visava turbinar esse setor (perdoe-me pelo trocadilho infame, porém irresistível). O motivo: uma ação movida pelo governo norte americano na Organização Mundial do Comércio (OMC). A base dessa ação foi uma reclamação da United Steelworkers Union, o poderoso sindicato dos trabalhadores da indústria do aço. A notícia foi divulgada na semana de abertura das negociações preparatórias à CoP17 que estão sendo realizadas em Bonn. Nem preciso dizer que caíram como um balde de água fria sobre aqueles que lutam pela adoção de energias renováveis. Nesta briga econômica, a grande vítima foi o meio ambiente. Ponto para as empresas de petróleo e carvão – principal fonte energética da China. E dos EUA.

A relação entre mudanças climáticas e desastres ambientais

Este vídeo da 350.org foi produzido a partir de um artigo de seu fundador Bill McKibben, publicado originalmente no Washington Post.   Abaixo do vídeo está o texto em português: ironica e primorosamente, ele mostra como mudanças climáticas e tragédias ambientais tem relação direta.



Existe barril de petróleo verde?

Talvez você já tenha visto a HRT anunciando o projeto Barril Verde HRT, que consiste na doação de R$ 1 a cada barril produzido pela empresa na Bacia do Solimões (AM) para ações de conservação da floresta e para a melhoria da qualidade de vida de seus moradores. Os recursos serão destinados à FAS-Fundação Amazônia Sustentável, que faz um belíssimo trabalho na região.

Mercado de Carbono encolhe com dúvidas sobre continuidade do Protocolo de Quioto

Um dos mais sérios nós que os negociadores da ONU terão que desatar este ano refere-se à continuidade do Protocolo de Quioto. E como ele regula os chamados Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), todo esse esquema transacional que permite converter em créditos o carbono que você deixa de emitir está em risco.

Bonn 2011: os 3 nós que emperram as negociações climáticas

Sim, são muitos os pontos de divergência entre os três mil delegados dos 183 países que participam da rodada de negociações preparatórias à CoP17, a Conferência das Partes que tenta chegar a um acordo climático de alcance global. Mas três tópicos são mais críticos: a continuidade do Protocolo de Quioto, a diferença entre a promessa e a necessidade de redução das emissões de gases causadores de efeito estufa e, sim, ele: o dinheiro.

Bolívia propõe criação de IOF Climático nas negociações de Bonn

IOF – o famoso Imposto sobre Operações Financeiras que nós brasileiros já conhecemos pode ser estendido para o resto do mundo, se depender da Bolívia. Mediante a cobrança de 0,01% sobre transações internacionais seriam gerados os fundos necessários para subsidiar os fundos climáticos necessários para financiar as ações necessárias para minimizarmos as chances de que a temperatura média do planeta suba acima de níveis aceitáveis – e, infelizmente, para ajudarmos àqueles que já estão sofrendo com as alterações do clima. Essa foi a proposta apresentada em Bonn, onde estão acontecendo negociações preparatórias para a CoP17, que será realizada na África do Sul no final deste ano. E que terá na questão financeira um dos principais desafios a serem superados.

Segundo dia de negociações climáticas: a vez das pequenas ilhas

AOSIS é a sigla em inglês para os pequenos países insulares, ou seja, aquelas nações cujos territórios se limitam a uma ilha. Boa parte deles fica no Pacífico e ocupa terras muito planas: qualquer elevação no nível do mar e eles literalmente afundam. Isso, aliás, já está acontecendo: em maio de 2009 começou a transferência dos habitantes da primeira ilha literalmente invadida pelo mar.

Essa situação dramática dá a nações como Tuvalu, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão e outros 42 países uma força moral muito grande nas negociações: seus depoimentos nas sessões da ONU são reais e chegam a emocionar os demais delegados. Como as negociações climáticas são literalmente um assunto de vida ou morte para esses países, seus representantes são muito bem preparados. Por isso, é deles que vem a boa notícia do segundo dia de negociações: uma proposta concreta para o Protocolo de Quioto.

