Quem tem filhos sabe bem como é comprar algo hoje que você já sabe que terá que trocar amanhã, antes mesmo que o produto tenha sido devidamente usado - uma regra que se aplica do sapato e roupas até os móveis! Embora opções de consumo sustentável estejam gradualmente se espalhando - entre as quais, o escambo, o consumo colaborativo e a boa e velha doação do que já não nos serve mais - o paradigma prevalente é o da compra de produtos novos. E ele tende a ampliar-se, com a ascenção da classe C. Ou seja, para evitar desperdício, o negócio é ser criativo - literalmente falando! E foi com criatividade que o designer francês Guillaume Bouvet criou esta escrivaninha que vai crescendo junto com a criança, sendo ergonomicamente apropriada até para adultos.
AZ desk concept from guillaume bouvet on Vimeo.
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Retrofit às margens do Sena
La Samaritaine, loja de departamentos fundada em 1870 e adquirida pelo grupo LVMH em 2001, fechou suas portas em 2005 e elas têm estado lacradas desde então. Seria apenas mais uma triste história do setor varejista não fossem alguns detalhes: o prédio estilo art decó que ainda conserva as escadarias, afrescos e o teto de vidro originais, fica na margem direita do Sena, praticamente ao lado do Louvre, diante da famosa Pont Neuf, em um dos pontos mais valorizados e badalados de Paris. Pois esta verdadeira jóia passará por um completo retrofit para adaptá-la às necessidades do nosso tempo: um prédio sustentável e multiuso. Nada que os belos e velhos prédios de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte e tantas outras cidades brasileiras também não precisem!
Telhados brancos realmente reduzem o aquecimento global?
Você já deve ter visto várias matérias falando que pintar os telhados de branco ajuda a reduzir o aquecimento global. Mas até que ponto isso é verdade?O princípio é secular - objetos brancos absorvem menos calor que os escuros. É por isso que as casas nas ilhas gregas são todas brancas. Reter menos calor do sol representa menor necessidade de ar condicionado para resfriar ambientes: estudos demonstram que a presença de telhados claros reduz os custos com a utilização de tais aparelhos em 20% ou mais nos dias ensolarados.
Em termos globais, esse raciocínio faz muito sentido, já que na maioria dos países a eletricidade é gerada basicamente a partir da queima de petróleo e carvão. E já é quase consenso entre os cientistas que o clima está mudando em função do maior acúmulo dos gases causadores do efeito estufa na atmosfera. Art Rosenfeld, membro da Comissão Estadual de Energia da Califórnia que está em campanha pelos telhados brancos desde os anos 80, argumenta que se todos os telhados do mundo fossem claros, isso poderia representar uma redução do equivalente a 24 bilhões de toneladas em emissões de dióxidos de carbono nos próximos 20 anos. Isso equivale às emissões de todo o mundo no ano passado.
Mas nesse contexto, o Brasil é exceção, já que aqui a energia elétrica vem de fontes hídricas. Portanto, pintar o telhado de branco aqui só vale a pena se o objetivo for reduzir a conta da luz no final do mês – o que já é um benefício e tanto! Mas para quem mora em locais frios, mudar a cor do telhado é um tiro no pé, já que telhados reflexivos podem significar custos mais altos de aquecimento no inverno. Ou seja, nada de telhado branco na Serra Gaúcha ou em Campos do Jordão!
E o raciocínio do claro-escuro não precisa ficar restrito aos telhados: ainda na década de 90 a Associação Brasileira de Cimento Portland já tinha estudos que mostravam que a pavimentação de ruas e estradas concreto gera economia de energia elétrica na sua iluminação, em virtude do maior potencial reflexivo do concreto em comparação com o asfalto. O menor gasto com energia elétrica por parte do poder público reduziria a pressão pelo aumento de arrecadação de impostos. Porque tudo está interligado: economia, meio ambiente, pessoas. É assim que se pensa sustentavelmente.
Bom, agora você já sabe: se sua casa é em um lugar muito quente, vale a pena pintar o telhado de branco porque você vai economizar energia. Mas, no caso do Brasil, essa iniciativa não contribuirá para reduzir o aquecimento global.
Depois do Empire State, é a vez da Sears Tower ficar verde
A Sears Tower , o prédio mais alto dos EUA, com 442 metros e 108 andares, deve se tornar mais sustentável daqui a cinco anos. Um projeto de US$ 350 milhões prevê uma economia de 80% na energia e de 24 milhões de galões de água em relação ao consumo atual.Painéis solares serão instalados para prover a energia necessária ao aquecimento da água (o prédio fica em Chicago: faz frio prá xuxu lá!). Diferentes tipos de turbinas de vento contribuirão para a geração de energia. E entre 2.787 e 3.250 metros quadrados de telhados verdes serão plantados para ajudar a regular a temperatura interna do prédio. A reforma inclui ainda adaptações nas 16 mil janelas para que elas também contribuam com a economia de energia, além de sistemas automáticos de iluminação e, sim, a substituição dos equipamentos do banheiro para reduzir o consumo de água. O objetivo é obter a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), do Green Building Council.
