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Guapiruvu: o Brasil que pode dar certo

Marcelo Cardoso (*)



Guapiruvu é um bairro da cidade de Sete Barras, no Vale do Ribeira, litoral sul de São Paulo.  Esta é a região de maior índice de pobreza no Estado de São Paulo, mas é também uma região importante pela preservação e pela unificação entre o social e o ambiental. Foi aqui que o Vitae Civilis deu início a seu trabalho em 1997 com uma agenda local de desenvolvimento.  E agora, em 2013, voltamos para olhar essa trajetória e avaliar o trabalho realizado para esta comunidade e a contribuição dada pelo Vitae Civilis a este processo.


Tetra Pak lança portal de educação ambiental para alunos e professores

Mais uma ferramenta para professores e seus queridos alunos trabalharem temas ambientais em sala de aula: a Tetra Pak está lançando o portal http://www.culturaambientalnasescolas.com.br/, que reúne em versão eletrônica todos os materiais já desenvolvidos pela empresa para esses públicos. Afinal, desde 1997 a empresa já realizava o projeto “Cultura Ambiental nas Escolas”, enviando via correio um kit completo com cartilhas, folders, pôster informativo e um filme em DVD para auxiliar os professores. Mais de 40 mil escolas receberam este material nos 12 anos do Projeto e cerca de 6 milhões de crianças foram beneficiadas. O lançamento do portal visa ampliar e facilitar o acesso a esse material já que, segundo o fabricante, cerca de 25% de todas as escolas municipais e estaduais possuem acesso à internet com conexão em banda larga.

Entre as novidades, o portal traz uma área exclusiva para professores, com orientações detalhadas e dicas de como colocar a teoria em prática na sala de aula. Os professores contam ainda comm o apoio de oficinas pedagógicas, realizadas periodicamente, que mostram como os materiais podem ser usados em sala de aula, com sugestões de atividades e troca de informações entre os professores. Com o lançamento do Portal, ocorrerão versões online dessa capacitação a partir do ano que vem. Já na área do aluno, além de informações sobre reciclagem e coleta seletiva, são apresentados vídeos e fotos com detalhes dos processos, e os jovens também podem testar o aprendizado nos jogos interativos.


O Portal de Educação Ambiental é a segunda incursão da empresa na Internet com foco em sustentabilidade. Em 2008 a empresa lançou o site Rota da Reciclagem (http://www.rotadareciclagem.com.br/), o primeiro buscador específico de pontos de coleta seletiva e reciclagem de embalagens longa vida (caixas de leite, sucos, molhos de tomate e outros alimentos). O site conta com a tecnologia do Google Maps para apontar a localização e o contato de cooperativas, pontos de entrega voluntária de materiais recicláveis e comércios ligados à cadeia de reciclagem de embalagens da Tetra Pak pós-consumo em todo o território nacional. Desde sua criação em março de 2008, o Rota da Reciclagem já recebeu mais de 160 mil visitantes e mais de 215 mil buscas por pontos de coleta seletiva. Atualmente cerca de 700 cooperativas e associações de catadores de recicláveis, 600 comércios de recicláveis e 500 PEV's - Pontos de Entrega Voluntária de recicláveis - estão cadastradas no sistema. O Brasil é um dos grandes recicladores mundiais de embalagens TetraPak, com mais de 50 mil toneladas recicladas ao ano. Depois de recicladass, elas podem ser transformadas em caixas de papelão, telhas e placas para construção civil, canetas, vassouras, móveis, etc. Atualmente, cerca de 40 empresas brasileiras reciclam a embalagem da Tetra Pak, gerando empregos e renda em uma cadeia de reciclagem que cresce ano a ano no País.

Empresas dão a cara a bater e divulgam publicamente quanto jogam de CO2 no ar

Transparência é tuuuudo de bom e tem que ser incentivada. Por isso, dou os parabéns às corporações que hoje deram a cara à tapa apresentando seus inventários de emissões dos gases causadores do efeito estufa durante o lançamento oficial do programa Empresas Pelo Clima, em parceria com a FGV.

Inventário é o termo técnico para o levantamento que as empresas fazem para saber o quanto estão jogando na atmosfera de gases causadores do efeito estufa (o gás carbônico é o mais conhecido, mas tem também metano, NOx, SOx etc.). Esse levantamento é fundamental para qualquer trabalho sério de redução: é preciso saber o tamanho do problema para depois checar se as ações de mitigação (=diminuição) das emissões foram ou não bem sucedidas.

As emissões desse grupo são referentes a 2008 e representam 3,8% daquilo que o Brasil emitiu no ano de 2005 (últmo ano com dados consolidados disponíveis). Excetuando os gases-estufa originados do desmatamento e das mudanças no uso do solo, o porcentual sobe para 8,5%.

O ranking só tem pesos pesados da indústria - porque para emitir muito, tem que ser grande. A lista é liderada pela toda-poderosa Petrobrás salve-salve!!! A fofa jogou cerca de 51 milhões de toneladas de CO2 no ar. Obviamente esse número não computa o que sai dos escapamentos de carros, ônibus, caminhões e tratores que utilizam os produtos da gradiosíssima salve-salve Petrobrás! Em seguida vem a Votorantim, com 18 milhões de CO2e emitidos, e a Alcoa, com 2 milhões de CO2e. Ambas possuem programas sérios que visam reduzir o impacto social e ambiental de suas atividades - algo que não posso falar daquela-que-não-deve-ser-mencionada. Os detalhes dos inventários estão disponíveis no site da FGV.


Empresas pelo clima

O programa Empresas Pelo Clima, coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces, é uma plataforma empresarial permanente que visa criar as bases regulatórias no processo de adaptação econômica às mudanças climáticas no país. Traduzindo: como mudanças serão inevitáveis de 2012 em diante, com a revisão das metas do Protocolo de Kyoto que deve sair no final do ano, na COP15, esse grupo está se antecipando. Motivo: sai mais barato antecipar tendências do que custear a adaptação depois. (parênteses: o GVCes consolidou-se como "o" ponto de referência em sustentabilidade empresarial; eles passaram o CEBDS para trás em termos de iniciativas e visibilidade!)