Os países mais verdes do mundo

Você conhece o Índice de Performance Ambiental (EPI)? Trata-se do ranking dos países mais verdes do mundo. Elaborado pelas universidades Columbia e Yale, nos EUA, ele classifica 163 nações de todo o mundo segundo 25 critérios que, cruzados, mostram quais são os países mais verdes no mundo. No ranking da última edição – isso antes do recorde de desmatamento na Amazônia, da aprovação do Código Florestal, das mortes ligadas a madeireiros e carvoeiros na região Norte, do recorde de 7 milhões de veículos na cidade de São Paulo que consagra o transporte individual movido a combustível fóssil como opção preferencial da maior cidade do País – o Brasil ocupava a 62ª posição. Atrás dos Estados Unidos, o segundo maior emissor global dos gases causadores do efeito estufa.

Até onde vão os lobistas que combatem o acordo climático?

Podia ser no Pará, mas é na Austrália: a Universidade Nacional da Austrália (ANU) de Canberra foi obrigada a reforçar sua segurança e mudar, para acomodações mais seguras, alguns de seus cientistas ligados a pesquisas climáticas. O motivo? Ameaças de morte, feitas por email e telefone.  Entre os ameaçados está o autor de um estudo, divulgado há duas semanas, que aponta para o risco de elevação dos oceanos em mais de um metro ao longo do próximo século.  As ameaças de morte são a parte  mais brutal de uma aguerrida disputa entre os que defendem e os que querem evitar um acordo climático - e que foi acirrada, nas últimas semanas, por um comercial de TV estrelado por Cate Blanchett e que defende a aprovação de uma taxa sobre o carbono.  Pois é, parece que não é só aqui que o debate sobre preservação ambiental e crescimento econômico ganha aspectos de filme policial.

Negociações climáticas: é hora de pressionar

Em dezembro acontece mais uma CoP climática, a CoP17.  Mas, como é praxe nesse processo de negociações, sessões intermediárias ocorrem para que os negociadores possam avançar na definição dos inúmeros pontos que ainda estão em aberto e que impedem os países que integram a ONU de assinar um acordo "justo, vinculante e ambicioso", como prega o mantra das ONGs ambientais.  Uma delas está acontecendo esta semana em Bonn, na Alemanha.  A pouca cobertura de imprensa e as más notícias que marcaram sua abertura sinalizam: nós, da sociedade, precisamos pressionar.  Senão, não vai sair nada.


Crueldade com animais X violência doméstica contra mulheres: uma conexão real

Penso, escrevo e falo sobre muitas coisas, mas dois temas me são mais caros: a violência contra as mulheres e os maus tratos dos animais. Identifico, nas duas situações, crueldade e covardia. Ou, se preferir: injustiça. Mas nunca pensei que houvesse uma conexão direta entre estes dois mundos. Mas é exatamente essa a conclusão de pesquisa inédita realizada no Brasil e desenvolvida em Pernambuco por Maria José Sales Padilha, Presidente da AADAMA – Associação Amigos Defensores dos Animais e do Meio Ambiente. Seu objetivo era examinar a conexão entre a crueldade praticada contra animais e a violência doméstica contra mulheres. Sua conclusão: existe tal conexão. Ou seja, quem maltrata animais, tem maior propensão a agredir outros seres humanos. 


Calendário das negociações climáticas em 2011

A vida no mar

Seleção magnífica de imagens subaquáticas: vale muito a pena ver!

A Marcha das Vagabundas

O que leva pessoas de lugares tão diferentes como São Paulo e Belo Horizonte, no Brasil, Chicago e Los Angeles, nos EUA, Edmonton, no Canadá, Estocolmo, na Suécia, Amsterdã, na Holanda, e Edimburgo, na Escócia, a saírem em passeata nas ruas? Respeito: essa é a bandeira da Slut Walk, ou Marcha das Vagabundas, evento que está mobilizando mulheres do lado de cima e do lado de baixo da linha do Equador.

Dia Mundial do Meio Ambiente: vamos fazer nossa parte?

