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Desafios da CoP19


A fria Varsóvia deve receber, no final de 2013, mais uma morna etapa de negociações sobre o aquecimento global. O que podemos e devemos esperar da CoP19?

O Brasil na (e depois da) CoP18

Emb. André Corrêa do Lago em coletiva na CoP18
O Brasil se saiu muito bem na CoP18? Sim, se analisarmos a questão meramente do ponto de vista da diplomacia internacional. 

Cresce a cada ano a relevância de nossa delegação para fazer avançar os pontos mais sensíveis das negociações.Nossos negociadores são amplamente reconhecidos por seu preparo, por sua habilidade e por sua flexibilidade para promover o diálogo entre nações desenvolvidas, notadamente os Estados Unidos, e os países do G77, em particular as nações do BASIC. São também aclamados pela criatividade na proposta de soluções que atendem o emaranhado de premissas e procedimentos da UNFCCC e, ao mesmo tempo, facilitam os trabalhos. Entretanto, do ponto de vista doméstico, continuamos a apostar na aceleração do crescimento a qualquer custo, como se a superação da pobreza pudesse ser feita negligenciando as responsabilidades que o país tem com os seus atributos naturais e com a transição para o desenvolvimento sustentável....

COP18: um retrato do mundo

silvia gaines cop18
Silvia Dias e Morrow Gaines, do Vitae Civilis
Estamos há quase 20 anos tentando alcançar um acordo climático global que permita manter a tendência de aquecimento da temperatura média da Terra abaixo dos dois graus centígrados, minimizando, desta forma, as perspectivas de um cenário catastrófico que perversamente afetará de forma mais intensa as populações mais carentes. À frustrada expectativa de que tal acordo fosse alcançado em Copenhague seguiram-se vários encontros nos quais a grande vitória parecer ser simplesmente manter abertos os canais de negociação, evitando-se, a qualquer custo, vínculos ou obrigações legais de cortar a emissão dos gases causadores do efeito estufa ou de ajudar as nações mais pobres a se adaptarem às mudanças climáticas que já deixaram de ser teoria para se tornarem uma triste e desafiadora realidade.

Código Florestal Brasileiro é notícia nas negociações climáticas

Nada é mais típico de uma negociação climática sob a égide da UNFCCC que o ECO, o boletim diário produzido por uma coalização que representa mais 500 ONGs ambientalistas de todo o mundo.  Distribuído logo pela manhã, ele é leitura obrigatória para todos os negociadores - que, por meio desse informativo, tomam conhecimento da sociedade civil organizada.  Ou seja, se não sabiam, os três mil negociadores de quase 200 países de todo o mundo foram informados hoje que o silêncio do Brasil ao longo das negociações deste ano decorre do processo de aprovação do Código Florestal. Graças à belezura de documento costurado pelos ruralistas, dificilmente nosso país conseguirá cumprir as metas de redução que o ex-presidente Lula levou à CoP15 se ele for aprovado pelo Senado. Ou seja, perdemos a liderança moral que nossos negociadores e o Lula conseguiram construir nos últimos anos, apesar de todas as más notícias que eram publicadas aqui no Brasil.  Agora, todo mundo já sabe: nossos negociadores estão de mãos amarradas.

ECO - June 11 - Final

A esquizofrenia japonesa sobre a energia nuclear

No mesmo dia em que os japoneses foram às ruas em mais de uma centena de cidades em todo o país para exigir o fim do uso da energia nuclear, os delegados nipônicos que participam da rodada preparatória de negociações climáticas, preparando o caminho para a CoP17 no final do ano, fazem exatamente o contrário!  Quem denuncia são mais de 600 grupos ambientalistas e de jovens que atuam como observadores das negociações e que concederam ao país do sol nascente o Fóssil do Dia, tradicional prêmio que é dado aos país que se destacam por travar ou comprometer as negociações para um acordo climático efetivo e eficiente. Ou, no mantra das ONGs: justo, ambicioso e legalmente vinculante.

