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O mundo ganha uma nova Alemanha a cada ano

A ONU prevê que serão 7 bilhões de habitantes até 2012 e 9 bilhões até 2050, se continuarmos no atual ritmo, a saber: 2,6 pessoas a cada segundo, 258 por minuto, 228.155 por dia. Ou uma nova Alemanha a cada ano: 83 milhões de novos habitantes na Terra por ano. Bacana, né?  Só tem um detalhe: o planeta em si não aumenta.  Ele continua do mesmo tamanho.  As terras aráveis não aumentam - e aumentar a área cultivável derrubando floresta é um tiro no pé, porque compromete o clima. Tampouco aumenta a quantidade de água potável existente no planeta. Nem os minerais: podemos descobrir novas jazidas, mas só contamos com as que já existem.  Pois é... mas antes que você pense que isso só vai acontecer lá na frente, tem um outro detalhe: se todos tivessem o estilo de vida das classes médias dos países ricos, os recursos da Terra já não dariam conta. E como nos países emergentes estamos vivendo um louvável afluxo dos mais pobres à classe média e como esperamos que a inclusão social continue e se estenda às nações menos desenvolvidas, é iminente a necessidade de mudarmos a maneira como produzimos e consumimos mercadorias.  Porque todos tem direito a uma vida digna e não podemos manter o planeta às custas da exclusão social. Por outro lado, o consumismo desenfreado que é pregado hoje como estilo de vida desejável não traz felicidade ou realização pessoal.  Por consequência, é uma falácia usar o PIB-Produto Interno Bruto como indicador de crescimento, como mostra o gráfico abaixo.  Precisamos mudar nossa visão de mundo.  E, a partir dela, todo o resto.

(fonte: http://meioambientecriativo.blogspot.com/)

Contra a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour

Como consumidora e como cidadã pagante de impostos, repudio a intenção de unir as operações brasileiras do Carrefour com o Grupo Pão de Açúcar. O argumento do BNDES e do Ministro do Desenvolvimento - de que a criação de um gigante brasileiro do varejo ligado a grandes grupos internacionais favoreceria a exportação de nossos produtos - é falacioso. Se o objetivo é favorecer nossas exportações, os R$ 4 bilhões que o BNDES pensa em ceder gentilmente a um empresário rico, presidente de um grupo rico e lucrativo, poderiam ser investidos na ampliação de nossos portos e na modernização de nossas malhas ferroviária e rodoviária, reduzindo o estrangulamento logístico que onera e tira a competitividade de nossas exportações. Se o objetivo é favorecer exportações de nossos produtos, sua carga tributária poderia ser revista, assim como os burocráticos procedimentos que mantêm verdadeiros cartéis em nossos portos e aeroportos. "Seu" Abílio fala na criação de empregos com carteira assinada, mas todo mundo sabe que os maiores empregadores do Brasil são os pequenos empresários. Uma multiplicidade de pequenos supermercados emprega mais que uma rede de lojas controlada por uma grande corporação. Uma multiplicidade de varejistas cria competitividade real, favorecendo o consumidor: uma concentração de 33% no comércio nacional de alimentos é uma ameaça à segurança alimentar do país e não uma salvaguarda,como o governo alega. Sem competidores, os preços subirão na gôndola. E cairão no balcão de negociações com fornecedores, fragilizando a indústria e o produtor rural. Isso já acontece hoje: os produtos agrícolas são deixados nas lojas do seu Abílio em "consignação" - só são pagos os itens efetivamente vendidos e qualquer perda é assumida pelo produtor. A indústria, por sua vez, paga pela gôndola, pela publicidade da gôndola, pela publicidade no encarte do jornal... E quem se recusar a aceitar as condições draconianas que os grandes varejistas impõem, fica fora do mercado - literalmente! Esse movimento de concentração, portanto, já seria condenável se feito com dinheiro privado. Com verba pública, torna-se indecente! Vergonhoso! Então elege-se um governo "dos trabalhadores" para que o dinheiro estatal vá para "os patrões"? Nas crises, o prejuízo é socializado: qualquer solavanco no lucro e empregos são sumariamente cortados! Na benesse, o lucro é privatizado. E no investimento, o dinheiro é dado? Desde quando o varejo é um setor estratégico para o Brasil? Falar que o segmento energético é estratégico faz lá seu sentido. Mas varejo??? Por que não investir mais fortemente em tecnologia agrícola e produção de sementes? Hoje a parcela privada dessa indústria está praticamente toda nas mãos de multinacionais - não é muito mais estratégico para a segurança de nosso país que a tecnologia das nossas sementes seja pública? Ou a pesquisa médica? Ou a de informática e tecnologia da informação? O que o varejo tem que esses outros setores não tem, além das relações privilegiadas do Abílio Diniz com o PT? Como consumidora, eleitora e pagadora de impostos, eu repudio o empréstimo do BNDES e repudio a tentativa de fusão entre Grupo Pão de Açúcar e Carrefour. Para a economia crescer, ela não precisa de monopólios, oligopólios ou empresas gigantes. Ela precisa de condições para o empreendedorismo, de linhas de financiamento a preços justos para todos, de infraestrutura decente, de educação, treinamento e desenvolvimento de tecnologia: é nessas frentes que temos que investir esses R$ 4 bilhões.