A reformulação da Sears Tower gerará 3,6 mil empregos. Durante a obra, um centro de ensino sobre construção sustentável será instalado no térreo para disseminar o conceito ao público que circula no prédio.
Arquitetura verde em Dallas
A recuperação de bairros ou quarteirões degradados sempre traz benefícios econômicos e sociais. Puerto Madero, em Buenos Aires, por exemplo, tornou-se um pólo de escritórios e de restaurantes da moda depois de décadas de abandono. Agora, os novos projetos trazem também um forte viés ambiental.
Este é o caso do antigo estacionamento que ficava em frente à prefeitura de Dallas, no Texas. A ONG Central Dallas Community Development Corporation (CDCDC), com apoio da ONG Urban Re:Vision, realizou um concurso que recebeu projetos de escritórios de arquitetura de 14 países para recuperar o local – e chegou a três finalistas pródigos na sustentabilidade ambiental.
O projeto Forwarding Dallas veio do atelier Data & MOOV, de Lisboa. Baseado em um modelo de colinas e vales, ele comporta pontos para captação de energia solar e eólica que deixam o condomínio autossuficiente. Também incorpora estufas para produção de alimentos, além de muita vegetação para capturar o CO2.
Este é o caso do antigo estacionamento que ficava em frente à prefeitura de Dallas, no Texas. A ONG Central Dallas Community Development Corporation (CDCDC), com apoio da ONG Urban Re:Vision, realizou um concurso que recebeu projetos de escritórios de arquitetura de 14 países para recuperar o local – e chegou a três finalistas pródigos na sustentabilidade ambiental.
O projeto Forwarding Dallas veio do atelier Data & MOOV, de Lisboa. Baseado em um modelo de colinas e vales, ele comporta pontos para captação de energia solar e eólica que deixam o condomínio autossuficiente. Também incorpora estufas para produção de alimentos, além de muita vegetação para capturar o CO2.
O projeto da norte-americana Little, o segundo finalista, incorpora uma fazenda vertical para produção de alimentos e campos para criação de gado. Os autores incluíram uma instituição de ensino, um restaurante de slow food e um instituto de agricultura orgânica no condomínio, tornando-o um centro de referência para o restante da comunidade.
O terceiro finalista também tem muito verde. Mas diferencia-se dos outros por preservar um prédio que já existe na área da construção como forma de dar maior ênfase à história e à herança arquitetônica de Dallas.
O projeto selecionado será efetivamente construído pela CDCDC, que contará com a ajuda da prefeitura e de créditos fiscais federais, além do apoio de fundações.
Olhando para as imagens acima, lembrei-me do Lula falando que se JK tivesse que construir Brasília hoje, ele não conseguiria licença ambiental para pousar seu avião. Pois é... Nos dias de hoje, o próprio projeto de Niemeyer e Lúcio Costa seria visto como desatualizado. Alguém aí dá um toque pro Andrea Matarazzo pensar nisso quando olhar para a Cracolândia??
O projeto selecionado será efetivamente construído pela CDCDC, que contará com a ajuda da prefeitura e de créditos fiscais federais, além do apoio de fundações.
Olhando para as imagens acima, lembrei-me do Lula falando que se JK tivesse que construir Brasília hoje, ele não conseguiria licença ambiental para pousar seu avião. Pois é... Nos dias de hoje, o próprio projeto de Niemeyer e Lúcio Costa seria visto como desatualizado. Alguém aí dá um toque pro Andrea Matarazzo pensar nisso quando olhar para a Cracolândia??
Case: você conhece o hotel Ponto de Luz?
Eu estive lá, achei que conhecia... e descobri que não nesta manhã, quando a Jô, gerente de negócios do Hotel Ponto de Luz (Joanópolis, SP) contou em detalhes o que é feito lá aos membros do Comitê de Sustentabilidade do WTC, organizado pelo Floreal Rodriguez.Eu achava que o Ponto de Luz é somente um spa holístico com uma excelente infra-estrutura de serviços para meditações e massagens e terapias alternativas. Eis que hoje tive a grata satisfação de descobrir que ele é um cases de sustentabilidade interessantíssimo sob todos os aspectos:
* HUMANO – o Hotel Ponto de Luz empregou pessoas da região durante sua construção e continua usando mão de obra e fornecedores locais. Os colaboradores, todos registrados, têm acesso à mesma alimentação das demais pessoas que freqüentam o local (respeitando o paladar regional, obviamente) – o que é raro nessa indústria! E mais: eles têm bolsa de estudos, programa de qualidade de vida e acesso aos mesmos tratamentos dos hóspedes! Fiquei com vontade de trabalhar lá!