Temperatura em Bonn = zero grau

Até 17 de junho acontece uma rodada de negociações climáticas de cunho preparatório à CoP17, programada para o final do ano. No fim do quarto dia, os trabalhos começam: agendas se acertam nos vários grupos e as conversas começam para valer. Mas o clima é gelado: zero grau de temperatura. Ou seja, ponto de congelamento. Porque os países não mudaram suas posições desde a CoP16 (em alguns itens, desde a CoP14, eu diria!). Quem está sob a égide do Protocolo de Quioto, ou seja, os países desenvolvidos, quer que ele (ou um novo acordo) inclua as nações em desenvolvimento (isso nos inclui, ok?). Já nós e os demais países em desenvolvimento, não queremos compromissos legais e também não queremos que os países desenvolvidos caiam fora do Protocolo de Quioto. Com a crise financeira mundial, ninguém sabe, ninguém viu o dinheiro. E como se diz lá na terrinha, em casa onde não há pão, todos brigam e ninguém tem razão: há um clima de enfrentamento e desgaste nas negociações. Sabe o que isso significa? Simplesmente que os negociadores estão de mãos amarradas. Porque eles entendem como poucos da importância e do tamanho do problema climático. E se não conseguem avançar além da mesquinharia dos interesses nacionais, é porque lhes falta respaldo político em casa. Isso vale para nós também: se não nos manifestarmos junto ao governo - seja mandando email para jornais, revistas, rádios, TVs ou para o governo, seja nas mídias sociais - a única voz que será ouvida é a dos poderosos lobbies econômicos querendo manter seus interesses particulares. Mas clima não é um tema setorial: é algo que afeta a todos nós. E a prevalência dos lobbies setoriais é imoral! Vamos lutar contra isso usando nossa melhor arma: nossa voz e nossa capacidade de articulação! Vamos nessa?

PL pode colocar Brasil na vanguarda do REDD

REDD é a sigla em inglês para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação. Trata-se de um mecanismo desenvolvido pela ONU que parte de um raciocínio simples: se o desmatamento e degradação de uma floresta geram CO2 na atmosfera e se, de pé, ela contribui para absorver esse gás, um dos caminhos para combater as mudanças climática é a preservação. Por esse motivo, o REDD entrou na pauta das negociações climáticas e, neste momento, está passando pela definição de detalhes como o respeito aos direitos dos povos indígenas que habitam as florestas, os critérios, procedimentos e prazos de medição e avaliação de resultados, além de formas de financiamento. Apesar de ainda não haver uma legislação REDD consolidada no âmbito do acordo climático, já existem inúmeras iniciativas e fundos que financiam iniciativas que se encaixam nessa descrição. Responsável pela maior floresta tropical do planeta, o Brasil é parte interessada e estratégica nessa questão. Não custa lembrar que o desmatamento é responsável por mais de 70% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa. Por isso, não é de se estranhar que já exista um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional a esse respeito.

Clima é um problema comum para a humanidade e não apenas uma questão de lobby

Líder global em investimentos em energia eólica, a China será obrigada a encerrar a política de subsídios que visava turbinar esse setor (perdoe-me pelo trocadilho infame, porém irresistível). O motivo: uma ação movida pelo governo norte americano na Organização Mundial do Comércio (OMC). A base dessa ação foi uma reclamação da United Steelworkers Union, o poderoso sindicato dos trabalhadores da indústria do aço. A notícia foi divulgada na semana de abertura das negociações preparatórias à CoP17 que estão sendo realizadas em Bonn. Nem preciso dizer que caíram como um balde de água fria sobre aqueles que lutam pela adoção de energias renováveis. Nesta briga econômica, a grande vítima foi o meio ambiente. Ponto para as empresas de petróleo e carvão – principal fonte energética da China. E dos EUA.

A relação entre mudanças climáticas e desastres ambientais

Este vídeo da 350.org foi produzido a partir de um artigo de seu fundador Bill McKibben, publicado originalmente no Washington Post.   Abaixo do vídeo está o texto em português: ironica e primorosamente, ele mostra como mudanças climáticas e tragédias ambientais tem relação direta.



Mercado de Carbono encolhe com dúvidas sobre continuidade do Protocolo de Quioto

Um dos mais sérios nós que os negociadores da ONU terão que desatar este ano refere-se à continuidade do Protocolo de Quioto. E como ele regula os chamados Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), todo esse esquema transacional que permite converter em créditos o carbono que você deixa de emitir está em risco.

Bonn 2011: os 3 nós que emperram as negociações climáticas

Sim, são muitos os pontos de divergência entre os três mil delegados dos 183 países que participam da rodada de negociações preparatórias à CoP17, a Conferência das Partes que tenta chegar a um acordo climático de alcance global. Mas três tópicos são mais críticos: a continuidade do Protocolo de Quioto, a diferença entre a promessa e a necessidade de redução das emissões de gases causadores de efeito estufa e, sim, ele: o dinheiro.