Ao aderir ao EPC, as empresas se comprometem a fazer inventários anuais das emissões de gases que afetam o clima a partir da metodologia definida pelo GHG Protocol. Das 27 empresas que elaboraram seus inventários, 10 conseguiram cumprir todas as diretrizes do Programa Brasileiro GHG Protocol logo no primeiro ano. São elas: Alcoa, Ambev, Anglo American, CESP, CNEC, Embraer, Ford, Natura, Suzano Papel e Celulose e Votorantim. Cinco empresas optaram por não publicar seus dados neste ano. Mesmo assim, o total de emissões diretas dessas companhias já está computado no número global divulgado nesta quinta-feira.

Você investiria em um fundo vindulado a índice de crédito de carbono?

A novidade do Itaú Unibanco, apresentada em coletiva de imprensa hoje: um fundo de investimentos vinculado a um índice de créditos de carbono. Trata-se da primeira iniciativa dessas natureza no Brasil. Ok. Mas você investiria nele?

Para responder a esta pergunta, é importante que você entenda o que é o mercado de carbono. Confesso que eu pouco sabia sobre o tema e por isso agradeci porque o pessoal do Itaú Unibanco chamou o presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono – Abemc, Flavio Gazani, para dar uma aula. Ele lembrou que tudo começou com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, pelo qual chegou-se a um consenso sobre o impacto das emissões dos gases de efeito estufa sobre as mudanças climáticas. Foi por conta dessa constatação que as nações desenvolvidas (com exceção dos Estados Unidos) assinaram o Protocolo de Kyoto, comprometendo-se com metas de redução na emissão desses gases, entre os quais está o gás carbônico (CO2).

Essa redução pode ser feita de várias formas: com mudanças tecnológicas, com uma matriz energética mais limpa e também mediante mecanismos de troca - quem não consegue reduzir as emissões estimula quem consegue e contabiliza a redução do outro nas suas metas. Esse é o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Os projetos têm que passar por aprovação nacional, da ONU e por auditorias para comprovar que há efetivamente a redução alegada. Essa é a teoria. Na prática, normalmente os países que não têm metas a cumprir no Protocolo de Kyoto (como nós, aqui no Brasil, ou a China) desenvolvem os projetos e depois oferecem os créditos em carbono. Por convenção, uma tonelada de carbono que deixa de ser emitida equivale a um crédito.

Existem bolsas especializadas na comercialização deles, como se fossem bolsas de valores. A maior delas fica em Londres. Não é por acaso: o Reino Unido é o maior comprador mundial, com 39% das transações, seguido pelas nações do Mar Báltico, com 17%, e Itália, com 9%. Do lado dos vendedores, a China é líder inconteste, com 84% dos projetos, seguida por Ìndia, com 4%, e Brasil, com 3%. A diferença brutal justifica-se: a matriz energética lá é muito suja, portanto o país tem um enorme potencial de redução em suas emissões. No caso do Brasil, nossa matriz é limpa. Ainda assim, do total de projetos de MDL desenvolvidos no Brasil, 50% são de energia renovável, por conta da co-geração em usinas de açúcar e álcool – o que explica porque São Paulo tem 23% dos projetos brasileiros de MDL. Em seguida vem Suinocultura (13%), troca de combustível fóssil (11%) e aterros sanitários (9%).

O mercado regulado pelo Protocolo de Kyoto chama-se... mercado regulado (um caso raro em que não foi criada uma sigla esdrúxula). Mas além dele, existe outro, desenvolvido pelos países que não assinaram o protocolo. Ele se chama mercado voluntário, porque não está relacionado com metas. Ele é pequeno em relação ao mercado total de créditos de carbono (apenas 2,9%), porém cresce vertiginosamente: apenas em 2008 sua expansão foi de 87%.

O volume de negócios com créditos de carbono em 2008 foi de US$ 705 milhões. O faturamento, por sua vez, foi de US$ 126 bilhões nesse mesmo período. Ou seja, é um negócio lucrativo, portanto atraente para o empresário – e, por isso, tende a crescer, apesar de todas as incertezas que existem quanto à sua natureza jurídica, governança na questão climática no Brasil e eventuais mudanças que venham a ser estabelecidas agora no final do ano na CoP15.

Já existem hoje em todo o mundo US$ 12,5 bilhões em fundos atrelados a créditos de carbono. Hoje, o Itau Unibanco lançou o primeiro a operar no Brasil. Ele promete ser uma aplicação tão o mais rentável que outras. E, indiretamente, estimula a migração para uma economia de baixo carbono. Por que não apostar?

Você compraria uma garrafa de água suja?

Uma das melhores campanhas que já vi: chama a atenção para a causa, muda a percepção do público-alvo, mobiliza e consegue adesões. Tudo a partir de uma premissa simples: apresentar como um fato "normal" da classe média algo que afeta milhões de pessoas carentes em todo o mundo.

Você compraria água suja para beber?

Let´s do it!

Em cinco minutos, uma lição de mobilização social - e uma prova de que, no fundo, o que faz a diferença é o que cada um de nós decide (ou não) fazer.

A sustentabilidade no alvo da moda

Amanhã, dia 24, a jornalista de moda Lilian Pacce lança o livro “Ecobags - Moda e meio ambiente” na Livraria da Vila do shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Trata-se de um exemplo perfeito de como o mundo da moda em geral trata a questão da sustentabilidade. O livro de Lilian reúne 120 bolsas ecologicamente corretas criadas por estilistas e marcas brasileiras como Alexandre Herchcovith, Ash, Blue Man, Carlos Miele, Huis Clos, Juliana Jabour, Mario Queiroz, Neon e Rosa Chá. Na divulgação da obra, encontrei declarações da autora do seguinte quilate: “Não é algo passageiro, é um tsunami. E quem não entrar vai se dar mal. É uma questão contemporânea. A moda sustentável tem de se transformar em um novo luxo”.

Concordo em gênero, número e grau com a afirmação. Agora, dizer que ecobag é sustentabilidade dentro do mundo da moda é o “ó”, né gente? Elas são sustentabilidade para o varejo, que usa sacolas de plástico. Para o mercado da moda, sustentabilidade é dar um fim às sweat houses (as oficinas de costura que empregam pessoas em condições desumanas). É desenvolver processos de lavagem e tingimento de tecidos que demandem menos água e gerem menos resíduos tóxicos. É, acima de tudo, rever o próprio conceito de moda, hoje praticamente um sinônimo de produto descartável.