* SOCIAL – por si só, a oferta de emprego e a aquisição de mercadorias de fornecedores locais já contribuem com a fixação das pessoas na região. Mas o Ponto de Luz foi além: ao perceber que a comunidade no entorno do empreendimento não tratava esgoto, entrou de casa em casa para instalar fossas sépticas (não negras). O bom relacionamento com os vizinhos não poderia dar outro resultado senão boas parcerias: hoje o Ponto de Luz já conta com produtores orgânicos para fornecer os itens que eles não produzem internamente. E o dono do terreno onde se encontra a mina de água que abastece o hotel, preocupado com a preservação daquela água, os procurou espontaneamente para vender o local!
* AMBIENTAL – basta olhar para o hotel para perceber que o projeto foi concebido para interferir o mínimo possível, integrando-se à paisagem. Foi feita a recuperação da mata no terreno do hotel, o qual foi construído com materiais rústicos e conta com aquecimento solar e estação de tratamento de esgoto. No seu entorno, foram adquiridas terras para evitar sua degradação pelo avanço da agricultura local. Aliás, quem vai lá e se encanta com o lugar é convidado a comprar terrenos na região para ampliar as áreas de preservação. E não é que tem dado certo? Diversos hóspedes já compraram terras no local! Os hóspedes, aliás, são incentivados a participar do projeto, reduzindo as trocas de toalhas (para reduzir o consumo de água) e separando o lixo para reciclagem. Também chamou minha atenção a estação de tratamento das chamadas “águas cinzas” (de lavanderia e cozinha), composta por 5 sistemas de filtragem que geram 2,5 mil litros/dia para irrigação. E, naturalmente, a maravilhosa horta orgânica de meio alqueire que eles têm lá: quem já se hospedou no Ponto de Luz sabe que não existe comida igual no mundo!! Também, pudera: tudo é adubado com a compostagem produzida com o resíduo orgânico do hotel!
De 2008 para cá, o Ponto de Luz começou uma nova etapa dentro de seu projeto de sustentabilidade: a introdução do Sistema Agro Florestal, por meio do qual serão cultivados cinco anéis de agroflorestas com leguminosas, hortaliças e árvores frutíferas com fases diferentes de frutificação.
A abordagem é muito interessante: as sementes são jogadas na terra, porém sem práticas convencionais de cultivo, pois o intuito é que deixar que a germinação ocorra de forma espontânea, dentro da seleção natural do próprio ambiente. O Sistema Agro Florestal será usado na horta e também no Morro das Bruxas, em frente ao hotel – neste caso, com a finalidade de alimentar os animais silvestres da região, que são poucos, infelizmente, por conta das monoculturas (batata e eucalipto) fortemente baseadas no uso de agrotóxicos que predominam na região.
O Ponto de Luz foi fundado há 15 anos, na época como uma opção de vida de seus proprietários. Hoje, eles têm consciência de que se trata de um negócio sustentável.
O Ponto de Luz foi fundado há 15 anos, na época como uma opção de vida de seus proprietários. Hoje, eles têm consciência de que se trata de um negócio sustentável.
Em todo os sentidos da palavra!
Energia solar no PAC da habitação
O Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, declarou que o recém-anunciado Plano Nacional de Habitação - que pretende construir um milhão de casas para famílias com renda até seis salários mínimos - incorporará técnicas ambientalmente sustentáveis, como o uso da energia solar para os chuveiros. Se realmente se tornar realidade, essa iniciativa terá impactos positivos do ponto de vista social e ambiental. Social, ao reduzir a pressão da conta de luz no final do mês para uma faixa menos favorecida da população. Ambiental, por se tratar de uma energia limpa.Além de limpa, a energia solar pode ser econômicamente viável. Israel e Chipre já disseminaram seu uso com resultados bastante animadores. O uso da energia solar em Israel data praticamente da época da criação daquele Estado nacional; o primeiro aquecedor solar foi desenvolvido em 1950 com o objetivo de contornar a escassez de fontes de energia no país. Já em 1967, uma em cada 20 casas o utilizava. Um novo modelo, mais eficiente, seria concebido nos anos 70, simultaneamente à primeira crise mundial do petróleo. É ele que encontramos hoje em 90% dos domicílios israelenses.
Em 1980, o parlamento israelense (Knesset) aprovou uma lei que exige a instalação de aquecedores solares em todas as casas novas. No início dos anos 90, foi a vez dos prédios residenciais. Resultado: hoje Israel é o líder mundial per capita na utilização de energia solar, que responde por 4% do total da demanda por energia naquele país, evitando o consumo de 2 milhões de barris de petróleo por ano e a um custo quase competitivo com o dos combustíveis fósseis.
Esses números devem crescer nos próximos anos, já que no ano passado a Autoridade de Utilidade Pública de Israel aprovou uma tarifa incentivada para geradores solares domésticos e e comerciais (de, no máximo, 15 kWp e 50 kWp, respectivamente) e o Ministério de Nacional da Infraestrutura anunciou que levaria a iniciativa para usinas de energia solar de médio porte (de 50 KW até 5 MW). Simultaneamente, o Banco Hapoalim (o maior de Israel) anunciou uma linha de crédito especial de 10 anos para investimentos nesse setor.
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