Talvez você já tenha visto a HRT anunciando o projeto Barril Verde HRT, que consiste na doação de R$ 1 a cada barril produzido pela empresa na Bacia do Solimões (AM) para ações de conservação da floresta e para a melhoria da qualidade de vida de seus moradores. Os recursos serão destinados à FAS-Fundação Amazônia Sustentável, que faz um belíssimo trabalho na região.
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Mercado de Carbono encolhe com dúvidas sobre continuidade do Protocolo de Quioto
Um dos mais sérios nós que os negociadores da ONU terão que desatar este ano refere-se à continuidade do Protocolo de Quioto. E como ele regula os chamados Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), todo esse esquema transacional que permite converter em créditos o carbono que você deixa de emitir está em risco.
Bolívia propõe criação de IOF Climático nas negociações de Bonn
IOF – o famoso Imposto sobre Operações Financeiras que nós brasileiros já conhecemos pode ser estendido para o resto do mundo, se depender da Bolívia. Mediante a cobrança de 0,01% sobre transações internacionais seriam gerados os fundos necessários para subsidiar os fundos climáticos necessários para financiar as ações necessárias para minimizarmos as chances de que a temperatura média do planeta suba acima de níveis aceitáveis – e, infelizmente, para ajudarmos àqueles que já estão sofrendo com as alterações do clima. Essa foi a proposta apresentada em Bonn, onde estão acontecendo negociações preparatórias para a CoP17, que será realizada na África do Sul no final deste ano. E que terá na questão financeira um dos principais desafios a serem superados.
Você investiria em um fundo vindulado a índice de crédito de carbono?
A novidade do Itaú Unibanco, apresentada em coletiva de imprensa hoje: um fundo de investimentos vinculado a um índice de créditos de carbono. Trata-se da primeira iniciativa dessas natureza no Brasil. Ok. Mas você investiria nele?Para responder a esta pergunta, é importante que você entenda o que é o mercado de carbono. Confesso que eu pouco sabia sobre o tema e por isso agradeci porque o pessoal do Itaú Unibanco chamou o presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono – Abemc, Flavio Gazani, para dar uma aula. Ele lembrou que tudo começou com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, pelo qual chegou-se a um consenso sobre o impacto das emissões dos gases de efeito estufa sobre as mudanças climáticas. Foi por conta dessa constatação que as nações desenvolvidas (com exceção dos Estados Unidos) assinaram o Protocolo de Kyoto, comprometendo-se com metas de redução na emissão desses gases, entre os quais está o gás carbônico (CO2).
Essa redução pode ser feita de várias formas: com mudanças tecnológicas, com uma matriz energética mais limpa e também mediante mecanismos de troca - quem não consegue reduzir as emissões estimula quem consegue e contabiliza a redução do outro nas suas metas. Esse é o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Os projetos têm que passar por aprovação nacional, da ONU e por auditorias para comprovar que há efetivamente a redução alegada. Essa é a teoria. Na prática, normalmente os países que não têm metas a cumprir no Protocolo de Kyoto (como nós, aqui no Brasil, ou a China) desenvolvem os projetos e depois oferecem os créditos em carbono. Por convenção, uma tonelada de carbono que deixa de ser emitida equivale a um crédito.
Existem bolsas especializadas na comercialização deles, como se fossem bolsas de valores. A maior delas fica em Londres. Não é por acaso: o Reino Unido é o maior comprador mundial, com 39% das transações, seguido pelas nações do Mar Báltico, com 17%, e Itália, com 9%. Do lado dos vendedores, a China é líder inconteste, com 84% dos projetos, seguida por Ìndia, com 4%, e Brasil, com 3%. A diferença brutal justifica-se: a matriz energética lá é muito suja, portanto o país tem um enorme potencial de redução em suas emissões. No caso do Brasil, nossa matriz é limpa. Ainda assim, do total de projetos de MDL desenvolvidos no Brasil, 50% são de energia renovável, por conta da co-geração em usinas de açúcar e álcool – o que explica porque São Paulo tem 23% dos projetos brasileiros de MDL. Em seguida vem Suinocultura (13%), troca de combustível fóssil (11%) e aterros sanitários (9%).
O mercado regulado pelo Protocolo de Kyoto chama-se... mercado regulado (um caso raro em que não foi criada uma sigla esdrúxula). Mas além dele, existe outro, desenvolvido pelos países que não assinaram o protocolo. Ele se chama mercado voluntário, porque não está relacionado com metas. Ele é pequeno em relação ao mercado total de créditos de carbono (apenas 2,9%), porém cresce vertiginosamente: apenas em 2008 sua expansão foi de 87%.
O volume de negócios com créditos de carbono em 2008 foi de US$ 705 milhões. O faturamento, por sua vez, foi de US$ 126 bilhões nesse mesmo período. Ou seja, é um negócio lucrativo, portanto atraente para o empresário – e, por isso, tende a crescer, apesar de todas as incertezas que existem quanto à sua natureza jurídica, governança na questão climática no Brasil e eventuais mudanças que venham a ser estabelecidas agora no final do ano na CoP15.
Já existem hoje em todo o mundo US$ 12,5 bilhões em fundos atrelados a créditos de carbono. Hoje, o Itau Unibanco lançou o primeiro a operar no Brasil. Ele promete ser uma aplicação tão o mais rentável que outras. E, indiretamente, estimula a migração para uma economia de baixo carbono. Por que não apostar?
Pessoas já podem participar do mercado voluntário de créditos de carbono
Que motivo levaria você a tentar de verdade a redução das emissões de CO2 em sua vida? Seria por uma questão questão moral - uma obrigação que temos com a humanidade ou o planeta? Ou pela economia no orçamento doméstico no final do mês? Se este último argumento o sensibiliza mais, relaxe: você não está sozinho. E mais: além de economizar, agora você pode ganhar com a redução das emissões de CO2.Com a entrada no mercado do site MyEex, o mercado de créditos de carbono não está mais restrito ao mundo empresarial. Nele, é possível estabelecer a média histórica de emissões a partir da qual são estabelecidas metas de redução. Para atingi-las, o internauta conta com dicas, blogs e a interação com outros participantes. O site certifica as reduções alcançadas e as comercializa no mercado voluntário de carbono, repassando via PayPal o valor obtido na transação ao feliz e ecológico indivíduo que conseguiu reduzir suas emissões. Naturalmente, uma comissão de corretagem é deduzida, mas ainda assim vale a pena tentar. Como os pagamentos são feitos vai PayPal, o serviço está disponível para consumidores de todo o mundo.
E aí, animou-se a reduzir suas emissões?
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