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Guapiruvu: o Brasil que pode dar certo

Marcelo Cardoso (*)



Guapiruvu é um bairro da cidade de Sete Barras, no Vale do Ribeira, litoral sul de São Paulo.  Esta é a região de maior índice de pobreza no Estado de São Paulo, mas é também uma região importante pela preservação e pela unificação entre o social e o ambiental. Foi aqui que o Vitae Civilis deu início a seu trabalho em 1997 com uma agenda local de desenvolvimento.  E agora, em 2013, voltamos para olhar essa trajetória e avaliar o trabalho realizado para esta comunidade e a contribuição dada pelo Vitae Civilis a este processo.


Duas décadas de mentiras de empresas e governos

Quando comecei este blog, me propus a sempre escrever os textos aqui postados, ainda que eles fossem apenas comentários em cima de notícias e opiniões de terceiros. Mas às vezes sou obrigada a abrir uma exceção. Já fiz isso com o magnífico texto de Germano Woehl Jr. sobre o marketing verde das empresas nas escolas. E hoje, reproduzo o primoroso texto da Graciela Gomez, da Associação Argentina de Jornalistas Ambientais, que traça um contundente histórico da relação entre governos e empresas produtoras de herbicidas. Ele relata, entre outras coisas, que "A indústria sabe desde a década de 80 que o glifosato causa má formações em animais de experimentação em doses elevadas. Também sabia desde 1993 que esses efeitos podem ocorrer com doses mais baixas e médias. Por sua vez, o governo alemão sabia que o glifosato causa má formações pelo menos desde 1998, ano em que apresentou seu relatório à Comissão da UE. A Comissão de Especialistas em Revisão Científica da UE sabe desde 1999 que o glifosato causa má formações. A própria Comissão Européia sabe disso desde 2002." No entanto, a revisão do glifosato, prevista para 2012, foi postergada para 2015. Um texto que merece leitura e atenção. Um tema que exige repercussão e mobilização.

Agricultura e Mudanças Climáticas

Os ministros da Agricultura do G20 se reuniram para buscar um acordo que ajude a reduzir a tendência de alta no preço dos alimentos.

Cada grau a mais na temperatura do planeta diminui a colheita de trigo em 10 por cento.

No encontro do G20, os ministros concordaram em aumentar a produção agrícola.

Enquanto isso na Europa, as colheitas no noroeste estão sofrendo tempo o mais seco em décadas.

Depois do recorde de desmatamento, um recorde em queimadas?

Sabe a piada do português que, quando vê uma casca de banana no chão, logo pensa: “ai, jisuis, lá vou eu cair no chão de novo!”? Parece o Brasil e as queimadas! Todo ano, basta começar a estação seca, e a história se repete, cada vez pior. O tempo seco é apenas a cortina de fumaça atrás da qual se escondem atitudes irresponsáveis ou até mesmo má intencionadas. Elas vão do descarte de bitucas de cigarro acesas em áreas com palha seca até os funestos hábitos de soltar balões e de queimar a cana de açúcar para a colheita. Para 2011, é esperado um recorde de queimadas como consequência do recorde de desmatamento registrado no começo do ano. São incêndios criminosos que visam limpar terrenos ilegalmente desmatados. Todas estas práticas são conhecidas. Todas são amplamente noticiadas como nocivas. Todos sabem que não devem fazer isso. Então por que escorregar na casca de banana?

FAO lança cartilha para uma agricultura sustentável

Save and grow – economize e cultive. Este é o nome da cartilha que a Organização Mundial das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) lançou hoje - coincidentemente, quando teve início em Bonn, na Alemanha, a derradeira semana das negociações preparatórias à CoP17. O recado foi claro: não dá para fazer uma transição para uma economia de baixo carbono sem uma mudança nas práticas agropecuárias em todo o mundo. Apesar do salto de rendimento obtido com a chamada Revolução Verde dos anos 50 e 60 do século passado, que introduziu o uso maciço de insumos químicos como estratégia para elevar a produtividade, a agricultura está longe de ser uma atividade econômica eficiente. Por isso, o atual paradigma de produção intensiva, que não leva em conta os impactos sobre o meio ambiente, não serve para enfrentarmos os desafios do novo milênio: para crescer, a agricultura tem que aprender a poupar. Palavras da ONU.

A incrível história do lago que sumiu

Ele se chama Urmia e fica no Irã. Seus primeiros registros foram feitos pelos assírios no século 9 AC. Com uma superfície de 5.200 Km2, 140 Km de comprimento, 55 Km de largura e 16 metros de profundidade, era o maior lago do Oriente Médio e o terceiro maior lago salgado do planeta. O Urmia era destino migratório dos flamingos, pelicanos e gaivotas no Oriente Médio. Era também um centro turístico, que atraia visitantes interessados em navegar e ganhar-se em suas águas salgadas. Hoje, os barcos não navegam mais: estão presos no sal.


Hoje, o lago é um salar.

(Fotos de Vahid Salemi/AP)


Cordel nada encantado

Hoje foi difícil distinguir a realidade da ficção!

No plenário da Câmara dos Deputados, era como se Coronel Timóteo estivesse negociando o casamento de sua irmã, Antônia, com o delegado Batoré, para deste obter proteção e vantagens.

No Pará, o camponês e líder extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher, Maria do Espírito Santo, foram assassinados. em um projeto de assentamento agroextrativista. Lembrou, mais uma vez, o "cornérzim" da novela mandando seus jagunços fazerem sua "justiça".

No Mato Grosso, madeireiros usavam correntes para derrubar árvores. Aí, não me lembrou nenhuma novela: parecia simplesmente o fim do mundo. Ou, pelo menos, o fim do bom senso.

O que esperar da votação do Código Florestal Brasileiro

Tudo indica que as negociações em torno do texto do novo Código Florestal Brasileiro prosseguirão para viabilizar uma votação nesta quarta, 4 de maio de 2011. E o que podemos esperar como resultado?

Mais produtividade por gota de água

Quando o assunto é água, temos que ir para o campo, pois 70% da água potável do mundo é usada em práticas de irrigação muitas vezes antigas e pouco eficientes. A Revolução Verde dos anos 60 teve o benefício de quase triplicar a produção global de grãos, o que é sempre uma boa notícia, pois precisamos, sim, eliminar a fome. Porém ela trouxe custos ambientais sérios que não podem ser ignorados. Pelo contrário: graças a investimentos públicos e privados, hoje o mundo dispõe de uma pujante rede de pesquisas no setor agrícola. Ora, por que não acioná-la para desenvolver melhores soluções para o uso da água?
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