Mas essa confusão sobre o que é sustentabilidade não é exclusiva do mundo da moda. O mundo empresarial está cheio de empresas que acham que doar para uma creche é sustentabilidade. Que passam a usar papel reciclado e já se sentem sustentáveis. Na verdade, todo o setor produtivo encontra-se em fase de transição para a sustentabilidade – alguns com mais consistência, outros com menos.

Pesquisando sobre o tema descobri um case bem legal: o da Osklem: a grife de Oskar Metsavath criou o Instituto-e, que se baseia em cinco pilares: origem da matéria-prima, impacto do processo produtivo, relações trabalhistas e/ou com a comunidade, design e atributos comerciais. Ou seja, uma abordagem muito mais completa, que olha para a moda enquanto indústria dentro de uma cadeia econômica – e não como uma mera fonte de peças “com atitude”. O Instituto já fez o mapeamento de matérias-primas, orientando o desenvolvimento de coleções apresentadas na SPFW, por exemplo. Atualmente, a Osklen produz t-shirts de poliéster extraído de garrafas pet recicladas, além de tênis feitos de couro de peixe e bolsas e acessórios ecologicamente corretos.Também apoiou o redesenho da sandália Ipanema, da Grendene – um exemplo das sinergias entre o instituto e outras empresas. Além de criar um produto feito com material reciclado e 0% de resíduo na produção, Oskar sugeriu que parte da verba arrecadada com a venda das sandálias fosse destinada ao bairro carioca cujo nome ela carrega. A idéia, aprovada, tem permitido a revitalização do Parque Garota de Ipanema.

Os esforços de algumas poucas empresas esbarram em condições de mercado nada favoráveis. Contrariando as palavras de Lilian Pacce, não há uma tsunami de matérias-primas disponíveis: a questão da escala ainda impede a adoção de produtos ambientalmente menos agressivos. Tampouco há qualquer incentivo do governo para a produção de tais materiais. O resultado é que muitas vezes sustentabilidade, na moda, se restringe a uma estratégia de marketing que utiliza os próprios produtos como canais de comunicação: quem já não viu peças com mensagens sustentáveis?

A troca do significado por seu significante poderia muito bem ser classificada de greewashing, não fosse por um detalhe: moda faz cabeça. Dissemina valores e atitudes. Que bom, portanto, que o mundinho adotou a “causa”!

Depois do Empire State, é a vez da Sears Tower ficar verde

A Sears Tower , o prédio mais alto dos EUA, com 442 metros e 108 andares, deve se tornar mais sustentável daqui a cinco anos. Um projeto de US$ 350 milhões prevê uma economia de 80% na energia e de 24 milhões de galões de água em relação ao consumo atual.

Painéis solares serão instalados para prover a energia necessária ao aquecimento da água (o prédio fica em Chicago: faz frio prá xuxu lá!). Diferentes tipos de turbinas de vento contribuirão para a geração de energia. E entre 2.787 e 3.250 metros quadrados de telhados verdes serão plantados para ajudar a regular a temperatura interna do prédio. A reforma inclui ainda adaptações nas 16 mil janelas para que elas também contribuam com a economia de energia, além de sistemas automáticos de iluminação e, sim, a substituição dos equipamentos do banheiro para reduzir o consumo de água. O objetivo é obter a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), do Green Building Council.

A reformulação da Sears Tower gerará 3,6 mil empregos. Durante a obra, um centro de ensino sobre construção sustentável será instalado no térreo para disseminar o conceito ao público que circula no prédio.

Pensamento sistêmico

O Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Walmart, lançou a campanha Saco é um Saco. Além da intenção (reduzir o consumo de sacolas plásticas), o que eu amei na campanha foi o incentivo ao pensamento sistêmico que ela propõe. Porque os problemas de sustentabilidade que todos nós enfrentamos decorre do fato de que não conseguimos relacionar causa-e-efeito, já que em sistemas complexos muitas vezes o efeito do que causamos não está ao alcance direto de nossa experiência - seja porque ocorre muito depois do ato que o deflagra, seja porque atinge outras pessoas. Este, aliás, é um dos motivos pelos quais Peter Senge defende uma nova forma de educação: se a maneira mais efetiva, que é a experiência direta, não é mais adequada para enfrentarmos os granades desafios que ameaçam a humanidade, faz-se necessário desenvolver outras habilidades. Como o pensamento sistêmico: a capacidade de ver e relacionar causas e efeitos cuja relação não é evidente. Isso tudo soou muito complicado para você? Então assista o vídeo da campanha e veja como isso é, na verdade, muito simples: basta olhar para a realidade ao nosso redor com um novo olhar!



Leia mais sobre o problema clicando no tag "sacolas plásticas" que fica no lado esquerdo da tela deste blog.

Comunicação e sustentabilidade: a visão da Holcim

A comunicação de hoje tem a ver com transparência. A declaração, de Barbara Dubach, vice-presidente de Desenvolvimento Social e Sustentável da Holcim (uma das maiores fabricantes mundiais de cimento e concreto) sintetiza o recado passado no painel “Redefinindo o Marketing e a Comunicação das Empresas num Mercado Socialmente Responsável”, que integrou a programação da Conferência Internacional do Ethos, realizada esta semana em São Paulo.

Com a experiência de quem gerencia uma operação global presente em 70 países e que emprega 90 mil pessoas, Bárbara recomenda que a comunicação comece dentro de casa. “Os funcionários precisam conhecer e viver os valores da empresa. É preciso engajá-los.” Por que? Para que a comunicação seja também um instrumento de sustentabilidade e apóie a empresa na criação de uma cultura sustentável.

Com o mesmo objetivo, Bárbara recomenda que a comunicação externa parta do mapeamento de stakeholders: quem são? do que precisam? quais são os canais de comunicação mais apropriados para estabelecer um diálogo?

A gestão da comunicação voltada ao Desenvolvimento Sustentável na Holcim se dá em duas frentes: melhoria e medição.

Por melhoria, Bárbara classifica a divulgação e a internalização da visão, da missão e das políticas da empresa, o trabalho de comunicação e reputação e a associação a iniciativas relevantes para a cadeia de valor na qual a empresa se inclui, tais como a Cement Sustainability Initiative e o Pacto Global.

Por medição, ela entende pesquisas internas e externas e o engajamento de stakeholders – deixando claro que este último item é uma jornada de longo prazo. Mas vale a pena: segundo Barbara, o engajamento feito de diferentes formas, trazendo os stakeholders para junto da companhia em alguns projetos, é o caminho para colocar a sustentabilidade no DNA da empresa (e não só no relatório).

