Quem tem filhos sabe bem como é comprar algo hoje que você já sabe que terá que trocar amanhã, antes mesmo que o produto tenha sido devidamente usado - uma regra que se aplica do sapato e roupas até os móveis! Embora opções de consumo sustentável estejam gradualmente se espalhando - entre as quais, o escambo, o consumo colaborativo e a boa e velha doação do que já não nos serve mais - o paradigma prevalente é o da compra de produtos novos. E ele tende a ampliar-se, com a ascenção da classe C. Ou seja, para evitar desperdício, o negócio é ser criativo - literalmente falando! E foi com criatividade que o designer francês Guillaume Bouvet criou esta escrivaninha que vai crescendo junto com a criança, sendo ergonomicamente apropriada até para adultos.
AZ desk concept from guillaume bouvet on Vimeo.
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Quem disse que desenvolver um produto sustentável é complicado?
Como deixar uma lata de Coca-Cola mais sustentável? Tirando a tinta! Isso porque o processo de impressão gasta energia, além de poluir o ar e a água. Como a lata de alumínio é reciclável, a ausência de tinta ambém facilitaria o processo, já que dispensaria a separaçao da tinta tóxica do alumínio. Simples, não? E sem comprometer a beleza e a elegância do produto! Idéia do designer Harc Lee, que deveria ser rapidamente adotada pelo fabricante!
A sustentabilidade no alvo da moda
Amanhã, dia 24, a jornalista de moda Lilian Pacce lança o livro “Ecobags - Moda e meio ambiente” na Livraria da Vila do shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Trata-se de um exemplo perfeito de como o mundo da moda em geral trata a questão da sustentabilidade. O livro de Lilian reúne 120 bolsas ecologicamente corretas criadas por estilistas e marcas brasileiras como Alexandre Herchcovith, Ash, Blue Man, Carlos Miele, Huis Clos, Juliana Jabour, Mario Queiroz, Neon e Rosa Chá. Na divulgação da obra, encontrei declarações da autora do seguinte quilate: “Não é algo passageiro, é um tsunami. E quem não entrar vai se dar mal. É uma questão contemporânea. A moda sustentável tem de se transformar em um novo luxo”.Concordo em gênero, número e grau com a afirmação. Agora, dizer que ecobag é sustentabilidade dentro do mundo da moda é o “ó”, né gente? Elas são sustentabilidade para o varejo, que usa sacolas de plástico. Para o mercado da moda, sustentabilidade é dar um fim às sweat houses (as oficinas de costura que empregam pessoas em condições desumanas). É desenvolver processos de lavagem e tingimento de tecidos que demandem menos água e gerem menos resíduos tóxicos. É, acima de tudo, rever o próprio conceito de moda, hoje praticamente um sinônimo de produto descartável.
Mas essa confusão sobre o que é sustentabilidade não é exclusiva do mundo da moda. O mundo empresarial está cheio de empresas que acham que doar para uma creche é sustentabilidade. Que passam a usar papel reciclado e já se sentem sustentáveis. Na verdade, todo o setor produtivo encontra-se em fase de transição para a sustentabilidade – alguns com mais consistência, outros com menos.
Pesquisando sobre o tema descobri um case bem legal: o da Osklem: a grife de Oskar Metsavath criou o Instituto-e, que se baseia em cinco pilares: origem da matéria-prima, impacto do processo produtivo, relações trabalhistas e/ou com a comunidade, design e atributos comerciais. Ou seja, uma abordagem muito mais completa, que olha para a moda enquanto indústria dentro de uma cadeia econômica – e não como uma mera fonte de peças “com atitude”. O Instituto já fez o mapeamento de matérias-primas, orientando o desenvolvimento de coleções apresentadas na SPFW, por exemplo. Atualmente, a Osklen produz t-shirts de poliéster extraído de garrafas pet recicladas, além de tênis feitos de couro de peixe e bolsas e acessórios ecologicamente corretos.Também apoiou o redesenho da sandália Ipanema, da Grendene – um exemplo das sinergias entre o instituto e outras empresas. Além de criar um produto feito com material reciclado e 0% de resíduo na produção, Oskar sugeriu que parte da verba arrecadada com a venda das sandálias fosse destinada ao bairro carioca cujo nome ela carrega. A idéia, aprovada, tem permitido a revitalização do Parque Garota de Ipanema.
