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Pelo fim da apologia à violência como forma de promoção

Uma produtora chamada Guela Cine Produções colocou um site polêmico no ar com o intuito de se promover, o Domus Mortem, ou casa da morte, em latim. Ele apresentava um vídeo de um gato em uma gaiola e convidada os visitantes a decidir o destino do animal: viver ou ser morto. Após denúncia de Agência de Notícias de Direitos Animais, a polícia de São Paulo, a pedido do Ministério Público, abriu inquérito policial nº 287/11 na 1ª Delegacia do Meio Ambiente de SP para apurar a apologia à violência contra animais. Só que de nada adiantou: a imagem do gato foi substituída por a de uma mulher! E a apologia à violência continua.


Girl Power

Eu sei bem do que a Eve Ensler está falando: eu sou uma criatura emocional. No entanto, fui "domesticada", gradualmente colocando minha parte racional acima dos meus instintos, sentimentos e sensações. E hoje esses dois lados convivem paralelos, raramente se falando - e me desafiando diariamente a construir pontes, fazer traduções e promover reconciliações, muitas reconciliações É por isso que recomendo esta palestra do TED: ela fala de questões sociais, sim, mas também fala ao coração. Relembrando-nos do da força impressionante de ser uma menina. Girl Power!

Mais uma pesquisa mostra quão chocantes são os números da violência contra a mulher no Brasil

Segundo o Anuário das Mulheres Brasileiras 2011, da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo federal e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese), 43,1% das mulheres já foram vítimas de violência em sua própria residência. Por isso, vale a pena assistir esta entrevista da juíza Maria Domitila Prado Manssur Domingos ao Jornal da Gazeta (SP), na qual ela informa como uma mulher deve proceder nesses casos, além de comentar os números da violência no Brasil e o que o Estado está fazendo a respeito:




Um retrato da violência contra a mulher em todo o mundo

Os dados a seguir foram coletados pela ONU e mostram como a violência contra a mulher é uma verdadeira epidemia. Ela assume muitas formas – física, sexual, psicológica e econômica - que se interrelacionam e prejudicam as mulheres desde antes do nascimento até a velhice. Ela está na origem de problemas de saúde, dificuldade de participação na vida púbica, empobrecimento das famílias, queda na qualidade do relacionamento familiar e o cuidado com filhos. Não custa lembrar que a violência contra a mulher reforça outros tipos de violência predominantes na sociedade.

Infelizmente a violência contra as mulheres não está confinada a uma cultura, uma região ou um país específicos, nem a grupos de mulheres em particular dentro de uma sociedade. As raízes da violência contra as mulheres decorrem da discriminação persistente contra as mulheres e que fazem com que cerca de 70% das mulheres sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida. Hoje mulheres entre 15 e 44 anos correm mais risco de sofrer estupro e violência doméstica do que de câncer, acidentes de carro, guerra e malária, de acordo com dados do Banco Mundial.

Números da violência contra a mulher no Brasil

Saiu o retrato mais atualizado da situação da violência contra a mulher no Brasil. E ele continua mostrando vários hematomas. Produzida pela Ipsos para o Instituto Avon, a pesquisa traz dados estarrecedores para uma nação governada por uma mulher, que já conseguiu colocar a maioria de suas crianças na escola, cuja quase totalidade dos lares tem televisão e onde quase metade das mulheres está no mercado de trabalho. Por trás dessa aparente modernidade de uma sociedade que hoje é prevalentemente urbana, permanecem hábitos medievais, como a agressão física: mais da metade – para ser mais exata, seis em cada 10 brasileiros – conhece alguma mulher que foi vítima de violência doméstica. As razões apresentadas pelos homens beiram aquilo que os juristas qualificam como “motivo fútil”: ciúme, no topo da lista, com 38% das justificativas apresentadas pelos homens; em seguida vem bebida e alcoolismo (33%), traição (21%), “fui provocado” (19%), problemas econômicos (18%) – e até um desconcertante “não tive motivo” com 12% de menções. No cômputo geral, 46% atribuem a violência contra a mulher a fatores culturais. Ou, se preferir: machismo.