De um lado, prefeitos plantam árvores no Parque do Ibirapuera, o mais tradicional da capital paulista e talvez um dos locais de São Paulo que menos precisa de plantio de árvores. Do outro, pessoas acotovelando-se para driblar o colapso do transporte público provocado pela greve dos trens urbanos.

Entre a foto oficial e a dura realidade fica nossa consciência - e o largo espaço de ação que cada um de nós tem.

Desmatamento, mortes, Código Florestal, Belo Monte e usinas nucleares

Talvez o primeiro ano do governo Dilma Roussef seja lembrado, no futuro, como um verdadeiro desastre ambiental. Entre março e abril deste ano, o desmatamento na Amazônia subiu para 593 quilômetros quadrados, segundo o INPE-Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Nesses mesmos meses do ano passado, o desmatamento foi de 103,5 quilômetros quadrados na Amazônia – ou seja, houve um salto de quase 500% na comparação com o ano anterior. No caso da Mata Atlântica, apesar da redução no ritmo, houve uma perda de 31.195 hectares entre 2008 e 2010, de acordo com dados também do Inpe.


Quando o Estado não garante a segurança do cidadão

Parabéns! Agora você trabalha para você mesmo! Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o brasileiro precisa trabalhar 149 dias por ano – o equivalente a quatro meses e 29 dias – apenas para sustentar a carga tributária imposta pelo governos federal, estadual e municipal. Ou seja, tudo que você trabalhou até este domingo, 29 de maio, foi direto para os cofres públicos. Segundo o Impostômetro, instalado em São Paulo, hoje foi atingida a marca de R$ 600 bilhões recolhidos. Com este dinheiro, o governo paga, entre outras coisas, as estruturas federal e estadual de segurança. Foram R$ 8,5 bilhões em 2009, segundo o site Contas Públicas, que contabilizou a quantia desembolsada por seis unidades federais, incluindo os departamentos de polícias federal e rodoviária federal. O Estado mantém um efetivo de 287 600 soldados em seu Exército e 600 mil policiais, somando o total de profissionais dos órgãos estaduais de segurança pública, agregando policiais civis e militares e corpos de bombeiros militares. E, no entanto, nada disso é suficiente para garantir a segurança do cidadão, como admitiu hoje a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. Note que ela não estava falando de todos os 190 milhões de brasileiros, mas das 1855 pessoas ameaçadas de morte entre os anos de 2000 e 2010 por conta de conflitos no campo, segundo dados que a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Trata-se, sem dúvida, de uma excelente notícia para todos aqueles que já usaram e para os que pretendem fazer uso da força para impor sua vontade, como tem ocorrido na região Norte. Segundo a CPT, já são 1580 mortes em conflitos agrários no Brasil desde a década de 80, com 94 criminosos condenados, mas só um preso.

Não dizem que a história é a versão dos vencedores? Pois é...

O que é a História senão a versão de quem venceu e ficou para contar? E, na política brasileira, quem mais exibe a face de vencedor do que José Sarney? Nascido em 24 de abril de 1930, este maranhense do município de Pinheiro disputa com a também taurina Elizabeth, regente da Inglaterra, quem fica mais tempo no poder. Porque apesar de nosso regime não ser monárquico, ele reina desde 1954, quando elegeu-se suplente de Deputado Federal pelo falecido PSD-Partido Social Democrático. Chegou a governador de seu estado em 1965, com o apoio da ditadura militar. Apesar de integrar a ARENA, o partido de direita dos anos de chumbo, rompeu com esta na transição para a democracia fundando o Partido da Frente Liberal-PFL (sim, aquele que, recentemente, mudou o nome para DEM), com o qual associou-se ao PMDB. Com a morte prematura de Tancredo Neves, de quem era vice, passou a envergar a faixa presidencial e, desde então, não abandona Brasília: em 2011, assumiu a presidência do Senado Federal pela quarta vez. E foi, nesta condição, que ele inaugurou uma exposição de 16 painéis a título de comemoração pelos 185 anos de existência do poder legislativo no Brasil. Como história de um vencedor, esta também omite tudo que lhe desagrada. Por exemplo, o impeachment de seu aliado Fernando Collor.