Barbara encerrou sua apresentação com as cinco dicas que considera imprescindíveis para quem quer se aventurar na comunicação para a sustentabilidade:

1 – Analise a situação por meio de pesquisas.
2 – Comece cedo.
3 – Seja aberto e honesto.
4 – Os fatos devem respaldar a retórica.
5 – Uma vez iniciado o processo, ele não tem fim.

Tendências 2012 para relatórios e engajamento

Quem lê relatórios de sustentabilidade? A pergunta, que já foi tema de pesquisa da KPMG, foi também objeto de um levantamento informal da Sustainability, consultoria inglesa criada por John Elkington – o “criador” do conceito de triple bottom line. E os resultados foram apresentados hoje na Oficina de Gestão “O Futuro do Engajamento: Ferramentas para Reconstruir a Confiança”, conduzido por Jodie Thorpe, diretora de Economias Emergentes da Sustainability, durante o terceiro dia da Conferência Internacional do Ethos.

O levantamento confirmou aquilo que você já intuiu: sim, os relatórios de sustentabilidade têm baixíssimo índice de leitura. Sua produção é problemática. No entanto, sua eficácia é reconhecida dentro do esforço de conduzir corporações a práticas mais transparentes e sustentáveis. E se reconhecer o problema é um começo, propor um caminho é avançar. Foi o que a Sustainability fez: um exercício de tendências – como serão as práticas de engajamento e relato em 2012.

Engajamento = inevitável

1) A necessidade de criar valor, inovar cada vez mais e integrar processos do core business das empresas forçarão a migração do formato “pesquisa de opinião” para o engajamento.

2) Os stakeholders relevantes conduzirão a fusão da sustentabilidade com o core business das corporações.

3) O gerenciamento dos stakeholders deixará de ser visto como uma área específica e se transformará em um conjunto de habilidades que todas as áreas das empresas utilizarão.
4) A tecnologia mudará a natureza e a qualidade do engajamento.

O relatório vai acabar! Viva o relatório!

1) Os relatórios de sustentabilidade serão integrados dentro dos principais canais de comunicação das empresas.

2) Relatórios como peças sozinhas, explícitas, deixarão de existir ou encolherão dramaticamente de tamanho, concentrando-se apenas na intersecção da estratégia de negócios com os temas materiais.

3) O amplo acompanhamento de múltiplos indicadores de sustentabilidade deixará de ser um

processo de relato e evoluirá para um sistema de gestão dentro da empresa.


Um exemplo prático de como os stakeholders querem ser engajados

A afirmação acima é praxe nos cursos de engajamento de stakeholders. Hoje, tive a comprovação prática de que é a mais pura verdade. Foi na roda de diálogo "Oportunidades Geradas pela Busca por uma Matriz Energética Sustentável" da Conferência Internacional do Ethos. Coordenada por José Goldenberg, da USP, ela contou com a participação de Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética do Ministério de Minas e Energia, Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace Brasil e Luis Pescarmona, diretor geral da IMPSA (empresa de energia eólica).

Não vou entrar nos detalhes técnicos que foram apresentados sobre nossa matriz, exceto que todos lamentaram o fato de que ela está crescendo mais que o desejável na utilização de combustíveis fósseis. A conversa evoluiu até o ponto em que alguém na platéia perguntou: “onde é o fórum no qual podemos discutir esse assunto?”. Resposta: não há tal fórum. A política energética brasileira é decidida em gabinetes – do Ministério das Minas e Energia e no Congresso. Não há fóruns de interlocução que permitam a participação da sociedade nos debates e no processo decisório.

Quando confrontado com essa demanda, Maurício Tolmasquim tentou qualificar o debate na Conferência no Ethos como um desses espaços. Ledo engano imediatamente apontado e que o levou a repassar para os demais participantes da mesa a tarefa de organizar tal debate.

Conclusão da história: os stakeholders queriam ser engajados...

Sustentabilidade = interdependência. Ou, se preferir, corresponsabilidade.

Quando o assunto é sustentabilidade, não dá para contar apenas com o pensamento linear: o desafio é juntar as peças e entender as interrelações para melhor agir sobre elas.

Pegue-se o exemplo da indústria alimentícia, sobre quem escrevi ontem ao falar do filme Food Inc., lançado esta semana nos EUA. Ele expõe o lado menos glamuroso desse setor que, segundo pesquisa do Havas Media Group, desfruta de uma excelente imagem pública. Não é para menos: o apelo de toda sua comunicação é sempre em cima de temas e imagens que remetem à saúde e ao bem-estar. Mas entre a imagem e a realidade existe um gap, no qual entram:

1) A qualidade intrínseca dos produtos: como qualquer nutricionista lhe explicará, boa parte dos alimentos industrializados não tem qualidade nutricional. Vender produtos que são mera caloria é sustentável?

2) O marketing da indústria alimentícia é voltado prioritariamente para o segmento infantil: basta que você assista um dia aos canais infantis na TV paga e compare com a quantidade de mensagens publicitárias de comida que você vê fora dali. Isso sem falar no apelo colorido das embalagens, nos bichinhos, grafismos etc. Todos sabemos que o público infantil é simultaneamente mais suscetível às mensagens publicitárias e um grande influenciador das compras de uma casa. Jogar com as crianças para aumentar vendas é sustentável?

3) Em alguns casos, a situação pode ser um pouco pior: como o IDEC denunciou no início deste ano, existem indústrias que mentem na tabela nutricional publicada na embalagem de seus produtos para tentar fazer com quem pareçam mais saudáveis.

4) As grandes indústrias, que fazem compras de grande porte, estão provocando mudanças ambientais. Hoje, além da questão da extração do óleo de palma na Malásia, que gerou uma monocultura responsável pela devastação das florestas tropicais daquele país, temos a “farra do boi” na Amazônia: conforme demonstrou relatório do Greenpeace, por trás da devastação estão grandes marcas que compram os produtos derivados do gado bovino criado na região.

5) Mas não se trata apenas de dano ambiental: o desmatamento provoca pobreza, como um detalhado estudo publicado pela revista Science esta semana comprovou.