Somos todos gays

A Parada do Orgulho LGBT chega à sua 15ª edição e como boa debutante mostra ao mundo a que veio: batalhar pela igualdade de direitos dos diferentes e exigir respeito à individualidade.  Transformou-se em um manifesto vivo pela liberdade de SER quem se é. Neste sentido, trata-se de um movimento muito mais profundo e poderoso do que a defesa da liberdade de pensamento e de expressão. Porque aqui a defesa é pela realização de nossa personalidade e nossa essência – que, humana, é cheia de defeitos ou de traços que alguém considera defeituosos. Porque, por um motivo ou outro, somos todos gays.



PL na Assembléia Legislativa de São Paulo proíbe criação de animais para extração de pele

O deputado Feliciano Filho protocolou na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) um projeto de lei que visa proibir a criação de qualquer animal - doméstico, domesticado, nativo, exótico, silvestre ou ornamental - com a finalidade de extração de pele. "Os animais criados para esta finalidade sofrem maus tratos, pois são submetidos ao confinamento, que provoca transtornos comportamentais, tais como auto-mutilação ou canibalismo. A retirada da pele é ainda mais cruel. Embora alguns criadores informem que submetem os animais a anestésicos ou adormecem com éter, muitas vezes a realidade é outra. Frequentemente eles são pendurados pelo rabo, tendo o pescoço torcido a um ângulo de 90º. Muitos animais agonizam com o pescoço deslocado e permanecem vivos enquanto a pele é retirada", informa o parlamentar.

Não é o trânsito que mata. São as pessoas.

Cresci ouvindo a expressão “trânsito mata”. E como! Na última década, o número de jovens mortos no trânsito brasileiro subiu 32,4%, segundo o mapa da violência do Ministério da Justiça. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice de mortes no trânsito em nosso país é três vezes maior do que o considerado aceitável: são 18,3 por 100 mil habitantes a cada ano, segundo a instituição. Na Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda e Suíça, que estão entre os países com os menores níveis de mortalidade no tráfego, o índice é inferior a 6. Ainda de acordo com a OMS, os acidentes de trânsito matam mais que a Malária e a AIDS.

Quase 100% dos brasileiros condenam atividades agropecuárias em APPs

Impressionantes 91% dos brasileiros ouvidos em pesquisa do Datafolha condenam a manutenção de atividades agropecuárias em áreas de preservação permanente (APPs), ecoando a opinião da presidenta Dilma Roussef, que classificou de vergonhosa essa emenda ao Código Florestal aprovado pelo Congresso Brasileiro. E assim como o Ministério da Fazenda, também 79% dos brasileiros são contra o perdão de multas impostas a produtores rurais que desmataram ilegalmente e apóiam o veto prometido de Dilma caso o código aprovado no Senado preveja anistia a desmatadores. Ou seja, podemos concluir não só que o brasileiro rejeita o atual texto do Código Florestal, mas também que não foi por acaso que os atuais membros do Poder Executivo tenham vencido as eleições no ano passado: a sintonia com a opinião popular é inegável!

