
Falando de oportunidades de negócios em uma economia de baixo carbono, Gore lançou a idéia de incluir, nos acordos que serão firmados em Copenhagen no final deste ano, a carbonização do solo. Segundo ele, técnicas milenares, como as utilizadas por alguns povos da Amazônia para produzir a chamada “terra preta” (queimando e enterrando material orgânico) podem seqüestrar carbono e deixar o solo ainda mais produtivo. Ele também destacou o potencial da indústria automotiva brasileira, com base no carro flex, e elogiou o programa brasileiro de produção de etanol – que, segundo ele, foi incluído em seu mais novo livro, Our Choice, a ser lançado dentro de três semanas (e convenientemente antes da CoP15). Também destacou o agribusiness nacional, que conseguiu um aumento de produtividade quatro vezes maior que o registrado no restante do mundo entre 1970 e os dias de hoje.
Demonstrando otimismo em relação à CoP15 – um otimismo pragmático, diga-se de passagem, com base no “mais vale um acordo que acordo nenhum” – Gore fez o mea culpa sobre a lentidão dos EUA no trato das questões climáticas. Ele explicou sobre as pressões do eleitor, preocupado com seu emprego (ainda mais em tempos de crise econômica) no meio do debate sobre meio ambiente. Um medo fundamentado no fato de que os EUA já perderam milhões de postos de trabalho para países menos rigorosos com direitos trabalhistas e legislação ambiental. Por isso, ele reforçou mais uma vez que acredita, sim, no conceito de responsabilidade comum, porém diferenciada, desde que cada um assuma a sua parte. Ao responder sobre a lei em tramitação no Congresso Americano, que propõe uma redução de apenas 4,5% nas emissões de CO2 naquele país até 2020 em relação aos níveis de 1990, Gore disse que o importante é colocar um preço no carbono - isso precipitará o restante do processo de redução e controle.
Assim como em Uma Verdade Inconveniente, Gore credita à falta de vontade política o pouco avanço nas questões ambientais. Porém vontade política, como ele mesmo gosta de repetir, é um recurso renovável.
Do que gostei
Quando ele falou na mudança de mentalidade da nossa época, que favorece um foco excessivo no curto prazo. Ele comentou que pesquisas com executivos americanos mostraram que eles não conseguem aprovar investimentos benéficos no futuro que exijam sacrifícios, mesmo que pequenos, no presente. Rever a noção de tempo – e, por consequência, de expectativa – é fundamental para avançarmos em direção a pensamentos e práticas mais sustentáveis.
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