Quando juntamos as peças deste quebra-cabeça, outras conexões ficam claras. Por exemplo, a responsabilidade de quem financia este mercado. Não por acaso, ontem veio a notícia de que a International Finance Corporation, braço para o setor privado do Banco Mundial, voltou atrás em sua decisão de financiar a expansão na Amazônia do frigorífico Bertin – um dos denunciados pelas ONGs Amigos da Terra e Greenpeace. O Bertin compra gado de produtores ilegais e ampliou suas compras na região depois de ter obtido financiamento da IFC, violando compromisso firmado com a entidade financeira. A prática foi objeto de multas milionárias por parte do IBAMA, contra as quais o frigorífico voltou sua área jurídica.

Essa decisão soma-se ao anúncio conjunto feito por Pão de Açúcar, WalMart e Carrefour de que essas redes suspenderiam o fornecimento de gado amazônico da Bertin e de outros frigoríficos que compram carne de produtores que agem de forma ilegal na Amazônia. Aqui, entra o tal do rastreamento da cadeia de fornecedores – uma das premissas de sustentabilidade previstas pela Global Reporting Initiative e que tem sido a menos cumprida pelas empresas que adotam os relatórios de sustentabilidade .

Há uma responsabilidade enorme sobre os ombros de quem se propõe a nos alimentar – porém a nobreza do ato não exime das responsabilidades sobre as conseqüências do processo produtivo os diversos agentes desta cadeia de valor. Isso inclui eu e você, consumidores. Porque somos o que comemos. Portanto, precisamos sempre nos perguntar se o que comemos é ético.

Sustentabilidade = interdependência. Ou, se preferir, corresponsabilidade.

Setor de aviação teme Copenhagen

Em seu discurso no encontro anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo em Kuala Lumpur, na Malásia, Willie Walsh, presidente da British Airways disparou: se o setor não apresentar uma proposta de trabalho para reduzir suas emissões de CO2, ele poderá ser enquadrado na Conferência Mundial do Clima, que acontece em dezembro deste ano em Copenhagen, Dinamarca – e que traçará novas metas de redução na emissão dos gases que provocam o efeito estufa.

Resumidamente, a história é a seguinte: o setor de aviação só ficou de fora das metas do Protocolo de Kyoto porque prometeu que traçaria um plano de ações para se auto-regulamentar, o que não aconteceu, apesar de mais de uma década de conversas e negociações. Agora, a seis meses da Conferência do Clima de Copenhagen, eles ainda não têm nada para apresentar.

Ocorre que o mercado de aviação é um dos mais regulados do mundo. Óbvio: qualquer acidente é uma catástrofe, como acabamos de ser lembrados pelo desastre da Air France. Por isso, eles têm várias entidades e instâncias de segurança e normas. Só que são entidades burocráticas, com suas próprias idiossincrasias, seus ritos e seus ritmos peculiares – sinônimo de uma agenda nada amigável. Para você ter uma idéia, a próxima reunião da Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO) , que é o organismo da ONU que representa as linhas aéreas e que até agora não desenhou uma proposta para o setor, só se reunirá em outubro. Too late, como Mr. Walsh concluiu.

Agora, a esperança das companhias aéreas é a toda-poderosa IATA, Associação Internacional de Transporte Aéreo, o sindicato patronal deles, que representa 230 companhias aéreas responsáveis por 93% do tráfego aéreo mundial. Walsh virou a metralhadora contra a ICAO, questionando sua legitimidade de representar o setor em Copenhagen e conclamando para que a IATA faça essa intermediação. E o trabalho de construção de legitimidade deste interlocutor já começou: hoje mesmo, no site da Conferência, a entidade divulgou uma proposta setorial, que consiste na neutralização das emissões de CO2 com base em melhores tecnologias, aviões mais eficientes e disseminação do uso de biocombustíveis, entre outras medidas. Junto, a IATA já avisou que participar dos mecanismos de negociação de carbono custará ao setor US$ 7 bilhões ao ano a partir de 2020, usando como base a cotação de US$ 65 por tonelada de carbono, e que os custos serão repassados aos passageiros.

Até que ponto há efetivamente uma proposta do setor aéreo ou tudo não passa de jogo de cena para tentar ficar fora das novas metas? Pegando apenas a questão dos biocombustíveis na aviação: havia um painel sobre o tema previsto na programação do Ethanol Summit, que aconteceu entre os dias 1 e 3 de junho aqui em São Paulo. Pois bem: o painel caiu por falta de palestrante. Outro indicativo que preocupa é a ênfase na questão do lobby que permeou a fala de Mr. Walsh em Kuala Lumpur: “fazer-se ouvido”, “temos que nos representar”, “temos que fazer algo para que ouçam nossa voz”. Ele chegou a fazer um mea culpa público porque o setor concentrou seu lobby nos ministros dos transportes de seus respectivos países, e não nos ministérios e departamentos ambientais.

Pois é, não é por acaso que o número de lobbistas lidando com questões climáticas cresceu 300% nos últimos cinco anos nos EUA. Ok, o diálogo integra o DNA da democracia e o lobby é seu instrumento válido e legítimo. Porém, a atividade tem este nome justamente porque quando surgiu, no Parlamento Inglês, só era permitida na recepção do prédio (em inglês, lobby), diante de todos, para assegurar a transparência do processo.

Pelo que tenho lido sobre Copenhagen, parece que há um endurecimento de posições, tanto de setores econômicos, como de países - o bom e velho criar dificuldades para negociar facilidades. Por isso, a participação de todos nós é muito importante. Com a internet, estamos a apenas um clique do site oficial da Conferência, da IATA, do governo norte-americano ou do Itamaraty. Ah, sim, e da imprensa! Não deixe de cobrar uma posição mais clara e firme no trato da questão ambiental: faça-se ouvir você também!

Arquitetura verde em Dallas

A recuperação de bairros ou quarteirões degradados sempre traz benefícios econômicos e sociais. Puerto Madero, em Buenos Aires, por exemplo, tornou-se um pólo de escritórios e de restaurantes da moda depois de décadas de abandono. Agora, os novos projetos trazem também um forte viés ambiental.

Este é o caso do antigo estacionamento que ficava em frente à prefeitura de Dallas, no Texas. A ONG Central Dallas Community Development Corporation (CDCDC), com apoio da ONG Urban Re:Vision, realizou um concurso que recebeu projetos de escritórios de arquitetura de 14 países para recuperar o local – e chegou a três finalistas pródigos na sustentabilidade ambiental.