Os esforços de algumas poucas empresas esbarram em condições de mercado nada favoráveis. Contrariando as palavras de Lilian Pacce, não há uma tsunami de matérias-primas disponíveis: a questão da escala ainda impede a adoção de produtos ambientalmente menos agressivos. Tampouco há qualquer incentivo do governo para a produção de tais materiais. O resultado é que muitas vezes sustentabilidade, na moda, se restringe a uma estratégia de marketing que utiliza os próprios produtos como canais de comunicação: quem já não viu peças com mensagens sustentáveis?
A troca do significado por seu significante poderia muito bem ser classificada de greewashing, não fosse por um detalhe: moda faz cabeça. Dissemina valores e atitudes. Que bom, portanto, que o mundinho adotou a “causa”!
Como reciclar CDs
“Estou com vários CDs que de nada servem, pois não são regraváveis e o conteúdo deles está obsoleto. Quero jogá-los fora mas não sei como proceder. Tem alguma idéia?” Carin Duarte.A primeira pergunta é: o CD exige um descarte diferenciado? Ou ele pode ir para o lixo comum?
Uma análise dos elementos que compõem um CD mostra que ele não possui nenhuma substância tóxica (ufa!), mas sim de materiais que demoram até 450 anos para se decompor. Ou seja, o principal problema do descarte incorreto do CD é o volume que se acumulará na natureza.
Esse volume é composto basicamente por uma base plástica de policarbonato coberta por uma camada reflexiva feita de liga metálica de ouro, prata ou alumínio, além de uma camada de gravação, de laqueamento e uma superfície de proteção.
O processo de reciclagem inclui a desmagnetização, o desmonte dos discos e a reciclagem do plástico e de outros componentes. Ou seja, é complexo e caro. Para se tornar economicamente viável, ele dependeria ou da força da lei, obrigando a reciclagem, ou de incentivos que tornem esses materiais economicamente competitivos.
Pois é: se você pensou “xi... isso não deve existir aqui no Brasil”, sua resposta está eeeeeeeeexata!!!
A reciclagem de CDs já ocorre em países desenvolvidos, porém mesmo lá apenas em escala industrial. O consumidor... bom, quem se importa com o consumidor, né? Para ele, ficam as fatídicas recomendações de “consumo responsável”: diminua a quantidade de dados desnecessários que são armazenados, reveja a necessidade de comprar CDs com informações disponíveis na internet, não aceite CD’s promocionais...
O consumo responsável é importante, porém ele complementa (e não substitui) a necessidade de processos de reciclagem que permitam o correto descarte do material já existente – e que foi adquirido sem que houvesse qualquer informação ou educação ao consumidor sobre seu impacto no ambiente. A reciclagem artesanal, responsável por peças belíssimas e inusitadas, é uma alternativa complementar, porém de baixo impacto e, evidentemente, insuficiente para resolver o problema.
Enfim, Cárin, enquanto a legislação não vem, tente o site http://www.setorreciclagem.com.br/, onde existem recicladores que aceitam doações de CDs.
Viva Positivamente: analisando um dos filmes da Coca-Cola
Você já deve ter visto na TV o filme abaixo. Ele dura meros 30 segundos e conta que as garrafas da Coca-Cola são transformadas em mochilas, brinquedos e até bolas de futebol depois de usadas. No encerramento, uma frase ambiciosa: “Toda vez que você bebe Coca-Cola, você contribui para melhorar a sua comunidade”.
Várias pessoas que não acreditaram nessa alegação sugeriram que eu escrevesse sobre isso aqui no blog. Mas como todo mundo é inocente, até prova em contrário, eu entrei no site Viva Positivamente, que reúne o programa de Sustentabilidade da Coca-Cola e suas engarrafadoras, e no site institucional da empresa.
Descobri que, assim como a propaganda criticada por meus amigos, o site de sustentabilidade tem muito visual e pouca consistência. Foi no institucional que encontrei informações, e não só alegações, sobre o quê de fato a Coca-Cola está fazendo nessa seara. A abordagem da empresa para redução do descarte de embalagens é multifacetada e envolve:
• A redução de seu peso – este programa levará a uma economia de PET suficiente para fabricar 270 milhões de embalagens de 2 litros/ano, quando totalmente implementado. Só que o texto não informa quando ele estará “totalmente implementado”.