#women2drive : ação começa em 17 de junho

As mulheres da Arábia Saudita estão organizando, pelas redes sociais, uma ação de desobediência civil começando em 17 de junho.  A partir dessa data, elas dirigirão carros na rua, desafiando a lei  não escrita que as proíbe de se locomover livremente - e que já levou alguma mulheres para a prisão nas últimas semanas. Então fique de olho e, se puder, mostre seu apoio tuitando #women2drive e curtindo a comunidade homônima no Facebook!


Links de interesse:




Mulheres líbias estupradas agora podem ser mortas "pela honra"

Eu sei que já saiu em tudo que foi lugar e eu estou sendo repetitiva aqui, mas não tem como ficar calada ou de deixar de repercutir esta atrocidade: depois de estupradas pelos soldados líbios e também pelos combatentes rebeldes, as vítimas  - mulheres e também meninas – agora correm o risco de serem assassinadas para “preservar a honra” de suas famílias!  Nessas horas, a primeira pergunta que me vem à mente é: Século XXI, quando você finalmente vai chegar?

Onde uma mulher não deveria nascer

Pesquisa feita pela Thomson Reuters Foundation para o site TrustLaw Women, destinado a prestar assessoria jurídica gratuita para grupos de mulheres ao redor do mundo, mostra quais os países nos quais uma mulher deveria evitar nascer. O Top Five da violência contra a mulher é composto por Afeganistão, República Democrática do Congo (RDC), Paquistão, Índia e Somália. No caso do Afeganistão, esse pódio infame resulta da soma de fatores como péssimo atendimento médico às mulheres, violência e condições brutais de pobreza. A vice-liderança do Congo deve-se à prática corrente de estupro como arma de guerra. Crimes de honra e ataques às mulheres com ácido explicam a presença do Paquistão nesta lista, enquanto a vizinha Índia notabiliza-se pelo tráfico de mulheres e escravidão sexual. Já na Somália... bem se você engravidar lá, terá 50% de sobreviver à gravidez e ao parto.

Na Arábia Saudita, mulheres são presas por dirigir

Sim, precisamos aprender a respeitar diferenças e conviver com outras culturas. Mas quando você lê que o simples ato de dirigir um carro é negado às mulheres, sorry, não tem relativismo cultural que resolva: trata-se de puro e simples machismo que deve ser publica e amplamente condenado.  O lado bom da história é que isso  já está acontecendo - e lá dentro da própria Arábia Saudita.  Mas como ocorreu nas eleições do Irã, o apoio internacional é indispensável para que o governo flexibilize sua posição. E, mais uma vez, as mídias sociais dão uma mão: há vários lugares na internet onde você pode demonstrar seu apoio.

Violência sexual no jornalismo

Não importa o país, o nível escolar ou a profissão: em maior ou menor grau, o medo e a vergonha sempre ocultam os números reais da violência sexual contra as mulheres. No caso do jornalismo, o receio é ser preterida em coberturas de guerra ou revoltas populares – notícias que sempre rendem boas matérias e que podem alavancar uma carreira. Que o diga Christiane Amampour, cuja trajetória profissional decolou após a cobertura da guerra Irã-Iraque! Há, ainda, o receio de ser vista como a culpada pela violência – não sei quanto a você, mas eu ouvi de algumas pessoas que a Lara Logan, a linda loira da CBS que foi atacada durante as manifestações no Cairo no começo de 2011, estava no lugar errado com a roupa errada...