Mas quem foi o historiador que se submeteu a assinar esta exposição?


Quatro camponeses e um papagaio

Sente aí, seu moço: vou lhe contar um causo. Não se avexe que é história rápida e rasteira porque defunto fresco merece respeito e presteza, senão começa a cheirar! Chamava-se Adelino Ramos e era que nem gato: sete vidas! Não caiu em Corumbiara, nos idos de 95, caiu agora, na frente da família, enquanto vendia verdura. Mas dizem que foram precisos cinco tiros para abater o cabra! E ele ainda chegou a ser socorrido num hospital! Esse era duro na queda, mas não teve jeito: os homi da madeira e do carvão são mais duros porque são duros de coração. Tem respeito à vida não, seu moço! Com eles, é na base do trator, da motosserra e do tiro: nada pode ficar em pé na frente deles! Só essa semana foram quatro: o Adelino, em Rondônia, e o José Cláudio Ribeiro da Silva, a Maria do Espírito Santo e o Erenilton Pereira dos Santos, no Pará.

Com modernização, câncer passou a ser a principal causa de mortes na China

Na China, o Ministério da Saúde acaba de anunciar que o câncer tornou-se a principal causa mortis, respondendo por um quarto das mortes no país. Essa transição das tradicionais pragas das nações pobres (doenças infecciosas e altas taxas de mortalidade infantil) para câncer, problemas cardíacos e AVCs coincide com a urbanização do Império do Centro. E as estatísticas mostram uma prevalência desse mal nas cidades industriais onde, como você deve saber, a poluição é tamanha que chega a ofuscar a vista, como uma neblina. Lembra dos Jogos Olímpicos, quando havia o receio, por parte do comitê organizador, da falta de condições respiratórias para provas envolvendo corridas (e, portanto, maior esforço cardiovascular)?

Pois é...

A incrível história do lago que sumiu

Ele se chama Urmia e fica no Irã. Seus primeiros registros foram feitos pelos assírios no século 9 AC. Com uma superfície de 5.200 Km2, 140 Km de comprimento, 55 Km de largura e 16 metros de profundidade, era o maior lago do Oriente Médio e o terceiro maior lago salgado do planeta. O Urmia era destino migratório dos flamingos, pelicanos e gaivotas no Oriente Médio. Era também um centro turístico, que atraia visitantes interessados em navegar e ganhar-se em suas águas salgadas. Hoje, os barcos não navegam mais: estão presos no sal.


Hoje, o lago é um salar.

(Fotos de Vahid Salemi/AP)


Cordel nada encantado

Hoje foi difícil distinguir a realidade da ficção!

No plenário da Câmara dos Deputados, era como se Coronel Timóteo estivesse negociando o casamento de sua irmã, Antônia, com o delegado Batoré, para deste obter proteção e vantagens.

No Pará, o camponês e líder extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher, Maria do Espírito Santo, foram assassinados. em um projeto de assentamento agroextrativista. Lembrou, mais uma vez, o "cornérzim" da novela mandando seus jagunços fazerem sua "justiça".

No Mato Grosso, madeireiros usavam correntes para derrubar árvores. Aí, não me lembrou nenhuma novela: parecia simplesmente o fim do mundo. Ou, pelo menos, o fim do bom senso.

Se cão e gato são mercadoria, Código de Defesa do Consumidor em quem vende!

Está fazendo quase um ano. Era uma noite bem fria. Cheguei em casa, cliquei no controle remoto e o portão começou lentamente a se abrir. Nessa hora, passava na calçada um cachorrinho, numa perfeita conexão das coordenadas tempo-espaço: um minuto a mais ou a menos e o Mulekinho não faria parte da minha vida. Junto com ele, veio essa pergunta que até hoje me intriga: quem, em sã consciência, pode ter deixado na rua uma coisinha tão pequeninha e indefesa? Um animalzinho tão alegre, brincalhão, simpático?

Quem teria coragem de abandonar um filhotinho?