• A reutilização de embalagens – tive que ir ao site americano para descobrir que a reutilização corresponde a 19% do total das embalagens da empresa no mundo. Ou seja, um quinto do problema.
• A reutilização do PET – para isso, a empresa deu apoio para que o projeto Bottle to Bottle, que permite produzir uma embalagem de PET nova a partir da resina PET reciclada, fosse aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Só que isso aconteceu em 2007 e o site não informa se a empresa já está usando PET reciclado em suas embalagens. Encontrei apenas a informação de que o PET reciclado é usado em equipamentos de promoção de vendas, como rack, menu board (display para exposição do cardápio em pontos de venda) e camisetas promocionais. Nada sobre seu uso para fazer as próprias embalagens PET.
• A não pigmentação das embalagens, processo que dificulta a reciclagem, sem uma ação compensatória. O site não explica o que é e como é calculada essa ação compensatória.
• A reciclagem – chegamos ao tema do referido comercial. Descobri que o programa de reciclagem da Coca já foi até reconhecido em prêmios de sustentabilidade. Mas descobri também que tem dimensões muito pequenas para a alegação, feita no comercial, de que “Toda vez que você bebe Coca-Cola, você contribui para melhorar a sua comunidade”. Primeiro, porque ele envolve apenas 37 cooperativas em 24 estados. Ou seja, não está presente em todo o País, mesmo se a ele somarmos a parceria com o Wal-Mart para instalação de estações de coleta de resíduos recicláveis em todas as lojas este ano. Pois embora a empresa declare que o programa, “quando totalmente implementado” (acho que eu já vi isso antes...) beneficiará diretamente 80 cooperativas e 2.500 catadores em todo o Brasil, o Wal-Mart está apenas em 18 estados. Em segundo lugar, foram apenas 4 milhões de quilos reciclados pelo programa em 13 anos de existência, segundo a própria empresa. E esse número contempla tanto as embalagens de alumínio, como as embalagens PET. Como sabemos que as latinhas são muito mais recicladas que o PET, podemos deduzir que o índice de reciclagem do plástico ainda é incipiente, insignificante, ridiculamente pequeno perto da produção da Coca-Cola – e, portanto, não justifica os milhares de reais empregados na produção e veiculação do referido comercial.
Ou seja, a indignação de quem me contou sobre esse comercial se justifica. Mas o lado triste da história é que a empresa está efetivamente fazendo muito mais que sua obrigação. Ou seja, o problema não é o que a Coca faz, mas o que ela diz que faz. O exagero da mensagem publicitária torna pequeno o que ela vem efetivamente fazendo há tanto tempo e com tanta seriedade.
Ao prometer demais, a empresa cria expectativas que não são cumpridas e arranha sua credibilidade.
Em resumo, um anti-case de comunicação para a sustentabilidade.
Várias pessoas que não acreditaram nessa alegação sugeriram que eu escrevesse sobre isso aqui no blog. Mas como todo mundo é inocente, até prova em contrário, eu entrei no site Viva Positivamente, que reúne o programa de Sustentabilidade da Coca-Cola e suas engarrafadoras, e no site institucional da empresa.
Descobri que, assim como a propaganda criticada por meus amigos, o site de sustentabilidade tem muito visual e pouca consistência. Foi no institucional que encontrei informações, e não só alegações, sobre o quê de fato a Coca-Cola está fazendo nessa seara. A abordagem da empresa para redução do descarte de embalagens é multifacetada e envolve:
• A redução de seu peso – este programa levará a uma economia de PET suficiente para fabricar 270 milhões de embalagens de 2 litros/ano, quando totalmente implementado. Só que o texto não informa quando ele estará “totalmente implementado”.
• A reutilização de embalagens – tive que ir ao site americano para descobrir que a reutilização corresponde a 19% do total das embalagens da empresa no mundo. Ou seja, um quinto do problema.
• A reutilização do PET – para isso, a empresa deu apoio para que o projeto Bottle to Bottle, que permite produzir uma embalagem de PET nova a partir da resina PET reciclada, fosse aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Só que isso aconteceu em 2007 e o site não informa se a empresa já está usando PET reciclado em suas embalagens. Encontrei apenas a informação de que o PET reciclado é usado em equipamentos de promoção de vendas, como rack, menu board (display para exposição do cardápio em pontos de venda) e camisetas promocionais. Nada sobre seu uso para fazer as próprias embalagens PET.