Vergonha: estupro ainda é usado como arma de guerra

Você sabia que Gengis Khan deixou descendentes do Oceano Pacífico ao Mar Cáspio? Isso foi possível porque historicamente o estupro sempre foi uma arma de guerra usada como meio para: 1) extinguir uma raça; 2) comprovar o domínio de uma raça sobre outra. Pois essa prática bárbara subsiste até hoje: depois das chocantes denúncias feitas na época da Guerra da Bósnia por entidades como a Anistia Internacional, agora é a vez da Líbia de Muamar Kadafi protagonizar a barbárie. Desta vez, o apoio oficial do governo, denunciado pela ONU, inclui o fornecimento de Viagra aos soldados para assegurar que eles cumprirão a nefasta missão.

Crueldade com animais X violência doméstica contra mulheres: uma conexão real

Penso, escrevo e falo sobre muitas coisas, mas dois temas me são mais caros: a violência contra as mulheres e os maus tratos dos animais. Identifico, nas duas situações, crueldade e covardia. Ou, se preferir: injustiça. Mas nunca pensei que houvesse uma conexão direta entre estes dois mundos. Mas é exatamente essa a conclusão de pesquisa inédita realizada no Brasil e desenvolvida em Pernambuco por Maria José Sales Padilha, Presidente da AADAMA – Associação Amigos Defensores dos Animais e do Meio Ambiente. Seu objetivo era examinar a conexão entre a crueldade praticada contra animais e a violência doméstica contra mulheres. Sua conclusão: existe tal conexão. Ou seja, quem maltrata animais, tem maior propensão a agredir outros seres humanos. 


A Marcha das Vagabundas

O que leva pessoas de lugares tão diferentes como São Paulo e Belo Horizonte, no Brasil, Chicago e Los Angeles, nos EUA, Edmonton, no Canadá, Estocolmo, na Suécia, Amsterdã, na Holanda, e Edimburgo, na Escócia, a saírem em passeata nas ruas? Respeito: essa é a bandeira da Slut Walk, ou Marcha das Vagabundas, evento que está mobilizando mulheres do lado de cima e do lado de baixo da linha do Equador.

O erro de cálculo da Uniban

A chapa esquentou para o lado da Uniban. Pudera! Mostrando uma total falta de sintonia com o espírito do tempo, eles resolveram usar o malhado recurso de imolar a mulher no altar sagrado dos bons costumes para encerrar o triste episódio da barbárie no campus.

Pergunto-me o que os levou a tomar uma decisão tão absurda. Será que contavam com a solidariedade do conservadorismo e do machismo de nossa sociedade? Pois é, descobriram da maneira mais dura que esse machismo e esse conservadorismo existem, sim, mas não mais no centro do poder. Não mais entre os chamados "formadores de opinião".

Trata-se de mais um passo dentro de uma longa caminhada, que teve na extinção dos chamados "crimes de honra" seu episódio mais marcante. Sim, se você tem menos de 30 anos talvez não saiba, mas antigamente a Constituição assegurava ao homem o "direito" de matar sua mulher caso ela comprovadamente tenha "atentado contra sua honra"! Sim, você leu direito: houve um tempo, não muito distante, quando o Estado dava autorização a seus cidadãos para cometerem assassinatos dentro de casa. Não por acaso, luta-se até hoje contra a violência doméstica, herdeira direta dessa lei hedionda: estatísticas indicam que a cada 15 minutos uma mulher é agredida no Brasil, sendo que em mais da metade dos casos o agressor é alguém da família (marido, irmão, filho, pai).
Condenar a mulher é algo tão corriqueiro que desde ontem a maioria dos comentários que ouvi foi que a Uniban "devia saber de algo" que não revelou para a sociedade, para ter tomado a decisão que tomou. A moça "deve ter feito algo" que não sabemos. A culpabilidade da mulher está tão introjetada (em boa parte, graças ao mito judaico-cristão de Adão e Eva) que mesmo diante das evidências de uma total arbitrariedade os olhos recusam-se a enxergar, a mente duvida e o coração não acredita.