Bolívia propõe criação de IOF Climático nas negociações de Bonn

IOF – o famoso Imposto sobre Operações Financeiras que nós brasileiros já conhecemos pode ser estendido para o resto do mundo, se depender da Bolívia. Mediante a cobrança de 0,01% sobre transações internacionais seriam gerados os fundos necessários para subsidiar os fundos climáticos necessários para financiar as ações necessárias para minimizarmos as chances de que a temperatura média do planeta suba acima de níveis aceitáveis – e, infelizmente, para ajudarmos àqueles que já estão sofrendo com as alterações do clima. Essa foi a proposta apresentada em Bonn, onde estão acontecendo negociações preparatórias para a CoP17, que será realizada na África do Sul no final deste ano. E que terá na questão financeira um dos principais desafios a serem superados.

Segundo dia de negociações climáticas: a vez das pequenas ilhas

AOSIS é a sigla em inglês para os pequenos países insulares, ou seja, aquelas nações cujos territórios se limitam a uma ilha. Boa parte deles fica no Pacífico e ocupa terras muito planas: qualquer elevação no nível do mar e eles literalmente afundam. Isso, aliás, já está acontecendo: em maio de 2009 começou a transferência dos habitantes da primeira ilha literalmente invadida pelo mar.

Essa situação dramática dá a nações como Tuvalu, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão e outros 42 países uma força moral muito grande nas negociações: seus depoimentos nas sessões da ONU são reais e chegam a emocionar os demais delegados. Como as negociações climáticas são literalmente um assunto de vida ou morte para esses países, seus representantes são muito bem preparados. Por isso, é deles que vem a boa notícia do segundo dia de negociações: uma proposta concreta para o Protocolo de Quioto.

Até onde vão os lobistas que combatem o acordo climático?

Podia ser no Pará, mas é na Austrália: a Universidade Nacional da Austrália (ANU) de Canberra foi obrigada a reforçar sua segurança e mudar, para acomodações mais seguras, alguns de seus cientistas ligados a pesquisas climáticas. O motivo? Ameaças de morte, feitas por email e telefone.  Entre os ameaçados está o autor de um estudo, divulgado há duas semanas, que aponta para o risco de elevação dos oceanos em mais de um metro ao longo do próximo século.  As ameaças de morte são a parte  mais brutal de uma aguerrida disputa entre os que defendem e os que querem evitar um acordo climático - e que foi acirrada, nas últimas semanas, por um comercial de TV estrelado por Cate Blanchett e que defende a aprovação de uma taxa sobre o carbono.  Pois é, parece que não é só aqui que o debate sobre preservação ambiental e crescimento econômico ganha aspectos de filme policial.

Negociações climáticas: é hora de pressionar

Em dezembro acontece mais uma CoP climática, a CoP17.  Mas, como é praxe nesse processo de negociações, sessões intermediárias ocorrem para que os negociadores possam avançar na definição dos inúmeros pontos que ainda estão em aberto e que impedem os países que integram a ONU de assinar um acordo "justo, vinculante e ambicioso", como prega o mantra das ONGs ambientais.  Uma delas está acontecendo esta semana em Bonn, na Alemanha.  A pouca cobertura de imprensa e as más notícias que marcaram sua abertura sinalizam: nós, da sociedade, precisamos pressionar.  Senão, não vai sair nada.


Calendário das negociações climáticas em 2011

Desmatamento, mortes, Código Florestal, Belo Monte e usinas nucleares

Talvez o primeiro ano do governo Dilma Roussef seja lembrado, no futuro, como um verdadeiro desastre ambiental. Entre março e abril deste ano, o desmatamento na Amazônia subiu para 593 quilômetros quadrados, segundo o INPE-Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Nesses mesmos meses do ano passado, o desmatamento foi de 103,5 quilômetros quadrados na Amazônia – ou seja, houve um salto de quase 500% na comparação com o ano anterior. No caso da Mata Atlântica, apesar da redução no ritmo, houve uma perda de 31.195 hectares entre 2008 e 2010, de acordo com dados também do Inpe.


Foi Bonn enquanto durou

Este final de semana rolou mais uma rodada de negociações de clima promovida pela UNFCCC, aquela entidade da ONU que organiza as CoPs e que coordenou os estudos que falam de aquecimento global. Vc não sabia?? Não estranhe: talvez por causa da tragédia do Rio ou por conta do fiasco de Copenhagen, o encontro teve muito pouca cobertura de imprensa. Ou talvez tenha sido clarevidência dos editores, que anteciparam que um encontro de poucos dias não daria em nada.
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