• A não pigmentação das embalagens, processo que dificulta a reciclagem, sem uma ação compensatória. O site não explica o que é e como é calculada essa ação compensatória.
• A reciclagem – chegamos ao tema do referido comercial. Descobri que o programa de reciclagem da Coca já foi até reconhecido em prêmios de sustentabilidade. Mas descobri também que tem dimensões muito pequenas para a alegação, feita no comercial, de que “Toda vez que você bebe Coca-Cola, você contribui para melhorar a sua comunidade”. Primeiro, porque ele envolve apenas 37 cooperativas em 24 estados. Ou seja, não está presente em todo o País, mesmo se a ele somarmos a parceria com o Wal-Mart para instalação de estações de coleta de resíduos recicláveis em todas as lojas este ano. Pois embora a empresa declare que o programa, “quando totalmente implementado” (acho que eu já vi isso antes...) beneficiará diretamente 80 cooperativas e 2.500 catadores em todo o Brasil, o Wal-Mart está apenas em 18 estados. Em segundo lugar, foram apenas 4 milhões de quilos reciclados pelo programa em 13 anos de existência, segundo a própria empresa. E esse número contempla tanto as embalagens de alumínio, como as embalagens PET. Como sabemos que as latinhas são muito mais recicladas que o PET, podemos deduzir que o índice de reciclagem do plástico ainda é incipiente, insignificante, ridiculamente pequeno perto da produção da Coca-Cola – e, portanto, não justifica os milhares de reais empregados na produção e veiculação do referido comercial.
Ou seja, a indignação de quem me contou sobre esse comercial se justifica. Mas o lado triste da história é que a empresa está efetivamente fazendo muito mais que sua obrigação. Ou seja, o problema não é o que a Coca faz, mas o que ela diz que faz. O exagero da mensagem publicitária torna pequeno o que ela vem efetivamente fazendo há tanto tempo e com tanta seriedade.
Ao prometer demais, a empresa cria expectativas que não são cumpridas e arranha sua credibilidade.
Em resumo, um anti-case de comunicação para a sustentabilidade.
73 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2015
Relatório da Pike Research diz que o descarte de lixo eletrônico no mundo atingirá seu ápice em 2015, quando o descarte atingirá a incrível marca de 73 milhões de toneladas de computadores e celulares e iphones e ebooks etc. A partir de então, segundo o estudo, essa quantidade declinará graças à regulamentação governamental e à adaptação da indústria.Será?
Bom, estamos falando em um horizonte de seis anos. E vários fabricantes, como Cisco, Dell, HP, Motorola, Nokia, Research In Motion, Sprint Nextel e Vodafone já acordaram para o problema e estão investindo em logística reversa (que é o nome técnico que se dá à prática de recolher os produtos que os consumidores descartam, como acontece aqui no Brasil com as baterias de celulares). Só que, como o próprio estudo admite, essa cadeia ainda é cheia de vulnerabilidades: quem não recebeu por email aquelas imagens de crianças separando lixo eletrônico na China?
Segundo o estudo, o principal desafio é o comportamento do consumidor porque “é muito fácil e relativamente barato simplesmente jogar no lixo” - nas palavras de Clint Wheelock, diretor da Pike Research. Tá. É mesmo. Agora, como consumidor, que alternativas você tem? Já escrevemos sobre isso neste blog: as opções de descarte correto são poucas, mal divulgadas, trabalhosas e geram custos. Nesse contexto, qual a margem de manobra dos consumidores? - lembrando que , no Brasil, a classe C é prevalente, portanto a questão do custo é fundamental.
O estudo admite que a consciência do consumidor está mudando e coloca esse como um dos itens que permitirá a redução do nível de lixo eletrônico a partir de 2016. Mas só consciência não basta: é preciso ter os meios para se fazer algo. E é aqui que entram empresas e governo.
À empresa cabe conversar com a cadeia recicladora e criar um ciclo de vida de produto mais sustentável.