Lady Gaga ou Gao Yuanyuan?

Lady Gaga ou Gao Yuanyuan? Qual destes modelitchos você prefere?

Temperatura em Bonn = zero grau

Até 17 de junho acontece uma rodada de negociações climáticas de cunho preparatório à CoP17, programada para o final do ano. No fim do quarto dia, os trabalhos começam: agendas se acertam nos vários grupos e as conversas começam para valer. Mas o clima é gelado: zero grau de temperatura. Ou seja, ponto de congelamento. Porque os países não mudaram suas posições desde a CoP16 (em alguns itens, desde a CoP14, eu diria!). Quem está sob a égide do Protocolo de Quioto, ou seja, os países desenvolvidos, quer que ele (ou um novo acordo) inclua as nações em desenvolvimento (isso nos inclui, ok?). Já nós e os demais países em desenvolvimento, não queremos compromissos legais e também não queremos que os países desenvolvidos caiam fora do Protocolo de Quioto. Com a crise financeira mundial, ninguém sabe, ninguém viu o dinheiro. E como se diz lá na terrinha, em casa onde não há pão, todos brigam e ninguém tem razão: há um clima de enfrentamento e desgaste nas negociações. Sabe o que isso significa? Simplesmente que os negociadores estão de mãos amarradas. Porque eles entendem como poucos da importância e do tamanho do problema climático. E se não conseguem avançar além da mesquinharia dos interesses nacionais, é porque lhes falta respaldo político em casa. Isso vale para nós também: se não nos manifestarmos junto ao governo - seja mandando email para jornais, revistas, rádios, TVs ou para o governo, seja nas mídias sociais - a única voz que será ouvida é a dos poderosos lobbies econômicos querendo manter seus interesses particulares. Mas clima não é um tema setorial: é algo que afeta a todos nós. E a prevalência dos lobbies setoriais é imoral! Vamos lutar contra isso usando nossa melhor arma: nossa voz e nossa capacidade de articulação! Vamos nessa?

Pássaros

Está é a parte final do texto Curtir é Covardia(*), de Jonathan Fraser, autor de Liberdade (Cia das Letras), publicado na íntegra pelo blog do Link, do Estadão.

Pássaros. Quando estava na faculdade, e por muitos anos depois disto, eu curtia o mundo natural. Eu não o amava, mas sem dúvida o curtia. A natureza pode mesmo ser algo muito belo. E, como eu estava em busca de coisas no mundo que me parecessem erradas, gravitei naturalmente na direção do ambientalismo, pois sem dúvida havia muitas coisas erradas com o meio ambiente. E quanto mais eu olhava para aquilo que estava errado – uma população mundial em explosão, o consumo desenfreado dos recursos naturais, o aumento nas temperaturas globais, a contaminação dos oceanos, o corte das últimas florestas antigas –, mais furioso me tornava.

A Marcha das Vagabundas

O que leva pessoas de lugares tão diferentes como São Paulo e Belo Horizonte, no Brasil, Chicago e Los Angeles, nos EUA, Edmonton, no Canadá, Estocolmo, na Suécia, Amsterdã, na Holanda, e Edimburgo, na Escócia, a saírem em passeata nas ruas? Respeito: essa é a bandeira da Slut Walk, ou Marcha das Vagabundas, evento que está mobilizando mulheres do lado de cima e do lado de baixo da linha do Equador.

Não dizem que a história é a versão dos vencedores? Pois é...