Mas assim como o ataque dos bárbaros ocorreu em um campus de periferia, também tais comentários não aparecem no centro dos debates. São frases de ambientes e situações informais, ditos com o cuidado de não fechar posição. Porque felizmente pega mal hoje em dia ser preconceituoso e machista. Neste ponto, devemos muito ao movimento gay e suas passeatas, que disseminaram a noção de respeito à diversidade de forma alegre, gostosa e fácil de compreender. Mas isso a Uniban não compreendeu.

Assim como a barbárie que deu origem à crise ocorreu em um campus de periferia, da mesma forma o machismo e o preconceito que justificam a ação encontram-se na periferia da opinião pública. Nos rincões e Requiões da vida. Cada vez mais distantes e isolados. Cada dia mais, uma lembrança (desagradável) do passado.
Que assim seja!

O melhor artigo que li até agora sobre a barbárie da Uniban

Artigo de Débora Diniz, antropóloga, professora da UnB e pesquisadora da Anis - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, publicado no suplemento Aliás do jornal O Estado de S. Paulo neste domingo, 01/11/09. Grifos meus.

O urro ancestral da faculdade injuriada

Universitários que encurralaram a colega de vestido curto não eram delirantes: eram agressores mesmo

Vídeos veiculados pelo YouTube mostram a estudante de Turismo Geisy Arruda, da Uniban, em São Bernardo do Campo, sendo xingada e acuada por outros alunos por causa do comprimento do vestido. Ela teve de ser escoltada para fora do prédio por policiais.O caso não caberia nem em um folhetim vulgar, não fosse o YouTube denunciando a verdade. A "puta da faculdade" é uma história bizarra: uma mulher de 20 anos é vítima de humilhações. A razão foi um vestido rosa e curto que a fazia se sentir bonita. Sem ninguém saber muito bem como o delírio coletivo teve início, dezenas de pessoas passaram em coro a gritar "puta" e ameaçá-la de estupro. A saída foi esconder-se em uma sala, sob os urros de uma multidão enfurecida pela falta de decoro do vestido rosa. Além da escolta policial, um jaleco branco a protegeu da fúria agressiva dos colegas que não suportavam vê-la em traje tão provocante.

Colegas de faculdade, professores e policiais foram ouvidos sobre o caso. O fascínio compartilhado era o vestido rosa. Curto, insinuante, transparente foram alguns dos adjetivos utilizados pelos mais novos censores do vestuário da sociedade brasileira. "A roupa não era adequada para um ambiente escolar", foi a principal expressão da indignação moral causada pelo vestido rosa. Rapidamente um código de etiqueta sobre roupas e relações sociais dominou a análise sociológica sobre o incidente. Não se descreveu a histeria como um ato de violência, mas como uma reação causada pela surpresa do vestido naquele ambiente.

O que torna a história única é o absurdo dos fatos. Um vestido rosa curto desencadeia o delírio coletivo. E o delírio ocorreu nada menos do que em uma faculdade, o templo da razão e da sabedoria. Os delirantes não eram loucos internados em um manicômio à espera da medicação ou marujos recém-atracados em um cais após meses em alto-mar. Eram colegas de faculdade inconformados com um corpo insinuante coberto por um vestido rosa. Mas chamá-los de delirantes é encobrir a verdade. Não há loucura nesse caso, mas práticas violentas e intencionais. Esses jovens homens e mulheres são agressores. Eles não agrediram o vestido rosa, mas a mulher que o usava para ir à faculdade.

Não há justificativa moral possível para esse incidente. Ele é um caso claro de violência contra a mulher. Ao contrário do que os censores do vestuário possam alegar, não há nada de errado em usar um vestido rosa curto para ir às aulas de uma faculdade noturna. As mulheres são livres para escolher suas roupas, exibirem sua sensualidade e beleza. A adequação entre roupas e espaços é uma regra subjetiva de julgamento estético que denuncia classes e pertencimentos sociais. Não é um preceito ético sobre comportamentos ou práticas. Mas inverter a lógica da violência é a estratégia mais comum aos enredos da violência de gênero.