Ao governo, cabe regular. E aqui, prezado(a) leitor(a), há um desafio enorme. Pois não são todos os países que têm legislação sobre lixo eletrônico. Pegue o caso aqui do Brasil: a lei só regula o descarte de pilhas e baterias. Mas um computador, uma televisão e – por que não lembrar? — uma geladeira, um microondas, um radinho de pilha também tem inúmeros componentes perigosos. Por conta disso, muitas multinacionais agem de uma maneira no país onde há lei e de outra, no país onde não há.
Como tampouco existe um padrão global, é grande o risco de termos legislações diferentes de país a país, dificultando a cooperação e o estabelecimento de uma cadeia global de recolhimento, reciclagem e reintrodução dos materiais no ciclo produtivo.
No Brasil e em outras nações em desenvolvimento temos a opção de doá-los. A primeira vista, é uma solução que incorpora um benefício social. Mas o que acontece quando quem recebe a doação precisa jogar fora o produto doado? Pois é: o que aparentemente é socialmente justo é, na verdade, uma simples transferência do problema para a população mais pobre. Em outras palavras, a doação não substitui a montagem de um processo de descarte correto.
Sinceramente, não sei se conseguiremos reverter o crescimento do lixo eletrônico.
Mas eu gostaria muito que fosse possível.
NÃO DEIXE DE VER ESTE VÍDEO!
"A História das Coisas" - talvez você já tenha recebido este vídeo por email. Mas ele é perfeito para esclarecer inúmeros conceitos que embasam a sustentabilidade, como ciclo de vida de produto, externalidades, respeito às pessoas...
Mas a melhor parte é quando a apresentadora fala que na nossa sociedade somos identificados, medidos e valorizados como CONSUMIDORES – e não como homens, mulheres, pais, mães, amigos... A parte que relaciona consumo e auto-estima é fantástica!
Não deixe de ver!
Dica da Cárin Duarte. Obrigada, Cárin!
Mas a melhor parte é quando a apresentadora fala que na nossa sociedade somos identificados, medidos e valorizados como CONSUMIDORES – e não como homens, mulheres, pais, mães, amigos... A parte que relaciona consumo e auto-estima é fantástica!
Não deixe de ver!
Dica da Cárin Duarte. Obrigada, Cárin!
Esgoto urbano é usado como fertilizante agrícola nos EUA
Outro dia eu estava pensando que se houvesse uma análise de ciclo de vida dos produtos agrícolas, a agroindústria teria que integrar o sistema de esgotos à sua cadeia. Me perguntei se isso não seria uma boa, já que o processamento do esgoto poderia gerar fertilizantes, fechando o ciclo com a integração do descarte à produção.Pois não é que isso existe?!?! E mais: tem até feira sobre isso lá nos EUA!!
We are talking business, então esqueça as palavras chulas: o nome técnico da coisa é biossólido. Apenas este ano, 4 milhões de toneladas de biossólidos serão usadas como fertilizante agrícola nos EUA. O produto vem do processamento do esgoto de cidades como Nova York e Los Angeles, segundo a National Association of Clean Water Agencies, um grupo de comércio e tratamento de esgoto.
È um belo negócio: para o governo, pagar para eliminar parte do esgoto, mais do que ter que tratar e dar um destino correto à sua totalidade, é mais fácil e econômico. Para o agricultor, esse subsídio do governo deixa o produto mais barato e contribui para reduzir os custos da produção.
Se você ficou chocado com a possibilidade de comer um alimento fertilizado por coco, não se preocupe: vários americanos compartilham sua opinião e estão fazendo oposição a esta iniciativa.
Os levantamentos disponíveis indicam que nosso coco tem resíduos de produtos farmacêuticos, esteróides, retardantes de chamas (!!), metais, hormônios e patógenos humanos. Ao todo, são mais de 100 toxinas, porém sem qualquer comprovação de risco à saúde humana.
Mas como a diversidade de opiniões sempre traz benefícios para todos, a controvérsia está levando as empresas envolvidas no negócio e o próprio governo dos EUA a promover estudos sobre eventuais riscos à saúde. Porque até o momento a iniciativa se provou segura, economicamente viável e ambientalmente sustentável.
Por isso, tenha mais respeito pelo que sai de dentro de você! Em breve, isso poderá dar dinheiro. E o melhor: contribuindo para um ciclo de produção mais limpo e sustentável.
(*) Foto da Associated Press
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