O projeto Forwarding Dallas veio do atelier Data & MOOV, de Lisboa. Baseado em um modelo de colinas e vales, ele comporta pontos para captação de energia solar e eólica que deixam o condomínio autossuficiente. Também incorpora estufas para produção de alimentos, além de muita vegetação para capturar o CO2.

O projeto da norte-americana Little, o segundo finalista, incorpora uma fazenda vertical para produção de alimentos e campos para criação de gado. Os autores incluíram uma instituição de ensino, um restaurante de slow food e um instituto de agricultura orgânica no condomínio, tornando-o um centro de referência para o restante da comunidade.
O terceiro finalista também tem muito verde. Mas diferencia-se dos outros por preservar um prédio que já existe na área da construção como forma de dar maior ênfase à história e à herança arquitetônica de Dallas.

O projeto selecionado será efetivamente construído pela CDCDC, que contará com a ajuda da prefeitura e de créditos fiscais federais, além do apoio de fundações.

Olhando para as imagens acima, lembrei-me do Lula falando que se JK tivesse que construir Brasília hoje, ele não conseguiria licença ambiental para pousar seu avião. Pois é... Nos dias de hoje, o próprio projeto de Niemeyer e Lúcio Costa seria visto como desatualizado. Alguém aí dá um toque pro Andrea Matarazzo pensar nisso quando olhar para a Cracolândia??

Estudo da ONU comprova: preservar florestas é o jeito mais eficiente e barato de seqüestrar CO2

Enquanto a Shell e outras multinacionais se orgulham de investir milhões de dólares em mecanismos mirabolantes para captura e armazenamento de carbono, o Programa Ambiental das Nações Unidas divulga hoje um relatório provando queddi a conservação, a reabilitação e a gestão das florestas, turfas, manguezais e outros importantes ecossistemas é muito mais eficiente no combate às emissões dos gases de efeito estufa.

Segundo o relatório, estimativas recentes indicam que as atividades humanas são responsáveis por emissões globais de carbono de cerca de 10 gigatoneladas (Gt). A mesma pesquisa indica que pode haver margem para combater 15% destes, talvez até mais, por meio da gestão dos solos. Segundo Achim Steiner, sub-secretário-geral e diretor executivo do PNUMA, sistemas vivos são capazes de seqüestrar mais de 50 Gt de carbono nas próximas décadas. O relatório aponta florestas tropicais, turfeiras e uma agricultura mais sustentável como prioridades.

As florestas tropicais detêm a maior capacidade de armazenamento de carbono terrestre, com uma aceitação global anual de cerca de 1,3 Gt de carbono, ou cerca de 15% do total das emissões de carbono resultantes das atividades humanas. Mas as taxas globais de desmatamento das florestas tropicais alcançam atualmente atuaaatualmente 14,8 milhões de hectares por ano (aproximadamente o tamanho do Bangladesh), enquanto o desmatamento é responsável por quase um quinto das emissões globais de gases com efeito estufa - mais do que todo o setor dos transportes.

Reduzir as taxas de desmatamento em 50% até 2050 e, depois, mantê-las neste nível até 2100 evitaria a liberação direta de até 50 Gt de carbono neste século, o equivalente a 12% das reduções das emissões necessários para manter as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono abaixo 450ppm. A melhoria da exploração madeireira pode reduzir as perdas de carbono em cerca de 30% em comparação com técnicas convencionais.

O setor agrícola pode facilmente alcançar ganhos maiores no armazenamento de carbono, se utilizar boas práticas de gestão, como evitar virar o solo e utilizar nutrientes naturais compostagem e esterco. Até 6 Gt de CO2 poderiam ser seqüestrados por ano até 2030, o que é comparável ao atual das emissões provenientes do sector agrícola. Em outras palavras, a agricultura poderia ser neutra na emissão de CO2 até 2030 apenas utilizando boas práticas. Detalhe: muitas delas têm custo reduzido ou nulo. A maior parte desse potencial – 70% - pode ser realizado em países em desenvolvimento.

O custo da gestão dos ecossistemas é muito baixo em comparação com outras formas de "energia limpa". A gestão de pastagem, fertilizantes e fogo em pastagens custam US $ 5 por tonelada. A recuperação de solos degradados e terrenos custam cerca US$ 10 por tonelada, enquanto que os custos de captação e armazenamento de carbono tecnológico são estimados em US$ 20-270 por tonelada de dióxido de carbono. E se as emissões de carbono foram avaliadas em US$ 100, em 2030 o sector agrícola seria potencialmente o setor mais importante para atingir reduções de carbono.

Informações mais detalhadas podem ser obtidas aqui.

Reciclar pessoas

Ciente de que seu produto é feito de materiais recicláveis, mas que não eram reaproveitados por não haver tecnologia que separasse o plástico, o papel e o alumínio que compõem uma embalagem longa vida, a Tetra Pak investiu recursos técnicos e financeiros no desenvolvimento de maquinário adequado, procurou empreendedores dispostos a apostar neste novo negócio, identificou cooperativas de catadores, conversou com o varejo. Em suma, organizou a cadeia produtiva da reciclagem de suas embalagens.

Mas não basta ter a cadeia produtiva: é preciso ter matéria prima para que ela opere. Por isso, a empresa desenvolveu o site http://www.rotadareciclagem.com.br/, onde é possível encontrar o ponto de coleta mais próximo de sua residência. E realizou uma campanha, desenvolvida em duas fases. A primeira, de call-to-action, ou seja, mobilização, envolveu ações nos pontos de venda (detalhe: sem custo, porque os supermercados aderiram à causa) e merchandising em programas de TV, além de um concurso cultural e mídia na internet. Na segunda fase, institucional, a empresa foi para TV e mídia impressa. Juntas, elas geraram mais de 136 mil consultas aos endereços dos pontos de coleta no site www.rotadareciclagem.com.br, elevando o volume de embalagens retornadas para reciclagem para as 50 mil toneladas / ano almejadas para esta etapa.

Mas talvez o resultado mais significativo seja a transformação na vida das pessoas envolvidas. Não deixe de ver o vídeo abaixo, com depoimento de um dos catadores de uma das cooperativas envolvidas no projeto: nele, fica evidente como uma ação de cunho ambiental torna-se mais viva e completa ao incluir o aspecto humano.