A multidão enfurecida não se descreve como algoz. Foi a jovem mulher insinuante quem teria provocado a reação da multidão. Nesse raciocínio enviesado, a multidão teria sido vítima da impertinência do vestido rosa. As imagens são grotescas: de um lado, uma mulher acuada foge da multidão que a persegue, e de outro, do lado de quem filma, dezenas de celulares registram a cena com a excitação de quem assiste a um espetáculo. Ninguém reage ao absurdo da perseguição ao vestido rosa. O fascínio pelo espetáculo aliena a todos que se escondem por trás das câmaras. Quem sabe a lente do celular os fez crer que não eram sujeitos ativos da violência, mas meros espectadores.

Pode causar ainda mais espanto o fato de que a multidão não tinha sexo. Homens e mulheres perseguiam o vestido rosa com fúria semelhante. Há mesmo quem conte que a confusão foi provocada por uma estudante. Mas isso não significa que a violência seja moralmente neutra quanto à desigualdade de gênero. É uma lógica machista a que alimenta sentimentos de indignação e ultraje por um vestido curto em uma mulher. A sociologia do vestuário é um recurso retórico para encobrir a real causa da violência - a opressão do corpo feminino. Não é o vestido rosa que incomoda a multidão, mas o vestido rosa em um corpo de mulher que não se submete ao puritanismo.

Não há nada que justifique o uso da violência para disciplinar as mulheres. Nem mesmo a situação hipotética de uma mulher sem roupas justificaria o caso. Mas parece que uma mulher em um vestido insinuante provoca mais fúria e indignação que a nudez. O vestido rosa seria o sinal da imoralidade feminina, ao passo que a nudez denunciaria a loucura. A verdade é que não há nem imoralidade, nem loucura. Há simplesmente uma sociedade desigual e que acredita disciplinar os corpos femininos pela violência. Nem que seja pela humilhação e pela vergonha de um vestido rosa.

Até quando?

Algumas notícias dos últimos dias:

1) Legislação no Brasil muda e agora acusados de estupro só serão processados se houver denúncia da vítima. Fico me perguntando como fica nos casos em que a vítima morre...

2) Sarkozy e várias outras personalidades se constrangem porque o “coitado” do Roman Polanski foi preso por um crime ocorrido há 30 anos. Na rádio Jovem Pan, aqui em São Paulo, a notícia inclusive foi dada dessa forma, fazendo menção apenas à época do crime. O fato de que tenha sido a prática de sexo com uma menor em alguns casos sequer é levada em conta.

Não tem jeito. Quando o assunto é sexo, o calendário não interessa: em 2009 a sociedade age segundo os mesmos parâmetros de 1009 e coloca a mulher em situação de inferioridade, submissão e culpa. Sim, culpa. Afinal, se o coitado do homem se excedeu em seus impulsos, certamente a vigarista facilitou. Seduziu. Tentou o infeliz como um capeta tenta sua vítima. E eis que jornalísticamente e juridicamente o réu torna-se vítima e vice-versa! Passamos por cima até de convenções mundiais, como as que foram assinadas sob a égide da Unicef, condenando a prática de sexo com menores. Esquecemos que se a menor está praticando sexo, bem, pode ser que não seja por opção mas justamente por falta de opção.

Vejo diariamente as notícias sobre a violência ao redor do mundo. A Faixa de Gaza, por exemplo, rende manchete dia sim, dia não. Mas o uso da violência sexual em conflitos eu só acho no site de notícias da ONU. Os dados sobre violência contra a mulher no Brasil só rendem notícia quando tem pesquisa nova, como ocorreu semana passada, quando saiu estudo mostrando como as adolescentes estão sendo acuadas (e espancadas) por seus namorados (igualmente adolescentes). E esta semana, em uma aula na Unicamp, uma das alunas apresentou uma pesquisa chocante sobre saúde da mulher: a morte no momento de parto ainda é uma das principais causas de óbito para o sexo feminino.