Sacolas plásticas: como viver sem elas

Tem horas que meus (muitos) cabelos brancos ajudam: eles indicam que vivi (e sobrevivi) ao tempo em que simplesmente não existiam sacolas plásticas. Por isso, acho graça quando vejo hoje tantas pessoas se perguntando como farão para viver sem elas. A boa notícia é que não é tão complicado assim.

Violência na USP

Moro ao lado da USP há 38 anos. Das janelas da escola (estadual), dava para ver o campus. No último ano do ensino médio (à época, chamado de "colegial"), isso era uma tortura! Pois os professores apontavam para os prédios e diziam "no próximo ano, quando vocês estiverem lá". E o medo crescia. Será que conseguiríamos passar no vestibular? Naquela época, o medo também se fazia presente quando íamos passear no campus por causa dos rumores de um estuprador que atuava por lá. Quando finalmente passei na Fuvest, comecei a ter contato com os roubos e saques. A difícil convivência da USP com a comunidade do entorno tem história. E uma história que piora a cada capítulo.

A frente fria e as ruas

Sou informada pela imprensa de que podemos ter um recorde de frio esta noite: 5 graus. Em noites como essa, cresce a busca por albergues pelos moradores de rua de São Paulo. Eles são, em sua maioria, homens (86%), mais da metade dos quais (62,8%) não completaram o ensino fundamental e que majoritariamente (74,4%) consomem álcool ou drogas. E a perda do emprego foi o principal motivo apontado para justificar a permanência nas ruas. Este é o perfil oficial do morador de rua de São Paulo, traçado em censo conduzido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em 2009. Naquela época, já existiam 13.666 pessoas ao relento - mais gente que o total da população de metade dos 645 municípios paulistas. Esse número é consequência de um crescimento de 57% nos últimos dez anos - ironicamente, um período de estabilidade e crescimento econômico. Mas que, como se pode ver, não foi suficiente para incluir a todos.

Higienópolis e Sé

Em 2009 fui agraciada com a oportunidade de falar com a profissional que cuidava das ações de Responsabilidade Social da vetusta FIESP. A conversa resvalou para o cyberativismo, que foi por ela duramente criticado como ineficiente e pouco legítimo. Embora não citado diretamente, o comício das Diretas Já, que reunião um milhão de pessoas na Praça da Sé, era a referência óbvia. E a crítica é que reclamações no twitter eram apenas desabafos e não posições políticas. E desde então isso me incomoda. Afinal, se a democracia é baseada na livre expressão de ideias e se graças aos meios de comunicação já disponíveis no século XX essas ideias podem ser formadas e expressadas virtualmente, por que essa fixação no meu corpitcho? Por que eu tenho que estar de corpo presente para que minha opinião seja considerada válida?

Dois anos depois, o Churrascão da Gente Diferenciada mostra que no século XXI, a opinião online é tão válida como aquela que é expressa offline.

Higienópolis explica Brasília

"Entre a intenção e a ação cai a sombra", disse T.S.Eliott no poema Homens Ocos. Hoje, entre a intenção e a ação, o que caiu foi a máscara. Em Higienópolis, caiu a máscara da hipocrisia. Pois não se trata de uma questão de quantos metros separa uma estação de outra, mas na qualificação como "interesse dos moradores" a supressão do livre direito de ir e vir das pessoas de outros bairros. Em Brasília, está caindo a máscara do agronegócio: a cada novo discurso em plenário, enquanto se aguardava o texto do relator Aldo Rebelo, ficava mais evidente que são as razões da economia - e não da prudência, do bom senso ou da responsabilidade - que norteiam a pressa em aprovar o Código Florestal.

Mas estas não foram as únicas máscaras que caíram hoje.

Gisele Bundchen vai plantar uma floresta. Vamos ajudá-la?


Enquanto aqui no Brasil a bancada da motosserra só pensa em derrubar e queimar árvores, em Nova York nossa belíssima Gisele Bündchen mais uma vez usa sua beleza e poder de sedução à favor da natureza. A novidade agora é que ela assumiu o desafio de plantar uma floresta até o Dia Mundial do Meio Ambiente. Sim, uma floresta inteira até o próximo dia 5 de junho?