O que é a História senão a versão de quem venceu e ficou para contar? E, na política brasileira, quem mais exibe a face de vencedor do que José Sarney? Nascido em 24 de abril de 1930, este maranhense do município de Pinheiro disputa com a também taurina Elizabeth, regente da Inglaterra, quem fica mais tempo no poder. Porque apesar de nosso regime não ser monárquico, ele reina desde 1954, quando elegeu-se suplente de Deputado Federal pelo falecido PSD-Partido Social Democrático. Chegou a governador de seu estado em 1965, com o apoio da ditadura militar. Apesar de integrar a ARENA, o partido de direita dos anos de chumbo, rompeu com esta na transição para a democracia fundando o Partido da Frente Liberal-PFL (sim, aquele que, recentemente, mudou o nome para DEM), com o qual associou-se ao PMDB. Com a morte prematura de Tancredo Neves, de quem era vice, passou a envergar a faixa presidencial e, desde então, não abandona Brasília: em 2011, assumiu a presidência do Senado Federal pela quarta vez. E foi, nesta condição, que ele inaugurou uma exposição de 16 painéis a título de comemoração pelos 185 anos de existência do poder legislativo no Brasil. Como história de um vencedor, esta também omite tudo que lhe desagrada. Por exemplo, o impeachment de seu aliado Fernando Collor.

Mas quem foi o historiador que se submeteu a assinar esta exposição?


Cordel nada encantado

Hoje foi difícil distinguir a realidade da ficção!

No plenário da Câmara dos Deputados, era como se Coronel Timóteo estivesse negociando o casamento de sua irmã, Antônia, com o delegado Batoré, para deste obter proteção e vantagens.

No Pará, o camponês e líder extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher, Maria do Espírito Santo, foram assassinados. em um projeto de assentamento agroextrativista. Lembrou, mais uma vez, o "cornérzim" da novela mandando seus jagunços fazerem sua "justiça".

No Mato Grosso, madeireiros usavam correntes para derrubar árvores. Aí, não me lembrou nenhuma novela: parecia simplesmente o fim do mundo. Ou, pelo menos, o fim do bom senso.

Se cão e gato são mercadoria, Código de Defesa do Consumidor em quem vende!

Está fazendo quase um ano. Era uma noite bem fria. Cheguei em casa, cliquei no controle remoto e o portão começou lentamente a se abrir. Nessa hora, passava na calçada um cachorrinho, numa perfeita conexão das coordenadas tempo-espaço: um minuto a mais ou a menos e o Mulekinho não faria parte da minha vida. Junto com ele, veio essa pergunta que até hoje me intriga: quem, em sã consciência, pode ter deixado na rua uma coisinha tão pequeninha e indefesa? Um animalzinho tão alegre, brincalhão, simpático?

Quem teria coragem de abandonar um filhotinho?

Violência na USP

Moro ao lado da USP há 38 anos. Das janelas da escola (estadual), dava para ver o campus. No último ano do ensino médio (à época, chamado de "colegial"), isso era uma tortura! Pois os professores apontavam para os prédios e diziam "no próximo ano, quando vocês estiverem lá". E o medo crescia. Será que conseguiríamos passar no vestibular? Naquela época, o medo também se fazia presente quando íamos passear no campus por causa dos rumores de um estuprador que atuava por lá. Quando finalmente passei na Fuvest, comecei a ter contato com os roubos e saques. A difícil convivência da USP com a comunidade do entorno tem história. E uma história que piora a cada capítulo.

A frente fria e as ruas

Sou informada pela imprensa de que podemos ter um recorde de frio esta noite: 5 graus. Em noites como essa, cresce a busca por albergues pelos moradores de rua de São Paulo. Eles são, em sua maioria, homens (86%), mais da metade dos quais (62,8%) não completaram o ensino fundamental e que majoritariamente (74,4%) consomem álcool ou drogas. E a perda do emprego foi o principal motivo apontado para justificar a permanência nas ruas. Este é o perfil oficial do morador de rua de São Paulo, traçado em censo conduzido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em 2009. Naquela época, já existiam 13.666 pessoas ao relento - mais gente que o total da população de metade dos 645 municípios paulistas. Esse número é consequência de um crescimento de 57% nos últimos dez anos - ironicamente, um período de estabilidade e crescimento econômico. Mas que, como se pode ver, não foi suficiente para incluir a todos.