Depois de ver esse vídeo, você ainda acha que seu condomínio deve se apropriar dos recursos gerados pela reciclagem? Converse com seus vizinhos, com seus amigos e com o síndico: opte pela doação do seu lixo reciclável para cooperativas. Assim, você não reciclará apenas o lixo: você reciclará seres humanos.

Vale a pena fazer bem feito

No segundo dia do Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa(*), tive o privilégio de mediar a apresentação do case Prêmio Brasileiro Imortal, da Vale, apresentado por Mônica Ferreira, Gerente de Relacionamento com Imprensa da empresa. Aliás, mediar não é o verbo mais apropriado, pois o que fiz foi babar diante da criatividade e da abertura do novo que a Vale apresenta.

Trata-se de uma história que demonstra, na prática, várias das teorias que ouvimos em aulas sobre sustentabilidade. A primeira delas: que o olhar da sustentabilidade pode entrar por qualquer porta da empresa. Pois este case entrou pela Assessoria de Imprensa. E de forma despretensiosa: tudo começou quando eles se questionaram sobre o número de árvores que a Vale já plantou ao longo de sua trajetória e descobriram que a empresa não tinha esse número. Atrás dele, vieram informações sobre o trabalho de preservação da flora – incluindo a pesquisa de novas espécies nas áreas mantidas pela companhia.

Na reserva de Linhares, que fica em município homônimo localizado no estado do Espírito Santo, seis novas espécies já haviam passado por toda a burocracia de comprovação de que não estavam catalogadas. Como é praxe na botânica, toda nova espécie recebe um nome. Há regras para isso: são sempre duas palavras, ambas em latim – a primeira, para a família à qual ela pertence; a segunda, a espécie. Assim como acontece com os humanos, também para as plantas não se escolhe o nome da família. Mas o da espécie, sim. E aí surge o problema: que nome dar ao bebê? Pois embora tenham sido descobertas em áreas da Vale por pesquisadores da Vale e com recursos da Vale, as novas espécies não pertencem à Vale, mas sim a todos nós. Ter a sensibilidade para perceber isso e não se arrogar o direito de colocar nomes relacionados à própria empresa (como alusões à marca ou ao nome do presidente) é outra lição de sustentabilidade.

Para solucionar a questão do nome , a assessoria de imprensa da Vale teve a idéia de fazer um concurso aberto ao público. A escolha se deu a partir de uma pré-seleção realizada por um conselho de notáveis, o que assegurou a legitimidade das indicações: três para cada categoria (cinco regionais, representando as localidades onde a Vale está presente, e uma nacional). A votação foi feita pela internet em plataformas que permitiam a participação dos públicos externo e interno da empresa. Além da divulgação pela imprensa, o concurso contou com publicidade na web e na TV. Mais algumas lições de sustentabilidade (transparência, busca de legitimidade, participação das partes interessadas).

Essa foi a espinha dorsal que permitiu a organização de diversas ações de divulgação e educação, como visitas de jornalistas à reserva de Linhares, para conhecer in loco o trabalho de pesquisa e preservação, e concurso de frases sobre responsabilidade ambiental para mensurar o nível de compreensão sobre este tema. Gerou uma edição especial de selos do Correio, com as imagens das novas espécies. Permitiu, ainda, incluir uma homenagem à então recém-falecida Ruth Cardoso, que não constava na lista inicial.

Como a própria Mônica ressaltou no início de sua apresentação, na Vale o desafio é fugir dos superlativos. Então, para um concurso que premiaria 10 frases, eles receberam mais de 200 mil. Em um concurso para dar nomes brasileiros a espécies brasileiras, acessaram o site pessoas de 97 países (detalhe: a Vale está presente em uns 30).

Este ano, nova edição do Prêmio deve ser lançada – mas, com “algumas complicações a mais”, como brincou Mônica. Porque fazer as coisas direito nem sempre é simples ou fácil. Mas sempre vale a pena.
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(*)12º Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa
De 27 a 29 de maio de 2009
Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, SP
Realização: Mega Brasil – www.megabrasil.com.br

A sustentabilidade, segundo a Alcoa

Tive o prazer de acompanhar a palestra de Nemércio Nogueira, diretor de Assuntos Institucionais da Alcoa, no 12º Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa (*), a qual teve início com uma proposta instigante: demonstrar como a Alcoa tem o direito de usar seu atual slogan “Sustentabilidade é a nossa natureza”.

Para tanto, ele lembrou que quando a empresa se instalou no Brasil, na década de 60, não havia legislação exigindo a revegetação de áreas mineradas. Por consequência, não havia know how em nosso país – ninguém sabia como fazer! Pois a Alcoa criou um sistema de revegetação, inspirando-se no modelo australiano (na época, o mais avançado), porém adaptando-o às condições locais de Poços de Caldas, MG, por meio de parcerias com universidades (Viçosa, Lavras, USP, Unicamp). A legislação que passou a exigir tal prática das mineradoras só veio em 1988 – e o primeiro manual do Ibama a respeito, publicado em 1990, foi redigido por um funcionário da Alcoa.

Já no final dos anos 70, a empresa decide abrir uma unidade fabril na ilha onde fica São Luís do Maranhão. Os habitantes, na época sem familiaridade com a atividade industrial, receberam a notícia com desconfiança. Ou melhor: com a boca no trombone, já que era o fim da ditadura e todos estavam ávidos para se expressar. A democracia era mote e, em sintonia com o zeitgeist, a Alcoa firma três compromissos éticos para atender as demandas da população: 1) elevar a qualidade de vida; 2) alavancar a economia local; 3) conservar o meio ambiente. Tais compromissos foram atendidos por meio de investimentos que permitiram o fornecimento estável de água e energia elétrica à população; a implantação de um projeto ambiental sofisticado, que já incorporava um parque ambiental dentro da área da fábrica; geração de impostos e apoio ao desenvolvimento de fornecedores locais; e com o investimento social externo conduzido pelo Instituto Alcoa.

Hoje o desafio é Juruti, no norte do Pará. Esse pequeno município, que em seus 125 anos de história só recebeu a visita de um governador do Estado há três anos (por conta do projeto da Alcoa), está entrando no mapa da sustentabilidade da indústria mundial de mineração. Pois é objetivo da Alcoa criar um modelo de implementação aplicável a outros lugares no Brasil e nos demais países onde a empresa atua. Para tanto, a companhia investiu no diálogo com as partes interessadas - em sintonia com a absoluta liberdade de expressão, com a tolerância institucional aos movimentos sociais e com a comunicação global instantânea que caracterizam nossos tempos.