Eu acho que ela vai precisar de ajuda...

Por um Código que defenda nosso patrimônio Florestal

Eu não ia escrever sobre o Código Florestal, porém mais uma vez recebi um email muito esquisito, como se fosse troca de mensagem entre duas pessoas e eu lá, copiada inadvertidamente. Linguagem jovem, links para vídeos e tudo mais - tudo defendendo os ruralistas. Obviamente não tenho provas, mas isso não me impede de ter essa sensação de que tem dedo da CNA por trás disso. E sensação/intuição, sabe como é, né? Batata!! Então, vamos descascá-las!

Que prazer há em matar?

Assisti, chocada, a uma matéria do Jornal Nacional que mostrava Beatriz Rondon, uma ruralista que já participou de um programa de preservação da onça pintada - animal que, não custa lembrar, está em risco de extinção - e que hoje recebe grupos de turistas estrangeiros que vem aqui para matar o felino.


(i)mobilidade urbana

Mobilidade Urbana: mais que um conceito, trata-se de uma aspiração para quem mora nos grandes centros urbanos dos chamados países em desenvolvimento. Aqui em São Paulo, é comum uma pessoa passar de duas a quatro horas do seu dia parada no trânsito. Em cinco dias úteis, esse total pode chegar a 20 horas, quase um dia de vida perdido! E esse lento assassinato é executado com requintes de crueldade: barulho, poluição, stress.... Motoboys, no caso dos motoristas de carro. Carros e ônibus, no caso de condutores de motos e bikers. Lotação absurda, falta de espaço, de ar e de respeito, no transporte público. Parece uma maldição. E talvez seja: a maldição de JK.

Educação ou entretenimento?

O Jornal da Band produziu uma série de matérias sobre boas práticas educacionais de escolas públicas e privadas no Brasil. Denominada Missão Educar, a série pode ser conferida no YouTube - o link para o primeiro programa é http://www.youtube.com/watch?v=6l-mR84A9OM. Porém depois de ver as reportagens, me ocorreu que muitas vezes o que classificamos de "boas práticas educacionais" não tem nada a ver com educação. São puro entretenimento. :(

O que esperar da votação do Código Florestal Brasileiro

Tudo indica que as negociações em torno do texto do novo Código Florestal Brasileiro prosseguirão para viabilizar uma votação nesta quarta, 4 de maio de 2011. E o que podemos esperar como resultado?

2 de maio de 2011: parece diferente, mas é mais do mesmo

Não dá para falar de qualquer outra coisa hoje a não ser sobre Osama Bin Laden. Não foi ele quem inventou, mas certamente foi ele quem consolidou o novo modelo de conflito armado que, infelizmente, deve prevalecer no século XXI: o terrorismo.

Mais produtividade por gota de água

Quando o assunto é água, temos que ir para o campo, pois 70% da água potável do mundo é usada em práticas de irrigação muitas vezes antigas e pouco eficientes. A Revolução Verde dos anos 60 teve o benefício de quase triplicar a produção global de grãos, o que é sempre uma boa notícia, pois precisamos, sim, eliminar a fome. Porém ela trouxe custos ambientais sérios que não podem ser ignorados. Pelo contrário: graças a investimentos públicos e privados, hoje o mundo dispõe de uma pujante rede de pesquisas no setor agrícola. Ora, por que não acioná-la para desenvolver melhores soluções para o uso da água?

Transporte, a próxima fronteira a ser vencida

Na luta por um mundo com menores emissões de gás carbônico, várias fronteiras já foram identificadas e algumas até cruzadas. É o caso das emissões por desmatamento, causa número um da pegada de carbono do Brasil: plenamente reconhecida, embora não combatida na mesma proporção. Ou das emissões geradas pelo uso de combustíveis fósseis na geração de energia elétrica, fonte prevalente no caso de grandes emissores como EUA, Índia e China. Mas novos estudos estão começando a identificar uma outra fronteira que teremos que cruzar: a do paradigma (desejo?) do transporte individual.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...