Higienópolis e Sé

Em 2009 fui agraciada com a oportunidade de falar com a profissional que cuidava das ações de Responsabilidade Social da vetusta FIESP. A conversa resvalou para o cyberativismo, que foi por ela duramente criticado como ineficiente e pouco legítimo. Embora não citado diretamente, o comício das Diretas Já, que reunião um milhão de pessoas na Praça da Sé, era a referência óbvia. E a crítica é que reclamações no twitter eram apenas desabafos e não posições políticas. E desde então isso me incomoda. Afinal, se a democracia é baseada na livre expressão de ideias e se graças aos meios de comunicação já disponíveis no século XX essas ideias podem ser formadas e expressadas virtualmente, por que essa fixação no meu corpitcho? Por que eu tenho que estar de corpo presente para que minha opinião seja considerada válida?

Dois anos depois, o Churrascão da Gente Diferenciada mostra que no século XXI, a opinião online é tão válida como aquela que é expressa offline.

Quem se importa se Bangladesh afundar?

Vídeo produzido pela ActionAid mostrando como as mudanças climáticas estão afetando na prática a vida das pessoas. No caso, de pessoas pobres - porque o aquecimento do planeta afetará prioritariamente os menos favorecidos, que habitam as regiões tropicais. O vídeo está em inglês, mas mesmo que vc não fale essa língua, não deixe de ver as imagens: elas falam por si.


Buy Nothing Day: você compra essa idéia?

Criado pelo artista canadense Ted Dave e promovido pela revista Adbusters, o Buy Nothing Day, ou Dia Mundial sem Compras, acontece amanhã em todo o mundo, com exceção de Canadá e Estados Unidos. Nesses dois países, o Buy Nothing Day foi hoje, junto com a tradicional Black Friday. Não conhece? Pense bem: talvez hoje mesmo você tenha visto alguma matéria a respeito em algum telejornal. É aquele dia de grandes liquidações, com filas de consumidores esperando a abertura das portas das lojas. Guardadas as devidas proporções, é como a liquidação de começo de ano do Magazine Luiza.

Black Friday versus Buy Nothing Day: uma pesquisa no google não deixa dúvidas - o consumo ganhou. E, sinceramente, não haveria de ser diferente. Ou você deixaria de comprar aquele eletrônico de seus sonhos pela metade do preço para protestar contra o consumismo? Aliás, deixar de comprar algo em dia de liquidação é a melhor forma de protestar contra o consumismo??
Buy Nothing Day é mais um exemplo daquelas ações de comunicação que não conseguem ir além da paróquia: quem já é sensível ao tema, adere; quem não é, nem dá bola. Trata-se de uma iniciativa muito mais midiática do que efetiva, pois não leva à revisão dos (pré)conceitos que sustentam hábitos inadequados de consumo.

Porque o consumo em si não é bom ou mau: ele é simplesmente necessário. Do momento em que somos gerados precisamos de alimento e calor. Se hoje compramos nossa comida no supermercado e a gasolina no posto é porque somos incapazes de suprir todas as nossas necessidades e, sabiamente, fomos dividindo tarefas ao longo da História, gerando um dos mais humanos e democráticos exercícios de convivência: o comércio. Independente da cultura, do grau de urbanização, nível educacional ou econômico, todos nós vamos ao mercado para vender e comprar. Da antiga praça aos sites de internet, passando - por que não? - por este blog, que oferece minhas idéias para seu consumo (gratuito, porém consumo), o mercado nos une, quando é justo.