Isso para não falar na castração feminina: em nome de uma suposta tolerância da diversidade que ignora princípios básicos dos direitos humanos, permite-se que milhões de mulheres sejam literalmente mutiladas todos os anos em sua intimidade, eliminando qualquer possibilidade de prazer no sexo! Queria saber se em nome do respeito às “tradições religiosas” alguém permitiria sacrifícios humanos, uma prática que, não custa lembrar, foi corriqueira durante milhares e milhares de anos! Nem por isso é aceita!

Até quando a morte de uma mulher na hora do parto vai ser vista como algo que “faz parte da vida”?

Até quando a violência contra a mulher será tolerada?

Até quando o sexo forçado será visto como um direito do homem?

Até quando a sexualidade feminina será demonizada?

Até quando?

Bill Clinton: investir na mulher é o melhor caminho para combater a pobreza

Aconteceu durante o quinto encontro anual da Clinton Global Initiative, promovido pela ONG dirigida pelo ex-presidente norte-americano que ficou famoso por suas investidas sexuais fora do casamento. Não sei se para se redimir ou por realmente só pensar em mulher, mas a verdade é que a seção de abertura do evento foi dedicada às mulheres. Para ser mais específica, para mostrar como o investimento na mulher é o caminho mais eficiente para se erradicar a pobreza.

Segundo relatos que peguei na internet, a realização ficou aquém da intenção. Mas com certeza já valeu para colocar o assunto na pauta do dia. Porque em pleno século XXI, a discriminação da mulher ainda é real. Para você ter idéia da situação, Clinton disse que atualmente as mulheres são responsáveis por 66% de todo o trabalho do mundo, produzem 50% dos alimentos do planeta, porém só respondem por 10% da renda mundial e por 1% das propriedades no planeta. Mais da metade (57%) da população contaminada pelo vírus HIV na África subsaariana é de mulheres; entre os jovens, esse índice sobe para 75%. Não sei se você sabe, mas naquela região acredita-se que transar com uma virgem “limpa” o homem da doença, crença que está na raiz dos vergonhosos números de estupros e contaminação na região. Outros palestrantes complementaram: apenas 1% das verbas destinadas aos países em desenvolvimento é direcionada para programas que beneficiam mulheres.

E não pense que isso é coisa que só acontece na África! Aqui no Brasil, as estatísticas indicam que a cada 15 minutos uma mulher é espancada. Os dados sobre desigualdade de salários estão no site do IBGE. E basta uma viagem para o interior do país para perceber que ainda somos uma nação muito, muito machista.

Diante desses números, os palestrantes do evento (entre eles, Edna Adan, diretora de um hospital na Somália e que foi a primeira mulher a dirigir um carro naquele país) explicaram que a educação é o fator mais importante para o empoderamento da mulher. Não só por favorecer a entrada no mercado de trabalho, mas principalmente porque leva a mulher a querer (e a ter) controle sobre sua fertilidade. A partir do momento em que começa a ter menos filhos, ela interrompe o processo de multiplicação da pobreza – e uma das principais causas de mortalidade entre mulheres no mundo subdesenvolvido. Também ganha condições de lutar por trabalhos mais dignos e melhor remunerados, beneficiando sua comunidade: pesquisas mostram que as mulheres reinvestem 90% de seus ganhos no bem estar de sua família, contra 35% dos homens. Melhor acesso à educação está por trás de uma queda de 43% nos índices de má nutrição registrados entre 1970 e 1995.

E um dado curioso: os telefones celulares contribuem nesse processo, pois o hábito de usar mensagens de texto eleva o nível de alfabetização.