A principal parte interessada é a comunidade local. Pois para ela, além dos mecanismos de diálogo já previstos em lei (como as audiências públicas), foram criados canais e ferramentas específicas de interação com a Alcoa e com as outras partes interessadas: as demais empresas que atuam na região, o poder público e ONGs. Juntos, eles integram o Conselho Juruti Sustentável, modelo desenvolvido pelo Centro de Estudos da Sustentabilidade da FGV que prevê a efetiva participação das partes, a construção de indicadores materiais (no sentido AA1000 do termo, ou seja, definidos pela comunidade) e a criação de um fundo de desenvolvimento, que, neste caso, é gerido pelo Funbio. Trata-se de uma audiência pública permanente, segundo Nemércio.

Se o diálogo é diferente, a compensação ambiental não poderia ser a mesma. E não é: ciente de que os recursos são finitos e de que um dia a mineração acabará (ainda que daqui a um século), a empresa está fazendo investimentos maciços (financeiros, humanos e técnicos) para elevar o IDH do município e reduzir a dependência da população local. Detalhe: os investimentos foram definidos em conjunto com a comunidade, em audiências públicas em Juruti, Santarém e Belém que, juntas, reuniram oito mil pessoas.

Ao final, Nemércio destacou que sustentabilidade é comportamento – é a alma da companhia: “ Em épocas de crise, pode ser que seja inevitável cortar projetos. Mas não se corta atitude. Ela permanece naquilo que sobreviveu aos cortes. Não se pode encarar sustentabilidade como um projeto, mas como uma maneira de ser. Esta é a única maneira de se pensar isso, senão vira campanha de RP. E sustentabilidade não é marketing, não é RP, é muito mais que isso”.

Para mim, ficou provado que a Alcoa tem o direito de usar o slogan “Sustentabilidade é a nossa natureza”. E você, o que acha?

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(*)12º Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa
De 27 a 29 de maio de 09
Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, SP

Cobertura: http://12cong.blogspot.com/
Realização: Mega Brasil –
www.megabrasil.com.br

Estudo da ONU: favelas são mais castigadas pelas mudanças climáticas

Estudo da Estratégia Internacional para a Redução de Desastres, ligada às Nações Unidas, conclui que a soma do crescimento das favelas em todo o mundo com as mudanças climáticas resulta em riscos maiores de megadesastres. Esta equação aplica-se mais diretamente aos países em desenvolvimento, muitos dos quais não possuem mecanismos ou estruturas estatais de apoio à sociedade nesses momentos.

As 200 páginas deste estudo mostram como as variáveis ambiental, social e econômica estão intrinsecamente interligadas: a pobreza leva a população para áreas de risco que, por conta das mudanças climáticas, ficam mais expostas a acidentes. No caso da população rural, por exemplo, o estudo chama a atenção para o risco maior existente em regiões de desmatamentos de floresta, mais suscetíveis a deslizamentos, ou para os que habitam em regiões secas, que devem ser mais castigadas nos próximos anos.

E se a mudança climática amplifica o problema social, a falta de recursos econômicos dificultará cada vez mais que tais populações consigam absorver e se recuperar de tais impactos, que comprometem a própria economia como um todo: apenas em 2008, 300 desastres naturais provocaram prejuízos da ordem de US$ 180 bilhões. A parcela da economia global que é diretamente ameaçada por enchentes dobrou desde 1990.

Cerca de 900 milhões de pessoas vivem em favelas e assentamentos em localidades vulneráveis a desastres como inundações, ciclones e terremotos. Detalhe: essa população cresce a uma taxa média de 25 milhões de pessoas a mais por ano. Desde 1975, 1,7 milhão de pessoas morreram em 23 "megadesastres". Vinte e oito por cento mais pessoas correm o risco de perder suas casas, rendas e vidas hoje do que duas décadas atrás.

Embora seja inevitável lembrar das enchentes que estão atualmente afetando o Norte e Nordeste do Brasil – bem como das catástrofes que todo ano atingem Rio de Janeiro e Minas Gerais – o estudo indica que os maiores riscos estão na Ásia: três quartos das pessoas que correm o risco de morrer em enchentes em todo o mundo se concentram em Bangladesh, Índia e China.

PS - não deixe de ler o excelente artigo de José de Souza Martins, publicado no caderno Aliás do Estadão deste domingo, 17/05, sobre a maneira bastante peculiar com a qual nós, brasileiros, lidamos com a questão da enchente - transformando sua previsibilidade em um fator de adaptação que tolhe a efetiva solução dos problemas.

Foto do site da prefeitura de Rio do Sul, da enchente ocorrida na cidade em 1954.

Comunicação responsável: celulares ecológicos

Mais um exemplo de como a comunicação pode comprometer a imagem de sustentabilidade de uma empresa. Desta vez, no mercado de telefones celulares.

Motorola e Samsung lançaram aparelhos com apelo ecológico. A primeira veio com o MOTO W233, que tem 25% de sua estrutura externa feita de material reciclado a partir de garrafas pet e vem com o certificado Carbonfree, que garante que o produto compensa as emissões de carbono no seu processo de fabricação, distribuição e uso com investimentos em projetos de preservação ambiental. A segunda, com o Samsung Blue Earth, o primeiro telefone celular que pode ser carregado por energia solar. Totalmente feito de plástico reciclado de garrafas PET, ele vem com um pedômetro que calcula a redução de emissões de CO2 geradas por nossos percursos a pé e apresenta o resultado sob o número de árvores que foram salvas. Ah, e ele foi apresentado ao mercado antes do modelo da Motorola!

Pelas informações acima, tenderíamos a considerar a Samsung mais “sustentável” que a Motorola, correto? Antes de responder, considere apenas mais esta informação: o produto da Motorola já está à venda; o da Samsung, não – o anúncio foi feito com a pulverização de fotos maravilhosas, mas não temos acesso a esta oitava maravilha da tecnologia. A Motorola, por sua vez, teve o cuidado de alardear seu produto apenas quando ele entrou no mercado (em parceria com a Claro e Wal-Mart).

Depois de tomar conhecimento desse pequeno detalhe, qual das duas empresas lhe parece mais sustentável?
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