Então, a questão não é o consumo, mas a educação para o consumo: o entendimento dos motivos que nos levam a consumir, do que realmente precisamos, do que é preço e o que é valor, de conceitos básicos de finanças domésticas. Fala-se muito em empoderamento do consumidor, e isso é verdade: quem compra dá as cartas. Mas quem compra precisa ter conhecimento sobre seus direitos e deveres, sobre o impacto e consequências de suas ações, para usar tal poder em seu favor. Caso contrário, continuaremos, como manada, a seguir os ditames dos publicitários e marqueteiros.

E esse senso crítico o Buy Nothing Day não fornece, nem estimula as pessoas a procurar.

Agressividade no trânsito? Shell responde!

Todo mundo sabe que o trânsito deixa as pessoas mais agressivas e todo mundo acha que o grande culpado é o stress de ficar parado nas ruas, assando debaixo do sol, correndo o risco de ser assaltado, inalando aquele fumacê brabo... O que ninguém imaginava é que este é justamente esse último item, o fumacê, que altera as reações químicas do cérebro, deixando as pessoas mais agressivas.

Estudo conduzido na Universidade do Cairo, no Egito, e publicado na Science Daily, comprovou que ratos expostos à fumaça de gasolina com chumbo e gasolina sem chumbo exibiam um comportamento notadamente mais agressivo do que os que inalaram apenas ar limpo. As mudanças iam da adoção de posturas beligerantes a ataques factuais a outros animais. Amal Kinawy, autora do estudo, monitorou as reações neurológicas dos animais e comprovou que a exposição à fumaça da gasolina altera o nívei de neurotransmissores do córtex cerebral. Ou seja, além de causar problemas de saúde e contribuir para as mudanças climáticas, a fumaça do escapamento também nos deixa mais agressivos...

E infelizmente quem vive em grandes centros urbanos aqui no Brasil terá que se conformar com isso: na tarde de hoje, nosso ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a prorrogação da redução de IPI para carros flex até março de 2010. E ainda teve a cara-de-pau de chamar isso de "imposto verde"!!!

O trânsito é uma das principais causas de morte no Brasil. Quem não morre de vez, em algum acidente, morre aos poucos, deixando preciosos momentos de sua vida nas ruas congestionadas. É tempo que não volta. É vida que nos é roubada.

Não se trata de negar o direito a ter um carro. Mas de ter alternativas. Peguemos a cidade de São Paulo como exemplo. Ela é a sexta maior metrópole do mundo, com mais de 19 milhões de pessoas. Pois você sabe quantos ônibus atendem essa população?? 15 mil. Isso mesmo: há um ônibus para cada 1267 habitantes. E isso é anunciado em TV pela nossa prefeitura como se fosse suficiente!!! Acho que eles não fizeram as contas: considerando-se que cada ônibus tem capacidade para transportar uns 40 passageiros sentados e outros tantos de pé, seriam necessárias 190 viagens por dia para transportar a quantidade de pessoas que corresponde a cada veículo na capital. Supondo-se que eles rodassem 24 horas por dia, isso seria o mesmo que 7,91viagens a cada hora por ônibus. Ou uma viagem a cada 10 minutos. Bom, quem anda de ônibus sabe que em 10 minutos não se vai mais longe que cinco quarteirões. Entonces...

Então que tal isentar os ônibus de IPI e colocar uma maior quantidade deles nas ruas? Construir mais linhas de metrô? Incentivar o uso bicicletas? Que tal pensar em soluções coletivas de transporte com energia alternativa? Porque de nada adianta ter UM ônibus movido a hidrogênio e UM outro movido a etanol - isso rende matéria na imprensa, mas não faz diferença prática no nosso dia a dia.

Mas numa época em que tudo é verde (e se não for, pintam de verde), o imposto do carro também é verde... E para dizer que tudo continuará verde, o Mantega anunciou que o governo está formando um grupo para trabalhar junto às montadoras para trazer ao Brasil tecnologias com emissões menores - e melhorar em termos de redução de emissões os motores flex!!! Ou seja, como todo mundo já sabia, ele admitiu que o carro flex é uma tecnologia pouco eficiente e, portanto, poluidora. E comprovou que, se depender do governo, não teremos transporte público.
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