ONU lança campanha de empoderamento da mulher para o Dia Mundial da População

Hoje é Dia da Pizza. Amanhã, é o Dia Mundial da População, criado pela ONU como marco para refletirmos sobre o tema. A cada ano, a data é usada para promover o lançamento de uma campanha sobre algum aspecto crítico para a questão populacional. Este ano, o foco é o investimento em mulheres e meninas - um assunto que não podemos deixar acabar em pizza. Afinal, independente do país ou do nível social, ainda somos discriminadas por gênero. Essa é a explicação para o fato de que mulheres e crianças constituem a maioria dos pobres no mundo. E isso independente da atual crise financeira – que deve piorar ainda mais a situação. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, enquanto o desemprego entre homens deve ficar entre 6,1% e 7,0%, no caso das mulheres esses percentuais sobem para 6,5% a 7,4% - sendo que, como a própria entidade ressalta, vários “empregos” destinados a mulheres não oferecem condições de segurança ou sequer remuneração. O empobrecimento da mulher leva a maiores riscos de saúde, especialmente se estão grávidas, ampliando o risco social e os posteriores custos de inclusão.

No entanto, o investimento em mulheres e crianças é um dos que oferece maior retorno para a sociedade, segundo o Fundo das Nações Unidas para População (UNFPA): são elas que mais investem em educação, saúde e cuidado com crianças com a receita que recebem de seu trabalho. Além disso, têm participação extremamente relevante na economia de alguns países: elas já são mais da metade da força de trabalho da agricultura mundial, por exemplo. Na África, são responsáveis por 80% das colheitas. Na Ásia, por 90% do cultivo de arroz.

Promover políticas de controle de natalidade e assegurar o direito à educação são investimentos que geram retorno quatro vezes maiores aos países, na forma de economia nos gastos com saúde e serviços sociais. No longo prazo, o retorno pode ser oito vezes maior, segundo a UNFPA. O filme abaixo exemplifica bem esse raciocínio.




Aliás, ontem, assistindo Caminho das índias, vi uma cena na qual uma das personagens do núcleo indiano recusava-se a casar, pois queria ser independente. Espero que pelo menos na ficção ela tenha um final feliz de verdade, ou seja, ser livre para fazer o que quer. O patético happy end tradicional das novelas, que nada mais é que a reprodução de um modelo forjado nos romances de cavalaria da Idade Média, apenas contribui para reforçar papéis sociais desiguais.

Veja abaixo outros filmes da campanha da UNFPA:


Mais textos sobre direitos da mulher: veja o marcador "Direitos Humanos", do lado esquerdo deste blog.

Violência dentro de casa: a solução começa dentro de casa

A questão da igualdade da mulher ainda está em aberto. Tanto que somos consideradas "minoria" nos censos, mesmo quando nossa participação no total da população ultrapassa os 50%.

Em relatórios de sustentabilidade, as empresas têm que declarar quantas mulheres integram o quadro funcional, quantas estão em cargos de liderança (que é onde começa a se evidenciar a discriminação) e qual a média de salários das mulheres versus homens.

Porque, infelizmente, a prática é que as mulheres ganhem menos.

E ganham menos justamente por conta dessa percepção de que valem menos que o homem.

E por não terem o mesmo respeito que um homem tem, são mais vítimas: da violência nas ruas, de assaltos em congestionamentos e também da violência dentro de casa - a qual se assenta na milenar porém equivocada percepção da mulher como propriedade do homem.

Resultado: a cada 15 minutos uma mulher é espancada dentro de casa aqui no Brasil.

Trata-se de um problema social seríssimo, que merece toda a atenção da sociedade. Mas cuja solução pode começar agora, dentro de nossas casas: confira no vídeo abaixo, do Instituto Avon, o peso que a educação e o exemplo dos pais têm na formação dos valores e da percepção dos papéis sociais de homens e mulheres - e como eles estão diretamente ligados à discriminação e à violência contra a mulher.




Mas se não for possível resolver a questão só dentro de casa, lembre: disque 180 e denuncie.

A beleza como violência contra a mulher

Quando o assunto é violência contra a mulher, o nível fisico é apenas a face mais visível.

Padrões irreais de beleza também são uma forma de violência contra a mulher.

Confira no vídeo abaixo.



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